Como pedir uma garota para sair pela primeira vez

Como Falar Pela Primeira Vez com a Garota da Qual Você Gosta. Talvez você sonhe em falar com a garota de quem gosta, mas morra de medo de se aproximar. A primeira conversa pode mesmo ser angustiante, mas, ao fazê-lo, a menina pode notá-lo... Um namoro pode ser um tempo maravilhoso e emocionante na vida de um jovem. No entanto, a coragem necessária para chamar uma menina para sair pela primeira vez é muitas vezes difícil de encontrar, especialmente se o menino está profundamente interessado na garota. Usando algumas técnicas de entrevista, é possível ... 10 coisas que você precisa saber antes da primeira vez Culpa, insegurança, medo, expectativa, amor... Em alguns momentos, tudo que mais precisamos é da opinião sincera de uma amiga. E para alguns, é cansativo ter que sempre pedir. O que signific. Conteúdo: Talvez você queira saber como fazer uma garota te convidar para sair. Você sabe, conversa fiada, pedir o número dela - é um processo e tanto. Por que não deixá-la assumir a liderança? Talvez você queira saber como fazer uma garota te convidar para sair. Ter confiança em si mesmo é a melhor dica para falar com uma garota pela primeira vez. Fique calmo e tente usar seu humor para a conversa. Talvez você tenha visto uma garota bonita na sua faculdade e agora sonha com ela. Falar com ela pela primeira vez pode ser uma tarefa difícil, muitos rapazes se atrapalham pela ansiedade nessa situação. Para muitos, aproximar-se de uma garota não é tarefa fácil. Existe o medo de ser rejeitado, fazer o ridículo, não saber exatamente o que dizer, medo do que os outros vão pensar etc. Tudo isso, claro, somado às fantasias vendidas pelo cinema, televisão, redes sociais, sobre o que deveria ser o amor ideal. Como Beijar uma Garota pela Primeira Vez. Ela é linda e gentil e vocês estão finalmente se dando bem... é hora de beijar? Se você nunca a beijou (ou nunca beijou ninguém), isso pode intimidá-lo um pouco. Mas não se preocupe! Com um pouco... Deixe para conhecerem-se melhor no próprio encontro. O objetivo é construir uma conexão começando por algo simples, como tomarem um café ou uma bebida juntos. Quando você ligar, faça-o de maneira breve e não tente retomar todos os tópicos que foram discutidos quando se encontraram pela primeira vez. A verdade é que não tem sexo melhor do que com uma garota que você convenceu a ficar com você sem pagamento e que você já tem intimidade. Eu te aconselho a pedir uma massagem corporal completa com algum óleo legal( semente de uva). E depois você come ela. Se o sexo for ruim pelo menos ganhou uma massagem. Aprender como ser uma garota pela primeira vez será inestimável para você. Ou seja, você precisa seguir algumas dicas de alguém que realmente sabe o que as garotas querem ouvir. Porque, por mais que você ache que seu pau fica ótimo em uma tela, as meninas não querem ver isso e dar-lhe uma cara feia vai fazer com que ela queira ficar ...

Sou babaca por me apaixonar pelo crush da minha melhor amiga???

2020.08.27 23:21 _Suh_55 Sou babaca por me apaixonar pelo crush da minha melhor amiga???

Olá Luba,editores,plantas e papelões e possíveis convidados,hoje estou fazendo minha primeira historia e quero saber se sou a babaca ou não.
Bem,tenho uma melhor amiga desde infância e desde que nascemos ,vamos chama-la de "a loirinha" ,e bem com o tempo eu tinhamos nos esquecido uma da outra (pois éramos crianças) então um dia minha mãe mostrou uma foto minha com a loirinha e eu decidi conversa com a mesma no outro dia na escola ,e desde então nos tornamos amigas denovo e por ai ficamos best friends ate o 7° ano ,ate que um dia a loirinha me convidou para sair pra vender trufas e empadinhas com os amigos dela,então ok ate ai td bem aceitei ir ,depois da escola fui pra casa,me troquei e minha amiga chegou em minha casa para me buscar (estava de noite,acho q umas 19:00) e eu vi um garoto lindooo ,maravilhoso do lado dela !! Vamos chama-lo de "Carls" ,mas ai ela falou "miga esse aq é meu mariduuu ,minha propriedade nao toque nele ;)" e o abraçou ,na hora me apaixonei.Depois disso td no outro dia na escola ficamos amigos eu,a loirinha e o carls ,mas eu ficava mal pra krl ver os 2 juntos e eles na vdd nao namoravam nem nada ,mas o carls meios q pegava nós 2 quando tinha a oportunidade de ficar com uma de nós 2 a sos ,e nós 2 ficávamos mal pra krl ,pq nós 2 éramos apaixonada pelo mesmo boy ,e toda noite eu e ele mandavamos mensagem um para o outro (o carls e eu) e ele ficava dando em cima de mim como eu dava em cima dele tbm!!,Eu ficava mais apaixonada ainda.Então a loirinha já sabia q eu gostava do carls e eu sentia q ela me odiava por isso ,mas ai td bem passou o tempo ai a loirinha chegou em mim e falou que gostava de outro menino que eu poderia ficar com o carls de boas (GRAVEM BEM ISSO,ELA DEU "PERMISSÃO" PRA EU FICAR COM ELE!!) e estava chegando meu aniversário de 13 anox <3 e a loirinha na casa dela falou pro carls" po ,tive uma ideia ,pra vc da um presente pra Suh,pq vc n pede ela em namoro???" então no outro dia na escola A loirinha juntou eu e o carls e tipo...JEITO SUPER ROMÂNTICO DE SE PEDIR O OUTRO EM NAMO NEEEH???Ele me pediu na quadra da escola durante meu recreio!!e falou tipo "eae quer ficar cmg??" eu fiquei super timida e LOUCA!!nao acreditando no que ouvi e eu aceitei ,claro ,se passou uma semana e chegou o dia do meu aniversário e claro, convidei a loirinha,o carls e mais um garoto q era nosso amigo ,nos divertimos ,então no outro dia quando estava indo pra escola meu amigo (vamos chama-lo de Gabi ) chegou correndo em minha direção todo ofegante falando "SUUH o carls falou q quer terminar contigo!!" eu nao acreditei nele ,claro ,pois o carls sempre me dizia q me amava...quando cheguei no portao da escola ,a loirinha chegou com o carls com a cara de quem sabe q vai da merda ,e eu ouvindo música de boas o carls chegou em minha direção e falou "quero terminar com vc" e eu fiquei em choque ...fiz um puta drama me joguei no chão e fiquei sentada e fiquei chorando ali mesmo...enquanto o carls ia com seus amiguinhos sem o minimo pingo de remorso ...e eu sai correndo feito criança no braços da conselheira da escola e contei td...
Se passou um tempo e a loirinha voltou a ficar com o carls e eu ainda nao tinha superado ele,E ela sabia q ela estar com ele me machucava pra krl ,e sofri com isso durante muito tempo vendo os 2 juntos , o carls me dava bolos quando íamos marcar de ficar juntos pra ficar com a loirinha...E eles me viam chorando e simplesmente me deram as costas e nao tavam nem ligando se aquilo me machucava ou nao ,nunca me perguntaram "Suh vc esta bem com eu e o carls juntos??" ...e o carls sempre ficava nervoso quando eu perguntava oq eles faziam sozinhos...e ele nunca me contava a vdd ,ai se passou mais uns tempinhos e eu e o carls voltamos a namorar mas ai ele me falou "mas ninguém pode saber .." e eu topei já q eu estava "cega" por ele ,passou um tempinho e ele ainda estava com a loirinha e eu ficava super CIUMENTA com aquilo!!!Ate que me cansei e decidi falar pra loirinha "Olha acho q n estou sendo sincera com vc e nem o carls,então vou te falar ,eu e ele estamos namorando escondidos de vc" ai ela ficou puta pra krl cmg e começou a me humilhar na frente da classe inteira(todos estavam olhando) e o professor fez porra NENHUMA!!apenas falou" opa vamos acalmando os animos??" e ela continuou me humilhando falando "garota PQ EU ACREDITARIA EM UM SER TAO FRACO COMO VC??VC N ACEITA NEM UMA VDD NA CARA Q EU E O CARLS GOSTAMOS UM DO OUTRO !!!VC É ASSIM PQ VC É FRACA,VC É UM LIXO!!!" me lembro de cada momento e palavras...e ela amassou um papel e atacou em minha cabeça e disse "lixo no lixo,nem dói né!!!??" Eu corri pro banheiro e fiquei chorando lá....(e pra piorar tenho crises de ansiedade) Então desde então paramos de ser amigas ...mas pensa q acabou?Ai q vem a treta meu caro Lubisco ,contei td pra minha tia q a propósito faz barraco quando é preciso!E OQ A vó da loirinha nao sabia é q a vó e minha tia já tinham brigado uma vez mt feio e minha tia q saiu com razão ,Então a loirinha "parou" de mexer cmg ...mas ela sempre manipulava todos da escola pra se afastar de mim,ate q todos os amigos q eu tinha se afastaram de mim por culpa dela q ela os manipulava espalhando coisas minha q n quero citar... Fiquei como a "louca" da escola ..ela sempre se fazia de vitima para as pessoas e me fazia sair como a vilã ..pras diretora ela dizia q eu roubava os brinquedos dela quando éramos crianças (q era mt mentira isso..)
Desde então não somos mais amigas,mt pelo contrário,todo o amor e carinho q tínhamos uma pela outra virou odio e rancor (viramos rivais) ,mas eu e o carls namoramos por mt tempo desde então quando ele se afastou dela e decidiu ficar cmg ...mas dps de quase 1 ano terminamos por causa de ciumes obsessivo do carls ...mas agr estou com outro boy mt fofo tem os mesmo gostos e personalidade <3 e estamos bem (esse ano ,e fiz 14 anos)
E aqui em casa meus pais e eu somos proibidos de citar o nome dela por acreditamos q trás "briga" pq sempre q falamos o nome dela acabamos brigando.
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2020.08.15 02:12 evangeon A lenda da Garota do Bueiro

Olá Luba, editores, gatas, papelões, e pessoas que estão a ver.
Este é um relato sobre uma noite de bebedeira. (Terceira vez que tento postar)
No ano de 2011, fui em uma excursão para um Congresso de Direito, na cidade de Londrina/PR. Depois da primeira noite do evento, eu e três colegas de curso, que chamarei de Mikaely, Tabata e Wagner, decidimos ir dar um rolê pela cidade. Saímos do alojamento por volta das 22:30h, compramos uma garrafa de Vodka Balalaika, pegamos um táxi e seguimos para o centro da cidade.
Infelizmente, era segunda-feira, e praticamente tudo já estava fechado, e os poucos bares abertos, estavam acima do nosso orçamento. Então, alguém nos indicou um lugar chamado "Balakobako", que disse ser bom e barato. Saímos em busca do tal bar.
As meninas já haviam conseguido um copo com gelo, momento em que tomei a primeira decisão errada da noite: "Vou tomar vodka pura. Quem mal pode fazer?" Como sou fraco para bebida, rapidamente já estava feliz e cantando. Em todo lugar que parávamos pra pedir informações, as pessoas riam de mim, pois já sou retardado por natureza. Imagina bêbado.
Enfim, não achamos o bar, e decidimos voltar a pé para o ponto de táxi e terminar de beber a vodka misturada com um refrigerante que as meninas compraram. Após andar duas quadras, Tabata, que também já estava feliz, pediu carona a um rapaz que dirigia uma Van. Ele, muito gentil, aceitou levar quatro estranhos até o ponto de táxi.
Já no ponto de táxi, fizemos amizade com um dos taxistas, que chamarei de Daniel. Ele disse que deixaria o turno logo mais, e que tinha whisky e energético no carro, e nos convidou para passear pela cidade com ele. Eu relutei de início, pois é certo desconfiar de tanta generosidade, isso enquanto rolava no chão e dizia que não iria. Mas Mikaely me convenceu, pois disse que seria difícil ele sequestrar quatro pessoas. Entramos no carro, e seguimos pelas ruas de Londrina, bebendo e curtindo som. Com os bares fechados, a primeira parada, foi em um tal Parque Igapó. Ali as coisas começaram a sair do controle.
Ao chegar, veio aquela vontade coletiva de urinar. Eu desci do carro já fui me aliviando ali mesmo. Wagner, procurou uma árvore. E Tabata, viu um canto escuro, e adentrou no breu. Só ouvi o estrondo. Foi como o barulho de uma jaca madura quando cai da árvore. Tabata caiu dentro de um dos canais que escorriam as águas da chuva para o lago que tinha no parque. Olhei para os outros e gritei: "Meu Deus, a Janaína caiu!". Os outros, sem entender nada, perguntaram quem era Janaína, e eu disse que era a menina que estava com a gente. Sim, eu havia conhecido Tabata e Wagner naquela noite, e ainda não havia decorado os nomes. Todos riram, pois achávamos que estava tudo bem.
Pouco tempo depois, Daniel nos chamou de volta para o carro, pois Tabata havia se machucado. Quando chegamos, eu que já estava vendo as coisas meio embaçadas, olhei para a perna da menina e disse: "Mano, que buraco enorme na tua perna!". Ela havia batido a canela, e quase dava pra ver o osso. Super tranquila, ela disse pra colocar um band-aid, e tava sussa. Obviamente, por estar anestesiada no álcool.
Daniel colocou todos no carro, e rumamos para o hospital mais próximo. O primeiro era particular, e não atendeu, Tabata por razões óbvias de não termos grana. A menina se desesperou. Chorava e falava que não queria morrer. Então fomos para outro hospital que era público. Wagner, que estava mais centrado, acompanhou Tabata, enquanto os outros aguardavam no estacionamento. Neste momento, Mikaely disse (pois não me lembro desta parte) que eu deitei no chão do estacionamento, disse que o céu estava lindo, e apaguei. Ela gritou para eu ir dormir no carro. Levantei, cheguei perto dela e disse: "Estou muito preocupado com a Viviane." Sim, eu passei a noite inteira chamando Tabata de todos os nomes possíveis, menos o dela. Logo depois, entrei no carro e dormi de novo.
Quando acordei, já estávamos de volta ao rolê, e Tabata já com a perna enfaixada. Foi aí que eu virei o bêbado chato, e briguei com o pessoal, pois estávamos com uma pessoa estranha, bêbados, a menina com a perna machucada, e todos festando como se nada tivesse acontecido. Então Daniel me disse pra relaxar, e nos levou a última parada da noite, um lugar com umas espécies de gazebos iluminados, e umas fontes com uns peixes bem bonitinhos. Ali, mais calmo, conversei com Mikaely e decidimos que já era hora de retornar ao alojamento.
Voltamos umas 05h da manhã. Tabata estava hospedada em um dos quartos do segundo andar. E como ela estava com a perna machucada, ainda subi as escadarias com ela no colo.
Alguns dos universitários tinham passado a noite bebendo e jogando truco no alojamento mesmo. Cumprimentamos os que ainda estava acordados, e fomos dormir. Detalhe, o alojamento era um espaço que nos foi cedido, dentro de um Seminário Palotino.
No outro dia de manhã, o Professor responsável pela excursão, entrou nos alojamentos, e passou o maior sermão, pois quase fomos expulsos pela bagunça que os outros universitários ficaram fazendo. Porém, como nós chegamos da rua já amanhecendo, a maioria das pessoas que não estavam envolvidas, pensaram que fomos nós quatro que tínhamos feito a tal bagunça.
Resultado, passamos a noite fora e levamos a culpa por uma festa que não damos, e Tabata ficou conhecida na faculdade como "A Garota do Bueiro". Mas valeu a pena. Pois apesar de tudo, foi uma noite muito foda.
Desculpem o textão. Abraços! <31
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2020.08.11 05:24 vic_d_d Como essa pandemia destruiu tudo que eu mais amava

Iae pessoa desse sub, tudo em riba ?
Esse é meu primeiro post aqui, então... sla, parece tudo mais estranho pela primeira vez. Acho que como a maioria das pessoas, eu esperava muito desse ano. Formatura, novas amizades, novos lugares, e tudo parecia muito bem no começo do ano. Minha vida escolar estava indo bem, estava em contato com minha família e amigos, minha fé estava forte e tudo me parecia um mar de rosas... é, eu estava feliz. Aí... começou tudo a desmoronar pouco a pouco.
No começo da pandemia, uma familiar minha se envolveu com um cara, infelizmente ele tinha sérios problemas, chegou a nos roubar e ameaçar. Eles terminaram e tudo voltou a se acalmar. Então, minha irmã foi demitida do seu serviço no terceiro mês de experiência, e tenho certeza que aquele foi o trabalho que ela mais gostou. Logo veio a crise, passamos a depender do auxílio, não pagamos algumas contas, o aluguel mal conseguimos pagar metade. Como resultado, minha irmã formou um dívida grande, a dona da casa simplesmente nos mandou embora num prazo de duas semanas para encontrar outro lugar. Mudamos duas vezes, e quase mudamos uma terceira vez, que não deu certo. Agora estamos em uma casa pouco melhor, e parece estar tudo bem.
Retrocedendo um pouco... Bom, no começo do ano eu me aproximei muito de um amigo, ele literalmente era a pessoa que eu mais confiava e gostava de conversar em toda minha vida.
Eu comecei a gostar de uma pessoa, e ele acabou conversando com ela sobre mim. Para minha alegria momentânea, ela disse para ele que gostava de mim. Na mesma hora ele me contou, e eu, no outro dia falei com ela. Ela me disse que não, que não sentia nada por mim, e que tudo foi apenas um blefe. Me senti muito magoado, e isso só aumentou minha dor e baixa auto estima.
Meu amigo, mais a frente, se envolveu com uma garota, ela acabou se envolvendo comigo, e tudo desandou. Ele se afastou de todos nós, e mesmo na hora eu não entendendo, eu me sinto muito culpado por tudo que aconteceu. Nem sei se tenho coragem de lhe pedir desculpas.
Passou certo tempo. Eu e ela ficamos mais íntimos que nunca. Eu mudei minha personalidade, tentei mudar meu jeito de ser para ela, sacrifiquei tudo que eu podia, fiz o máximo para agradar e mostrar o quanto eu a amava. Por certo tempo, eu achei que era suficiente. Até um dia, ela me dizer que não sentia nada verdadeiro por mim, que eu não passava de seu "melhor amigo", e que só disse que me amava porque estava confusa, e pra não me magoar. Ali eu me destruí, eu me senti como um mero brinquedo, algo que vale menos que lixo. Agora, eu sinto que eu estou muito pior, me sinto o próprio lixo. Comecei a errar na minha fé, com meus amigos e familiares. Não gosto mais de sair na rua, não tenho mais forças para continuar na minha fé.
Mesmo tendo pessoas que sei que me amam, eu sinto que a qualquer momento eu vou afastar eles de mim. Me sinto fraco, incapaz e um completo idiota. Ja me machucaram tanto, e eu já fui tão forte para suportar isso. Mas agora, agora eu sinto que vou quebrar a qualquer momento. As aulas voltaram, eu apenas faço as com data de pendência. Mal consigo pensar em escola ou estudo, mesmo querendo aprender, já imagino que não vou passar de ano.
Eu não consigo terminar as coisas que começo, e isso me dói muito. Eu só queria dizer isso para alguém, e queria muito ter alguém do meu lado. As vezes só queria abraçar alguém e chorar, chorar até meu olhos doerem, chorar até toda essa dor passar. Desculpe o texto longo, imagino que poucas pessoas vão ler toda essa porcaria de desabafo idiota. Perdão qualquer coisa, boa noite.
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2020.08.10 00:26 claudiocastagnoli Será que coloquei tudo a perder?

Olá amigos, espero que tenham tido um ótimo domingo e um dia dos pais tranquilo. Venho aqui hoje para pedir uma opinião a respeito de algo que vem me deixando muito angustiado. Contextualizando, tenho 24 anos de idade, sou homem, moro há 10 meses sozinho em uma cidade que não é a minha de origem e que ainda conheço pouca gente. Pra entender os conceitos e causas do que vou contar, é preciso contextualizar a minha situação enquanto ser humano. Eu sempre fui obeso, desde a adolescência. Por mais que isso teve um impacto sobre mim durante toda a minha vida até aqui, eu nunca sofri muito em relação a ações de outras pessoas, como bullying. Acredito que pelo fato de ser bem alto, o que disfarça um pouco os 40kgs acima do peso em que cheguei no segundo mês de quarentena. O fato de ser obeso fez com que eu me tornasse uma pessoa muito tímida, desenvolvesse fobia social e fizesse com que eu não tivesse uma iniciação amorosa, digamos assim, como a maioria das pessoas. Beijei pela primeira vez aos 19 anos de idade, perdi a virgindade aos 22, etc. Eu nunca passei pelo processo de conquista nessas situações, sempre foi algo combinado antes e mecânico, utilizando geralmente o Tinder com um perfil anônimo procurando sexo. O motivo é simples, me sinto muito inseguro e tímido para desenvolver uma relação normal com uma pessoa nesse sentido, fico muito nervoso e quando tentei, diversas coisas aconteceram, como me dar um branco terrível e eu perder todo e qualquer assunto que eu teria com uma pessoa que eu conversava quase todos os dias pela internet. Eu sou uma boa pessoa, sou uma pessoa criativa, carinhosa, atenciosa, eu modéstia parte sempre agradei as poucas meninas que chegaram a ficar comigo, pq sempre pesquisei e estudei muito sobre o que fazer pra satisfazer uma pessoa da melhor maneira possível. Uma dessas garotas, das 3 que ficaram comigo na vida, foi inclusive o mais próximo que tive de um relacionamento, que só não rendeu pq me mudei de cidade na época. Eu nunca fiquei com ninguém, no sentido de sair com uma pessoa e durante esse encontro desenvolver uma atração e terminar o encontro com um beijo ou uma noite juntos. Isso me doía, mas agora anda doendo mais, e explico o motivo.
Logo ao me mudar para esta cidade no último ano, conheci uma garota maravilhosa. Sei o quanto isso pode parecer clichê, mas eu nunca conheci ninguém igual a ela. E só de pensar na personalidade, em todo o carinho que ela me entregou desde o início, eu me emociono enquanto escrevo meu relato. O fato é que do início de 2020 pra cá nos aproximamos MUITO, mas acabamos conseguindo sair apenas duas vezes antes da quarentena começar. Foram dois rolês incríveis que me lembro sempre com certa nostalgia. Depois desse segundo rolê, começamos a nos aproximar de maneira afetiva, e é aí que minha insegurança e inexperiência começa a afetar tudo. Estávamos muito próximos, falávamos de coisas que queríamos fazer, éramos muito carinhosos um com o outro, ela foi a primeira a dizer que me amava, o que me deixou muito feliz. Estávamos muito bem, mas eu estava com medo de estar entendendo as coisas da forma errada, e como já havia sofrido com isso antes, resolvi perguntar. Resumindo, ela disse que se interessava em ter uma amizade colorida comigo. Eu disse que tudo bem, eu também queria isso (por mais que por dentro já soubesse que estava apaixonado). Depois dessa nossa conversa, conversamos posteriormente mais uma vez sobre isso, confirmando o nosso status, mas com o tempo deu uma leve esfriada, o que é normal devido à quarentena. Mas a minha mente insegura ficava sempre buscando confirmações, e sei que isso pode ter afastado ela. Marcamos um encontro em minha casa nas últimas semanas, depois de ficarmos afastados desde março. Eu fiquei MUITO empolgado, fiz de tudo pra recebê-la da melhor maneira possível, deixei minha casa arrumada, cheirosa, comprei uma roupa nova pra usar, fui ao barbeiro, usei meu melhor perfume e recebi ela. Bom, foi muito legal, fizemos várias coisas, mas não rolou nada. Mesmo com ela dando um sinal com um comentário sobre a minha cama logo na chegada. As coisas foram ficando tensas, eu estava tenso, não rolou NADA. E aí volta a questão da inexperiência de nunca ter chegado a essa situação, de ter de criar um clima pras coisas acontecerem, por sempre ter tido apenas relações mecânicas. Ela foi embora depois de passar o dia todo comigo, fiquei frustrado, e como bom inseguro, resolvi comentar com ela na noite do mesmo dia. Disse que achei que iria rolar alguma coisa mas que eu estava um pouco tenso. E ela quebrou meu coração dizendo que não queria mais. Que me ama, mas não quer isso.
Uma semana antes estávamos trocando memes sobre beijo, duas ou três semanas antes estávamos insinuando atos de carinho. Assim que ela chegou na minha casa fez um comentário que soou como um sinal. E ali, ela disse que não queria isso. 🥺 Sei que provavelmente estraguei tudo com minha ineficácia em relação a deixá-la a vontade pra ficar comigo. Nós estamos bem (mas o assunto ficar nunca mais voltou a pauta), já estamos marcando dela vir outra vez nos próximos dias pra comermos algo. Mas agora pergunto a vocês meus amigos e amigas, da forma mais humilde possível: está tudo perdido mesmo? Como posso tentar reverter essa situação?
Obrigado por tudo ❤️
(Obs: estou fazendo terapia pra tratar essas questões pessoais)
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2020.06.15 04:52 altovaliriano Shae (Parte 3)

Uma prostituta aprende a ver o homem, não seu traje, caso contrário acaba morta numa viela.
(ACOK, Tyrion X)
Martin começa a trajetória de Tyrion em A Tormenta de Espadas já estabelecendo o destino de Shae. Tywin e Tyrion estão discutindo sobre a sucessão de Rochedo Casterly quando entram no assunto sobre Alayaya, Tysha e Shae. Curiosamente a pergunta parte do próprio Tywin:
E aquela seguidora de acampamentos no Ramo Verde?
Que importa? – perguntou, sem querer nem mesmo proferir o nome de Shae em sua presença.
Não importa. Não mais do que me importa que elas vivam ou morram.
(ASOS, Tyrion I)
Como sabemos pelo último capítulo, Tywin se importa, sim. Shae aparece no julgamento testemunhando contra Tyrion e falando de estar com ele desde Ramo Verde, um detalhe que dificilmente escaparia a Tywin. Além disso, nesta primeira conversa, o pai de Tyrion completa com uma sentença interessante:
E não tenha ilusões: esta foi a última vez que tolerei que trouxesse vergonha à Casa Lannister. Acabaram-se as putas. A próxima que encontrar em sua cama, vou enforcar.
(ASOS, Tyrion I)
E interessante que Tywin tenha ameado enforcar Shae se a encontra-se na cama de Tyrion, pois, como o verbete sobre Shae na Wiki Gelo e Fogo sinaliza, Tyrion fez exatamente isso com Shae quando a encontra na cama do pai em seu último capítulo do livro.
A primeira vez que vimos Shae foi em um encontro no quarto de Varys, à pedido (e insistência) de Tyrion. O anão havia determinado que usaria este encontro para dar um fim na relação com Shae, em decorrência das ameaças do pai, especialmente depois que Tywin citou explicitamente a “seguidora de acampamentos no Ramo Verde” logo no capítulo anterior.
O encontro parece ser um encontro típico entre os dois, exceto que há nas duas partes desejos ocultos. Tyrion quer tirar Shae da corte e Shae deseja exatamente o contrário. Quando Tyrion aborda o assunto de maneira direta, a garota troca imediatamente de assunto, procurando massagear o ego do anão:
Shae – disse –, querida, esta tem de ser a última vez que ficamos juntos. O perigo é grande demais. Se o senhor meu pai encontrá-la...
Gosto da sua cicatriz. – A moça percorreu-a com um dedo. – Faz com que pareça muito feroz e forte. [...] O senhor nunca será feio aos meus olhos. – Ela beijou a escara que cobria os restos destroçados do seu nariz.
(ASOS, Tyrion II)
Shae insiste em não dar ouvidos a Tyrion durante toda a conversa, se limitando a tentar manipulá-lo a deixar ficar na capital. Toda aquela compaixão pelo novo ferimento adquirido de Tyrion não contém qualquer coerência, porque a garota continua tão inescrupulosa e insensível quanto era em A Fúria dos Reis. Sua maior preocupação ainda são bens materiais e sua falta de empatia por Lollys Stokeworth ainda é gritante:
[…] O senhor vai me devolver agora as joias e as sedas? Perguntei a Varys se ele podia me dá-las quando você foi ferido na batalha, mas ele não quis. Que teria acontecido com elas se tivesse morrido? [...]
Posso ir ao banquete de casamento do rei? A Lollys não quer ir. Disse-lhe que ninguém deverá estuprá-la na sala do trono do rei, mas ela é tão burra.
(ASOS, Tyrion II)
Entretanto, nem tudo é repetição nessas frases arrogantes de Shae. No meio de tudo, há uma pequeno trecho de diálogo de importância futura. Quando Tyrion tenta fazer com que a prostituta compreenda o perigo que Tywin oferece à vida dela, a garota apenas responde “Ele não me assusta”.
Esta simples sentença revela que GRRM estava sutilmente costurando elementos nesta primeira conversa que seriam trazidos de volta novamente na última cena de Tyrion e Shae juntos. Quando a garota o vê nos aposentos do pai, ela se assusta e começa a disparar justificativas. Entre estas justificativas, ela justamente se contradiz dizendo “Por favor. Seu pai assusta-me tanto” (ASOS, Tyrion XI).
Naquele primeiro diálogo, Shae sabia que Tyrion havia perdido seu cargo e, com isso, até mesmo sua permanência como aia de Lollys dependia inteiramente de ela manter seu disfarce. Àquela altura, o anão não tinha mais poderes de lhe arranjar uma nova colocação para ela, e por essa razão a garota sabia que tinha que tentar extrair de Tyrion o máximo que conseguisse.
Com isto em mente, fica claro que GRRM faz da cobrança de promessas antigas uma metáfora visual para Shae tentando segurar Tyrion via dominação sexual. Segundo o próprio Tyrion (ASOS, Tyrion VII), seu pênis era o orgão responsável por fazê-lo agir tolamente frente a manipulação da garota. E é justamente por aí que Shae o está segurando na cena, literalmente:
Não quero sair. O senhor me prometeu que eu voltaria a me mudar para uma mansão depois da batalha. – A boceta dela deu-lhe um pequeno apertão, e ele começou a enrijecer de novo, dentro dela. – Um Lannister sempre paga as suas dívidas, você disse.
(ASOS, Tyrion II)
Ao perceber que não vai conseguir nada por esta via, Shae passa a falar sobre o casamento de Joffrey e elabora um plano para que Tyrion a leve consigo, em troca de favores sexuais durante a festa. Aqui a garota não está mais se valendo da dominância, mas tentando persuadir o anão. Por isso, Shae passa a afagar o órgão sexual ao invés de prendê-lo:
– […] Eu encontraria um lugar em algum canto escuro abaixo do sal, mas sempre que se levantasse para ir à latrina, eu poderia escapulir e ir encontrá-lo. – Envolveu a pica dele nas mãos e afagou-a com suavidade. – Não levaria roupas de baixo sob o vestido, para que o senhor nem precisasse me desatar. – Os dedos dela brincaram com ele, para cima e para baixo. – Ou, se quisesse, podia fazer-lhe isto. – Enfiou-o na boca.
(ASOS, Tyrion II)
Quando Tyrion mostra que está veementemente decidido a que ela não deixá-la ir, Shae se retrai para a cortesia fria. Tyrion está pensando em como concederia facilmente o desejo de Shae, caso o pai não tivesse ameaçado enforcá-la, contrariando o que ele disse em A Fúria dos Reis, sobre o amor por Shae envergonhá-lo:
Se a escolha fosse sua, ela poderia sentar-se a seu lado no banquete de casamento de Joffrey, e dançaria com todos os ursos que quisesse.
(ASOS, Tyrion II)
Eu atribuo essa mudança de postura (de amor proibido envergonhado para amor proibido cauteloso) ao momento de Tyrion, em que ele perdeu todo o prestígio e está tentando se agarrar na única coisa de seu momento glorioso que ainda tem: Shae.
Em verdade, o comportamento de Shae espelha o de Tyrion. Ambos estão tentando arranjar um jeito de manter seu status. O anão também está tentando voltar ao poder pelas vantagens terrenas que ele oferece e não mais para “fazer justiça”. Naquele momento, Tyrion estava sendo a Shae de Tywin, pois está a todo custo tentando reivindicar direitos e reconhecimentos de seu pai.
O surpreendente é que após toda a teimosia de Tyrion, Shae finalmente cede a seu instinto de autopreservação e dá a Tyrion um parágrafo inteiro de resignação e obediência, ao fim do qual Shae apela para o cavalheirismo de Tyrion e lhe arranca uma promessa:
[...] Gostaria de ser a sua senhora, mas não posso. Se fosse, você iria me levar ao banquete. Não importa. Gosto de ser rameira para o senhor, Tyrion. Basta que me mantenha, meu leão, e que me mantenha a salvo.
Manterei – prometeu ele. Tolo, tolo, gritou a sua voz interior. Por que disse isso? Veio aqui para mandá-la embora! Em vez disso, voltou a beijá-la.
(ASOS, Tyrion II)
A prostituta parece entender que o novo momento de Tyrion exige dela uma abordagem diferente. Em suas palavras, de um homem poderoso que poderia desafiar o mundo por ela, ele agora era um cavaleiro que a protegia e resgatava do perigo:
Pensava que o senhor tinha se esquecido de mim. – O vestido dela encontrava-se pendurado em um dente negro quase tão alto quanto ela, e a moça estava em pé dentro das mandíbulas do dragão, nua. […] – O senhor vai me arrancar de dentro das mandíbulas do dragão, eu sei. [...]
Meu gigante – ela ofegou quando a penetrou. – Meu gigante veio me salvar.
(ASOS, Tyrion VII)
Shae veste tão bem a fantasia de donzela que chega a declarar seu amor a Tyrion e Tyrion responde em pensamento. Porém, por alguma ironia do destino, a prostituta estava querendo lhe fazer pensar que ele era um cavaleiro, enquanto o próprio Tyrion queria lhe casar com um cavaleiro de verdade para se ver livre dela:
E eu também a amo, querida. Podia ser uma prostituta, mas merecia mais do que o que ele tinha para dar. Vou casá-la com Sor Tallad. Ele parece ser um homem decente. E alto…
(ASOS, Tyrion VII)
É curioso como este é o único efeito colateral do novo estratagema de Shae. Tyrion fica tão embrigado pela ideia de ser o cavaleiro salvador da garota, que ele tem um momento de desencanto quando a prostituta sequer teme perdê-lo ao saber de seu casamento com Sansa Stark:
[…] Não me importa. Ela é só uma garotinha. Vai deixá-la comuma barrigona e voltar para mim.
Uma parte dele tinha esperado menos indiferença. Tinha esperado, escarneceu amargamente, mas agora sabe como é, anão. Shae é todo o amor que provavelmente terá.
(ASOS, Tyrion IV)
Eu penso que a indiferença de Shae se fundava em ela saber que somente corria perigo se Tyrion arranjasse outra prostituta como amante. Ela estava ciente do quão sexualmente indesejável ele era para a maioria da população de westeros e como ele era complexado com sua aparência e traumatizado com relações amorosas. Portanto, um casamento arranjado com uma jovem nobre donzela realmente não lhe representava perigo algum. Ela até mesmo tenta pedir na frente de Tyrion que Sansa a leve ao casamento de Joffrey, demonstrando que seu objetivo de participar da boa é sua real prioridade.
Porém, não há que se dizer que Shae é uma pessoa desprovidade de sonhos e fantasias. O fato é que esta fantasias não são românticas, mas delírios com mudanças de status social, luxos e riquezas. Quando Sansa a chama para ver uma nuvem no céu que parece um castelo:
É feito de ouro. – Shae tinha cabelos escuros e curtos e olhos ousados. Fazia tudo o que lhe era pedido, mas às vezes dirigia a Sansa os mais insolentes dos olhares. – Um castelo todo feito de ouro, aí está uma coisa que eu gostaria de ver.
(ASOS, Sansa IV)
Ou quando conversava com Sansa sobre Ellaria Sand e a garota apresenta sua versão dos fatos em que Ellaria seria uma espécie de Shae que “deu certo” em razão do relacionamento com Oberyn:
Era quase uma prostituta quando ele a encontrou, senhora – confidenciara a aia – e agora é quase uma princesa.
(ASOS, Sansa IV)
E são suas fantasias por status e luxo que a levam a testemunhar contra Tyrion a pedido de Cersei. O depoimento de Shae acontece logo antes de o anão pedir o julgamento por combate. Dessa forma, tudo o que a garota diz se torna juridicamente irrelevante de uma hora para outra. Essa manobra de Tyrion acaba por fazer com que Cersei se livrasse da obrigação de cumprir sua parte do acordo:
Shae, o nome dela era Shae. A última vez que tinham conversado fora na noite anterior ao julgamento por combate do anão, depois de aquele dornês sorridente ter se oferecido como seu campeão. Shae inquirira acerca de umas joias que Tyrion lhe oferecera, e de certas promessas que Cersei poderia ter feito, uma mansão na cidade e um cavaleiro que a desposasse. A rainha deixara claro que a prostituta não obteria nada até que lhes dissesse para onde fora Sansa Stark.
(AFF, Cersei I)
Interessante notar que o acordo feito por Shae consiste apenas no que Tyrion já tinha em mente em lhe dar.
O depoimento de Shae é uma peça que me chama bastante a atenção. A garota não só conta como Tyrion supostamente teria lhe tomado como amante à força e confidenciado os planos de matar Joffrey durante sua última noite juntos. Shae revela ali, perante Tywin, que era seguidora de acampamento do Ramo Verde:
Nunca quis ser uma prostituta, senhores. Estava noiva. Ele era um escudeiro, um rapaz bom e corajoso, de bom nascimento. Mas o Duende viu-me no Ramo Verde e pôs o rapaz com que meu queria casar na primeira fila da vanguarda, e depois de ele ser morto ordenou aos selvagens que me levassem à sua tenda. Shagga, o grande, e Timett, como olho queimado. Ele disse que se não lhe desse prazer, me entregava a eles, e portanto eu dei. Depois trouxe-me pra cidade, pra ficar por perto quando ele me quisesse. Obrigou-me a fazer coisas tão vergonhosas […]. Ele usou-me de todas as maneiras que há e… costumava me obrigar a dizer como ele era grande. O meu gigante, eu tinha de lhe chamar, o meu gigante de Lannister.
(ASOS, Tyrion X)
Como esta parte do depoimento era completamente desnecessária, eu fico me perguntando se ela foi bolada pela própria Shae, Varys ou Cersei. Sabemos que a garota é capaz de mentir, mas não vimos coisas com este tipo de elaboração. Como Varys é quem estava administrando o disfarce de Shae, fornecendo -lhe até histórias falsas sobre seu passado para que contasse à Tanda Stokeworth, acredito que tenha sido ele quem a orientou a assim depor.
Porém, qualquer seria o objetivo disto? Apenas para ele próprio se safar da acusação de que estava trazendo informações erradas a Cersei, algo que já lhe preocupava (ASOS, Tyrion VII)? Ou Varys queria que o depoimento de Shae chamasse a atenção de Tywin?
De fato, em uma entrevista em 16 de junho de 2014 à Entertainment Weekly, afirmou que a questão entre Varys, Shae, Tyrion e Tywin é algo que ele fará revelações nos próximos livros:
EW: Certo, e há também a questão da surpresa da hipocrisia de Tywin quando ele [Tyrion] a encontra na cama dele. Tywin sabia que ela era uma prostituta [na versão do livro isso não fica claro]? Ou ele simplesmente não ligava?
GRRM: Ah, eu acho que Tywin sabia sobre Shae. Ele provavelmente adivinhou que ela era a seguidora de acampamento que ela havia expressamente dito “você não levará aquela puta para corte”, mas que Tyrion o havia desafiado e levado "aquela puta" à corte. Quanto ao que exatamente ocorreu aqui, é algo sobre o qual não quero falar, porque há aspectos disso que eu não revelei e que serão revelados nos próximos livros. Mas o papel de Varys em tudo isso é algo para se levar em consideração.
Esta entrevista deu fundamentos para que os leitores passassem a acreditar que Varys teria influenciado Tyrion a matar Tywin. Mas, para fins desta análise, nos cabe apenas ver a situação da ótica do que aconteceu com Shae, quem até mesmo pela teoria acima seria um alvo secundário.
Assumindo que Varys tenha orientado Shae a dar este depoimento para chamar a atenção de Tywin, como é que isso a colocaria na Torre da Mão na noite anterior à execução de Tyrion? Sabemos que Cersei mandou Shae embora ás lágrimas na noite entre o depoimento de Shae e o julgamento por combate entre Gregor e Oberyn, então somente depois desta noite é que Shae provavelmente estaria suporte. Caso ela já estivesse sendo sondada por Tywin, dificilmente sairia chorando...
Eu alimento uma teoria que o ponto que fez Tywin se interessar pela garota foi a bajulação que ela confessou fazer a Tyrion. “Meu gigante de Lannister” parece ser o tipo de frase que agradaria um homem como Tywin debaixo dos lençóis. A partir daí, bastaria que Varys fizesse uma sugestão aqui, outra acolá e de repente Tywin já estava pedindo a alguém que enfiasse a menina em seus aposentos na noite seguinte.

Declarações de GRRM sobre Shae

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2020.04.10 08:37 Pomiwl Ninguém Precisa Saber Capítulo 2

II. MUITA COISA MUDOU
A luz da lua banhava, junto das milhares de estrelas que a acompanhavam numa imensidão negra, a copa das árvores da Floresta de Mouneet. Deslizando morro abaixo, por entre árvores e arbustos, uma vasta clareira expandia-se ao centro do local. Diana observava o céu — aquele grande poço de tinta escura, manchado apenas por pintas pontilhadas, com o tom de branco tão puro quanto as asas de um anjo. Algumas nuvens cinzentas voavam acima de sua cabeça, acompanhadas de corujas e corvos que encontravam seu caminho de volta para casa. Era a hora dos predadores atacarem. E, mesmo assim, parecia mais bela do que nunca. A garota tornou a folhear a caderneta que segurava em suas mãos. Apoiava suas costas em uma das pedras que espalhavam-se pela clareira, com tamanhos que variavam com constância. Não era confortável, afinal; mas era o que a natureza a disponibilizara no momento. Estava lá, sozinha, sem rumo, sem caminho. Sem qualquer guia, apenas as estrelas que indicavam o caminho ao distante norte. Ajeitou seus olhos com o dedo indicador, os deslizando por seu nariz até que estivesse na posição adequada, cobrindo suas sobrancelhas ruivas como o seu cabelo, vermelho como ferrugem ou como a chama ardente da pequena lareira que crepitava a sua frente. Esticou as pernas por debaixo do cobertor que carregara de sua barraca até o local, para que ficasse mais próxima de sua única fonte de luz e para que pudesse ler suas anotações antigas. Reluzindo a capa de couro negra, as indicações “este diário pertence a Diana Evolwood”, em auto-relevo. Ela inclinava sua cabeça levemente para frente para que pudesse ler o título de cada dia que passara em sua vida, onde registrara tudo que havia acontecido. Às vezes, gostava de relembrar o tempo quando ainda tinha alguma companhia além de Khan, seu fiel gato, que no momento descansava dentro da barraca. Passava os olhos sobre o título de cada dia do diário. “O dia em que fomos acampar”, “o dia em que fomos ao parque de diversões” eram algumas das diversas memórias que vinham a sua cabeça, vívidas como se houvessem acontecido no dia anterior, apesar dos diversos meses que haviam passado desde que tudo aconteceu. Continuava folheando até que deparou-se com uma página em branco, apenas com um largo título no topo da página amarelada. “O dia em que tudo acabou” diziam as letras marcadas por uma tinta preta que manchou levemente o papel. Rapidamente, tornou-se insegura, como se tivesse sido emergida em pura tensão e horror repentinas, seguidos de alguns soluços breves. Por algum motivo, mesmo relembrando todos os dias daquela vazia página, não esperava a encontrar folheando aleatoriamente a caderneta em busca de algumas memórias agradáveis que a fizesse se sentir um pouco mais segura. O coração da jovem acelerou, e ainda mais lembranças vieram à tona. Dessa vez, não era aquele mesmo bom sentimento de nostalgia ou conforto. Era dor. Dor, angústia e desespero. Seus olhos arregalaram-se e, por mais que tentasse lutar contra aqueles pensamentos, não pôde evitar que algumas lágrimas se acumulassem por detrás de seus óculos. Diana encolheu-se, deixando a caderneta cair no chão, levantando uma poeira momentânea e provocando um curto ruído — o suficiente para despertar Khan, que levantou sua cabeça dentro da barraca. Ao menos, era o que sua silhueta através do tecido da tenda mostrava. Lembrou-se do conselho que recebera há algum tempo. “Deve lutar contra seus traumas, mesmo que pensar neles já seja doloroso.” Inspirando um pouco de ar pelo nariz e fungando, recolheu as lágrimas e ergueu novamente seu corpo contra a pedra. Este era o motivo pelo qual estava lá. Não poderia deixar que tudo fosse em vão. Olhou para o céu novamente, que não havia mudado nem por um instante. Qual era o propósito daquilo tudo? Uma garota de sua idade deveria estar na escola, como qualquer outra adolescente. A escuridão costumava a assustar, mas, após conviver com ela por tanto tempo, passou a se sentir segura emergida em um poço sem fundo, onde nada podia ver além de um abismo de incerteza. Este era seu futuro. “Um abismo de incerteza”. Recuperando seu fôlego, pegou seu diário e limpou sua capa de couro com a outra mão. Agora, era sua mão que estava coberta de poeira. Deixando apenas uma única lágrima cair sobre a folha, leu em voz alta um anexo preso à página — uma passagem de jornal, que exibia a imagem de um garoto que se parecia muito com a própria Diana. — “O desaparecimento de Max Evolwood”. Sua voz estava ainda mais rouca do que antes, e suas pálpebras quase caíram sobre os olhos do peso de várias noites mal dormidas que carregavam. Fitou a clareira onde se encontrava. Assegurou-se de que estavam completamente sozinhos. Catou o primeiro graveto que viu a sua frente e jogou sobre o fogo, fazendo com que resquícios de brasas passadas voassem ao alto por um instante e, em pouco tempo, irrompeu-se em chamas, bem como as demais lenhas. Ajoelhou-se na terra, guiando seu corpo pelos seus braços, que encontraram o zíper que fechava a entrada da barraca. Abriu-o, deixando a claridade da lareira invadir o local, que estava bem mais quente do que o lado de fora. Khan estava lá, encolhido, mas ela mal prestou atenção em seu amigo. Carregando seu cobertor que arrastava-se completamente pelo chão, acumulando certa quantidade de poeira e sujeira — fato com o qual ela não parecia se importar — em sua ponta. Levava a caderneta abaixo de seu braço, coberto por inteiro por uma blusa de manga comprida com um delicado tom de escarlate, roupa que já usava há dias desde que havia deixado Lyrion. O teto da barraca era baixo, fazendo com que ela não pudesse se estabelecer de forma tão confortável mas, definitivamente, era bem melhor do que dormir lá fora. O tecido da tenda era esverdeado, camuflando-se entre as cores da floresta. Quando deitava no chão, podia sentir a grama e as pedras espetando seu corpo, logo abaixo daquela fajuta camada de pano. Mas, mesmo assim, o sono da garota era tanto que ela simplesmente repousou a cabeça sobre um amontoado de roupas velhas — que improvisaram como sendo um travesseiro — e fechou seus olhos, mergulhando em um sono profundo.
As luzes da sirene policial brilhavam sobre a parede branca da sua sala, irrompendo pela larga janela de sua casa com força. Diana havia acabado de acordar — o poderoso som provocado pela viatura parecia não ter perturbado somente à ela, mas a todo o bairro, que se reuniu na frente de sua cara para saber o que houve. Mas, a primeira coisa que notou quando abriu seus olhos foi a cama de Max, seu irmão, estava completamente vazia — os lençóis bagunçados, bem como os travesseiros brancos. A partir daí, já tinha um mal pressentimento sobre o que veria a seguir. Seguiu com os pés descalços até o corredor, provocando um irritante ruído quando abriu a porta. Ainda não estava completamente dispersa, esfregando os olhos com o punho fechado e bocejando. Passou por duas portas — o banheiro e o quarto de seus pais. Caminhou em direção à sala. À medida que se aproximava, começou a escutar algumas palavras soltas, interrompidas por soluços vindos de outra pessoa — sua mãe. — Nós daremos o máximo para encontrarmos Max, mas não garantimos nada — comentou um homem desconhecido, vestido com trajes policiais. Se deparou com dois homens que nunca havia visto na vida sentados nas poltronas da sala de estar, enquanto seus pais estavam sentados no divã. Rachel cobria seu rosto, com os cotovelos apoiados sobre as coxas, deixando escorrer lágrimas por seu antebraço. Ed a consolava, passando a mão por seu pescoço, mas também aparentava estar extremamente preocupado. — Acho melhor darmos um tempo para vocês conversarem. Continuaremos com as perguntas depois — finalizou, suspirando ao perceber a presença de Diana que, apesar de não saber exatamente o que acontecia, tinha suas suspeitas. Rachel levantou o rosto. Seu rosto estava inchado e vermelho, com lágrimas queimando em sua face. Estava claramente fraca, os olhos profundos de uma noite mal dormida. Parecia estar prestes a desmaiar a qualquer instante. Diana nunca havia visto sua mãe desta forma. Ela ainda utilizava seu pijama, molhado por pequenos pontos mais escuros que destacavam-se sobre sua blusa branca. Estava trêmula. Ed parecia tentar disfarçar seu choro, piscando frequentemente para livrar-se de suas lágrimas. Diana nunca entendeu, já que a sua vida inteira foi ensinada que você sempre deve demonstrar seus sentimentos, e que guardar tudo para você te faz mal. De uma forma ou de outra, também estava claro o quão preocupado estava. — Ah, minha filha... Mal conseguiu completar sua frase. O piso da sala, gelado, cobria o corpo da garota como um balde de água fria derramado sobre seus cabelos castanhos. Em pouco tempo, já soube o que havia acontecido. Sentiu como se seu coração parasse e saltasse pela sua boca, talvez em busca de um lugar distante onde não precisasse encarar o que estava por vir. E aquelas mesmas palavras ressoaram à sua cabeça, como um eco distante vindo do fundo dos seus pensamentos, claras como um trauma que carregava, e obscuras como o medo e a desconfiança que sentiu naquele mesmo instante, quando viu a boca de sua mãe repetir lentamente, tremendo os lábios: — Max está desaparecido. Em seguida, desabou-se sobre os braços do marido, que a reconfortou. Rachel, depois de gritar sem êxito por ter sua voz abafada por suas próprias mãos, levantou seu rosto contra a garota novamente. Porém, não era tristeza que expressava. Era raiva. Suas sobrancelhas franzidas e seus dentes cerravam denunciavam suas emoções. — Como pôde deixar que isso acontecesse, Diana? Max era seu irmão. Como não pôde o proteger? — disse ela, a ponto de berrar a qualquer instante. Seu rosto estava vermelho como um tomate. — Diana, como é imprestável. Seu próprio irmão... como pôde deixar que isso acontecesse? Você é a culpada aqui. Você falhou. — completou seu pai, que também a encarava subitamente, com os olhos sedentos. — M-Mas, eu... — ela estava confusa. O que estava acontecendo? Como poderia ser sua culpa? Sua mente carregou-se com um turbilhão de emoções em instantes. Ela havia... falhado? — Sem “mas”, garotinha. Você já tem idade o suficiente para ter consciência sobre seus atos. Você foi inútil. Não conseguiu fazer nada para salvá-lo. Max confiava em você, e agora? Está provavelmente morto. Você sabe que está errada, não ouse negar sua culpa. — se intrometeu o policial, tendo uma estranha energia, como se ele já a conhecesse. Levou a mão direita ao olho direito. Uma lágrima escorria pela sua face. Elevou sua mão esquerda ao olho esquerdo. Uma gota de sangue escarlate vazava de sua bochecha. Era como se uma entidade mexesse com a cabeça de todos ao mesmo tempo. Levantaram-se e foram-se em sua direção, esbanjando a mesma cara séria e de olhos arregalados, como num filme de terror. Se aproximavam lentamente, repetindo críticas ao comportamento de Diana em um tom aterrorizante, como se fossem a atacar. A cada passo que davam em sua direção, a encurralando contra a parede, o ritmo de seu coração também aumentava. Seus olhos demoravam a abrir novamente quando piscava. Não havia caminho. De repente, sentiu algo como um arranhão em sua face, seguido por um forte miado em seu ouvido. Piscou, mas não acordara dentro da sala de sua casa. Ainda estava dentro da barraca, e Khan cutucava seu rosto para que acordasse. Ela resmungou algo sobre ainda estar dormindo, mas ainda assim levantou-se.
Muita coisa havia mudado desde que saíram de Lyrion após a declaração da situação de extremo risco que sofria. Os feixes da luz do sol atravessavam o tecido da barraca. Sentiu o calor irradiar seu rosto em instantes. Seus olhos arderam com a brusca diferença de luminosidade. Catou sua caderneta antes de sair e começou a rabiscar o papel, formando alguns garranchos que, se apertasse bem os olhos, seriam legíveis. Sentiu o cheiro da tinta fresca da caneta quando começou a escrever. “Olá. Faz um tempo desde que não nos falamos, não é? Eu sei que eu meio que te abandonei, mas é que as coisas estiveram me ocupando bastante desde que a gente veio pra cá. Vou tentar te atualizar de tudo que rolou desde então. Depois daquela tarde em que nós colocamos o rádio para funcionar pela primeira vez, nós começamos a arrumar umas malas (aparentemente, não coloquei roupas o suficiente, já que to usando a mesma roupa há alguns dias). No dia seguinte, nós fomos em uma loja no centro da cidade que costumava vender equipamentos para acampar. Espero que me perdoe, mãe, mas nós meio que levamos algumas coisas sem pagar. Era uma situação de vida ou morte, tá legal? Um azar que eu não peguei uma daquelas barracas super chiques com espaço para oito pessoas. A essa altura, a que pegamos já tá toda rasgada. Triste. Nós decidimos vir para a Floresta de Mouneet, onde a gente costumava vir para passar alguns finais de semana. Era legal. Estamos estabelecidos nessa clareira há alguns dias. O alimento ainda tá meio longe de acabar, mas nós já estamos providenciando mais. Lembro de algumas frutinhas comestíveis que nós provávamos quando vínhamos acampar. Bons momentos.” A partir daí, sua caneta começou a falhar. Pegou a caderneta e a arremessou de volta para dentro da barraca. Estava mal-humorada. Calçou suas botas jogadas ao canto. Seu couro estava quase mofado e seu interior estava úmido — mas era melhor do que nada. Estava partindo em direção a um lago próximo da clareira, onde poderiam fazer sua higiene pessoal. Não negava que era uma situação completamente diferente de qualquer outra que já esteve. Era garota criada em apartamento, vida perfeita, família feliz. Mas estava disposta a fazer qualquer coisa se seu irmão dependesse de si. E era nessa situação em se encontrava. Então, enquanto não encontrasse seu irmão... Continuaria escovando seus dentes com a água do lago. Khan a seguiu, adentrando o mato. Suas patas estavam cobertas por uma mistura de lama com folhas secas. Era nojento. Cada vez mais, se aproximavam da grande concentração de água. O ar que respiravam era diferente do da cidade — era puro, leve, como se fosse libertador. Além das árvores, já podia ver o grande espelho d’água refletindo a margem do lago. Um milagre da natureza, de beleza indescritível. Uma família de patos cambaleavam até a borda, preparando-se para molharem suas penas. A mãe ia na frente, enquanto os sete pequenininhos oscilavam seus passos em uma fila. Era de longe a coisa mais bonita que já havia presenciado. Estampava essa emoção com sua boca aberta, mas ainda mostrando os dentes, sorrindo. Porém, algo lhe chamou a atenção. Algo se mexia por detrás dos arbustos, da onde saíam guinchos e choros. O barulho a causou comoção, que procurou saber da onde vinha. — Khan! Tá ouvindo isso? — ela deu um breve silêncio para que pudesse ouvir melhor. O som do vento chacoalhando os galhos das árvores a trouxe paz. O choro se repetiu. — Vamos! O gato pulou em meio ao amontoado de plantas e raízes, abrindo um rombo entre as folhas com suas garras. Diana impressionou-se com sua capacidade. Em meio às folhas caídas, surgiu o oitavo patinho perdido, que continuou a chorar. Algumas gotas de chuva começaram a cair contra o chão, levantando a lama que repousava, endurecida, sob seus pés. Seu coração se amoleceu ao ver que tinha sua pata presa à uma das raízes da planta, que parecia o machucar com força a cada movimento que fazia. Ele a encarava como se implorasse por socorro, mas ainda assustado com a presença dos dois. As gotas de água começaram a se tornar cada vez mais frequentes. — Ah, coitadinho... — ela acariciou sua cabeça com o dedo indicador, sentindo as penas amarelas como a gema do ovo em suas mãos. Seu bico achatado e rosado abria uma hora ou outra para continuar guinchando de dor. — calma, calma. Khan, você não pode cortar a raiz com sua garra. Vai acabar machucando ele. Vem, fica aqui bem atrás de mim. Eu tenho algo melhor para ajudá-lo. Do seu bolso de trás, catou a caneta que esquecera de jogar de volta à barraca quando começou a falhar. Com cuidado, a encravou entre a raiz e a patinha do animal, e começou a puxá-la para trás, lentamente rompendo as fibras. Finalmente, a raiz se partiu no meio, lançando uma seiva amarelada para toda a parte e quebrando o acrílico da caneta. Agora sim precisaria de uma nova. Sua camisa estava completamente ensopada e pesada, enquanto os pelos de Khan estavam caídos com a água. Ela catou o filhote em seus braços, o confortando e envolvendo seu machucado com uma parte de sua blusa para estancar um pequeno sangramento que se surgiu. Tomando cuidado com seus passos, o carregou até perto da sua mãe, que parecia mesmo procurar por algo enquanto os filhotes de refrescavam na água. Ela grasnou e chorou, até que Diana adentrou a clareira que cercava o lago, com Khan colado à sua perna. Um forte vento acompanhou as gotas de chuva, que começaram a atingi-los quase que na horizontal. Pelo amontoado de árvores e arbustos, pode ver além da clareira sua barraca, que chacoalhava fortemente. O pequeno pato alegrou-se em ver sua mãe. Com seu pequeno conhecimento sobre a lógica animal, não se aproximou da mãe, pois poderia a encarar como uma ameaça; apenas o deixou ao chão e, derrapando por não conseguir utilizar uma de suas pernas, voltou para sua família. — Sabe, Khan... — ela finalmente desviou o olhar do grupo de animais, que continuavam a se banhar no lago, felizes — acho que eu gosto de ajudar as pessoas. Nesse pequeno tempo... eu não pensei em Max, ou em meus pais em momento algum. Eu costumava só me preocupar com isso. Eu até sonhei com eles. Mas, eu não me sinto preocupada, ao mesmo tempo que eu acho que deveria estar, e... O companheiro olhava diretamente em seus olhos. Ele, geralmente, não gostava de estar sujo, mas não parecia se incomodar nem um pouco naquele momento. — Acho que é isso. — O olhar de Khan demonstrava sua confusão, mas ao mesmo tempo uma leve curiosidade. — É isso que eu quero fazer. Ajudar as pessoas. Ele abriu um longo sorriso e ronronou. — Mas... é hora de voltar à realidade. Olhando em volta, ela podia ver um pedaço danificado da barraca, carregado e destruída pela chuva. Ela se aproximou e segurou o grande pedaço de lona rasgada e suja de lama, presa a um grande tronco de árvore, cortado pela metade. O tecido era azul, e se desfazia quando Diana esfregava seus dedos entre o pano. Agarrado a ele, sua caderneta, completamente ensopada e suja. Pelo menos, isso conseguiu ser salvo. — Acho que teremos de achar outro lugar para dormir... Ela continuava examinando os pedaços arrancados da barraca, enquanto o pequeno gato olhava à sua volta. Tentou livrar-se com sua pata de algumas folhas que grudaram-se ao seu corpo com a aderência da lama já seca, que permanecia endurecendo seu pelo, cinza como as nuvens que pairavam o céu, e que ainda descarregavam uma massiva quantidade de água. Caminhou ao redor, desviando de pequenas plantas que nasciam por entre a terra, constantemente recebendo umidade daquele clima extremamente chuvoso. Subiu em uma grande pedra, que se alongava até as proximidades do lago. Já em sua ponta dura e afiada, Khan avistou, do outro lado do grande espelho d’água, uma pequena casa de madeira, iluminada pelo sol que ainda escalava dificilmente o céu, erguendo seu brilho em direção ao meio-dia. Parecia um lugar caloroso na percepção limitada do gato. Diana, acompanhando o amigo com o olhar, enxergou também a casa, onde poderiam pedir abrigo. Ela se sentou. Suas pernas ainda estavam cansadas e em constante dor. Seu coração permanecia acelerado. A menina observou o chão, onde algumas flores pareciam sofrer as reações do fim do outono e a chegada do inverno. Era uma rosa — um pouco desbotada, mas era como um símbolo de resistência. Ela arrancou a flor da terra, tomando cuidado para não se furar com os espinhos — ela deslizou para fora da lama lubrificada sem insistência. Ergueu suas pétalas. Seu rosto ficou lívido quando percebeu um pequeno detalhe, que a fez largar a rosa no chão — ela rapidamente se desfez em poeira. O caule estava cinzento. — Khan... — ela se afastou o mais rápido que pôde da flor que, no momento que tocou o chão, fez com que a pouca grama à sua volta também se tornasse cinzenta e podre. O forte cheiro de estrume também incomodou o olfato de Diana. — precisamos ir... rápido! O felino saltou do topo da grande pedra até o chão, caindo de pé. Parecia confuso, mas não hesitava em seguir sua fiel companheira. Deixou todos os seus pertences para trás, conseguindo levar consigo apenas sua caderneta, em que registrava cada dia que passava. Suas pegadas foram deixadas pela última vez naquela lama, que nunca mais seria tocada por uma alma viva. Estava trêmula, assustada. Em um segundo, todos os seus sentimentos de preocupação e ansiedade voltaram ao seu corpo, um por um. A assassina havia os alcançado.
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2020.03.28 03:40 altovaliriano A Grande Conspiração Nortenha - Parte 5

Texto original: https://zincpiccalilli.tumblr.com/post/53134866390
Autores: Vários usuários do Forum of Ice and Fire, mas compilado por Yaede.
Índices de partes traduzidas: Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4, Parte 5, Parte 6

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Novamente, eu ergo montanhas sobre montículos nesta parte e na próxima, presumindo que tudo o que fazem os homens do norte em Winterfell, especialmente Lorde Manderly, é suspeito.

O Norte: Homens Stark

Wyman Manderly, um Operador Sutil

Anteriormente, eu teorizei que Manderly poderia saber sobre Robb ter escolhido Jon para sucedê-lo como Rei do Norte de Robett Glover, que por sua vez ouve as notícias de seu irmão mais velho Galbart, desapareceu no Gargalo com Maege Mormont, ambos testemunhas do decreto de Robb (ASOS, Catelyn V). No entanto, Manderly jurou se declarar por Stannis caso Davos traga Rickon e Cão Felpudo de volta de Skagos? Rickon não seria redundante se Manderly pretendesse reconhecer Jon como seu rei?
A promessa de Manderly a Davos não é tão hermética quanto parece, para começar.
– [Wex] sabe para onde [Osha e Rickon] foram – Lorde Wyman disse.
Davos entendeu.
– Você quer o menino.
– Roose Bolton tem a filha de Lorde Eddard. Para impedi-lo, Porto Branco precisa ter o filho de Ned... e o lobo gigante. O lobo provará que o menino é quem dizemos que é, se Forte do Pavor tentar negar. Este é meu prêmio, Lorde Davos. Contrabandeie-me meu senhor suserano, e eu tomarei Stannis Baratheon como meu rei.
(ADWD, Davos IV)
Em primeiro lugar, observe que Manderly não especifica Rickon pelo nome, mas diz "suserano", deixando Davos concluir pelo contexto qual dos filhos de Ned ele quer dizer. Mesmo que ele não saiba nada sobre Jon, ele fica sabendo por Wex que Bran também sobreviveu ao saque de Winterfell. Sendo irmão mais novo, Rickon não pode ser Lorde de Winterfell antes de Bran, que não é desqualificado por sua deficiência (ou ser uma árvore!) E, até onde sabemos, não abdicou ou morreu. Então, com essas complicações, quem é o suserano de Manderly?
Em segundo lugar, Manderly não fala em nome de Porto Branco, mas em seu próprio nome. O que acontecerá com seu acordo com Davos, que não foi jurado aos deuses antigos ou aos novos, se Manderly morrer e seu filho, Wylis, o suceder como senhor? Manderly deliberadamente provoca os Freys em Winterfell às vias de fato durante o último POV de Theon. Sobre a morte de Pequeno Walder, ele comenta: “Embora talvez isso tenha sido uma bênção. Se vivesse, teria crescido para ser um Frey”. Especula-se que Manderly não espera voltar de Winterfell vivo, assim como os homens do clã que marcham com Stannis preferem morrer banhados em sangue Bolton do que para as adversidades do inverno (ADWD, O Prêmio do Rei). A palavra que Lorde Wyman deu a Davos, sobre a qual Wylis pode negar conhecimento com sinceridade, é nula e sem efeito?
O Norte está prestes a enfrentar o pior inverno de muitas gerações, com um gelado apocalipse zumbi pra completar, após a morte de milhares de homens na Guerra dos Cinco Reis, fortalezas e colheitas arruinadas pela ocupação inimiga, sem expectativas de ajuda do Trono de Ferro, absortos como os sulistas estão em seus jogos de poder. Não é hora para os garotos-senhores, que são a ruína de qualquer casa, mesmo segundo Roose Bolton (ADWD, Fedor III). No entanto, se Jon for rei, certamente não faria mal para ele ter um herdeiro, já que é improvável que ele traga o seu próprio, pois jurou não tomar esposa ou ter filhos.
Manderly é capaz de tais truques? De tal traição? Todo o incidente das tortas de Frey sugere isso, em minha opinião.
[Davos] esperava ouvir Lorde Wyman falar, E agora eu me declaro pelo Rei Stannis, mas, em vez disso, o homem gordo sorriu um estranho sorriso cintilante e disse:
– Agora tenho um casamento para assistir. Sou gordo demais para subir em um cavalo, como qualquer homem com olhos pode ver claramente. [...]. Meu corpo tornou-se uma prisão mais lúgubre do que a Toca do Lobo. Mesmo assim, preciso ir para Winterfell. Roose Bolton me quer de joelhos, e sob o veludo da cortesia mostra a cota de malha de ferro. Preciso ir de barcaça e de liteira, cercado por uma centena de cavaleiros e por meus bons amigos das Gêmeas. Os Frey vieram pelo mar. Não têm cavalos com eles, então devo presentear cada um deles com um palafrém como presente de convidado. Os anfitriões ainda dão presentes de convidados no Sul?
– Alguns dão, meu senhor. No dia da partida dos convidados.
– Talvez você entenda, então.
(ADWD, Davos IV)
Manderly não tem escrúpulos em observar cuidadosamente a literalidade das leis da hospitalidade, mas violar seu espírito. Ele faz gestos amigáveis aos Freys e os mata assim que seus presentes de convidado o libertam de suas obrigações de anfitrião.
O Senhor de Porto Branco fornecera a comida e a bebida, [...]. Os convidados do casamento se fartaram em [...] três grandes tortas de casamento [...]. Ramsay cortou as fatias com sua cimitarra, e Wyman Manderly serviu pessoalmente, oferecendo as primeiras porções fumegantes para Roose Bolton e sua gorda esposa Frey, as seguintes para Sor Hosteen e Sor Aenys, filhos de Walder Frey.
– A melhor torta que já provaram, meus senhores – o gordo senhor declarou. – Empurrem tudo para baixo com um dourado da Árvore e apreciem cada pedaço. Eu sei que vou.
Fiel à sua palavra, Manderly devorou seis porções, duas de cada uma das três tortas […]
O Senhor de Porto Branco era a imagem perfeita do gordo feliz, gargalhando, sorrindo, brincando com os outros senhores e batendo em suas costas, pedindo aos músicos esta ou aquela canção.
– Nos dê A noite que terminou, cantor – gritou. – A noiva gostará desta, eu sei. Ou cante para nós os feitos do bravo jovem Danny Flint, e nos faça chorar. – Ao olhá-lo, era possível pensar que era ele o recém-casado.
– Está bêbado – disse Theon. [...] Lorde Manderly estava tão bêbado que pediu quatro homens fortes para ajudá-lo a sair do salão.
– Devíamos ouvir uma canção sobre o Rato Cozinheiro – ele murmurou, enquanto passava cambaleando por Theon, apoiado em seus cavaleiros. – Cantor, dê-nos uma canção sobre o Rato Cozinheiro.
(ADWD, O Príncipe de Winterfell)
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O Cozinheiro Ratazana tinha feito com o filho do rei ândalo um grande empadão com cebolas, cenouras, cogumelos, montes de pimenta e sal, uma fatia de bacon e um escuro vinho tinto de Dorne. Depois, serviu-o ao pai dele, que elogiou o sabor e pediu para repetir. Mais tarde, os deuses transformaram o cozinheiro numa monstruosa ratazana branca que só podia comer os próprios filhos. Desde então, vagueava por Fortenoite, devorando os filhos, mas sua fome ainda não estava saciada.
– Não foi por assassinato que os deuses o amaldiçoaram – dizia a Velha Ama – nem por servir ao rei ândalo o filho num empadão. Um homem tem direito à vingança. Mas matou um hóspede sob o seu teto, e isso os deuses não podem perdoar.
(ASOS, Bran IV)
No banquete de casamento, Manderly zomba maliciosamente de seus inimigos bem diante de suas caras, brincando com a ignorância do que ele fez. Além disso, ao fornecer a comida e a bebida, Lorde Wyman garante que ele e seus co-conspiradores não violem o direito de hóspede, que é uma forma de confiança mútua entre anfitrião e hóspede. De qualquer forma, ele tem alguma margem de manobra, porque provavelmente ainda considera Winterfell a casa dos Starks. Os deuses não puniriam mais intensamente Manderly por matar Boltons e Freys do que a Roose por enforcar as duas dúzias de posseiros encontrados no castelo, quando ali chegaram (ADWD, O Príncipe de Winterfell).
No entanto, o subterfúgio de Manderly não para por aí. Ele faz conluio com Mance Rayder e suas esposas de lança. Eles se encontraram na estrada, e Mance diz a Manderly que ele procura um caminho para Winterfell para roubar a noiva de Ramsay em nome de Jon Snow, o irmão dela. Sendo os vassalos mais meridionais dos Stark, tanto geográfica quanto historicamente, os Manderlys não sofrem tanto com ataques selvagens quanto, por exemplo, os Umbers e estariam melhor dispostos a ter o Povo Livre como aliados.
Perto do palanque, Abel arranhava seu alaúde e cantava Belas donzelas do verão. Ele se chama de bardo. Na verdade, é mais um cafetão. Lorde Manderly trouxera músicos de Porto Branco, mas nenhum era cantor, então, quando Abel apareceu nos portões com um alaúde e seis mulheres, fora mais do que bem-vindo.
(ADWD, O Príncipe de Winterfell)
Que coincidência que Lorde Manderly, que sempre pensa em tudo, não trouxe cantores para as festividades! Estranho, porque no banquete da colheita em Winterfell, alguns livros atrás, ele tem músicos e um cantor em sua procissão, com um malabarista para completar.
Os músicos de Lorde Wyman tocavam com bravura e bem, mas a harpa, a rabeca e a trompa foram em breve afogadas por uma maré de conversas e risos, o tinir de taças e pratos, e os rosnados de cães que lutavam pelos restos. O cantor cantava boas canções, Lanças de Ferro, O Incêndio dos Navios e O Urso e a Bela Donzela, mas só Hodor parecia estar ouvindo. [...]
(ACOK, Bran III)
Eu não acredito em tais coincidências. Manderly – que já decidiu assassinar Jared, Symond e Rhaegar Frey no momento em que conversa com Davos – provavelmente planeja prepará-los em tortas, servi-los aos seus parentes e pedir uma música sobre o Rato Cozinheiro. O que – a menos que ele queira cantar a música – exigiria um ou dois bardos.
Mance não é o único em Winterfell com quem Manderly tem um acordo prévio. Antes do mesmo banquete da colheita, Manderly levanta a idéia de construir uma frota de navios de guerra para Bran, Ser Rodrik e Meistre Luwin.
Além de uma casa de cunhagem, Lorde Manderly também propôs construir uma frota de guerra para Robb.
– Há centenas de anos que não temos força no mar, desde que Brandon, o Incendiário, tocou fogo nos navios do pai. Concedam-me o ouro necessário, e ainda este ano porei para flutuar galés em número suficiente para tomar tanto Pedra do Dragão como Porto Real.
(ACOK, Bran II)
Sor Rodrik e Meistre Luwin não se comprometem inicialmente, prometendo apenas conversar com Robb sobre o assunto, mas Sor Rodrik logo tem uma idéia.
Hother [Umber, Terror das Rameiras] queria navios. [...]
Sor Rodrik puxou as suíças:
– Vocês têm florestas de pinheiros altos e velhos carvalhos. Lorde Manderly tem construtores navais e marinheiros com fartura. Juntos, deveriam ser capazes de pôr na água dracares em número suficiente para defender as costas de ambos.
– Manderly? – Mors Umber [Papa Corvos] fungou. – Esse grande saco bamboleante de banha? [...]
– Ele é gordo – admitiu Sor Rodrik –, mas não é bobo. Irá trabalhar com ele, caso contrário o rei ficará sabendo o por quê. E , para espanto de Bran, os truculentos Umber concordaram em fazer o que ele ordenava, embora não sem resmungos.
(ACOK, Bran II)
Em A Dança dos Dragões, a frota está construída.
Passo do Castelo era uma rua com degraus, um largo caminho de pedra branca que levava da Toca do Lobo, pela água, até Castelo Novo, em sua colina. Sereias de mármore, com vasilhames de óleo de baleia queimando aninhados nos braços, iluminavam o percurso enquanto Davos subia. Quando alcançou o topo, virou-se para olhar para trás. De onde estava, podia ver os portos. Ambos. Atrás do quebra-mar, o porto interno estava repleto de galés de guerra. Davos contou vinte e três. Lorde Wyman era gordo, mas não era negligente, ao que parecia.
(ADWD, Davos II)
E não há a menor sugestão de que Roose saiba alguma coisa sobre isso. Ou seja, Terror das Rameiras ainda não lhe disse: “Fico pensando o que o Lorde Lampréia fez com toda a madeira que cortamos para ele. Deveríamos ter construído galés de guerra juntos”. Uma explicação seria que, apesar de Terror das Rameiras ter tomado partido dos Boltons e Papa Corvos o de Stannis, os Umbers ainda estão de fato trabalhando com Manderly.
Uma vez em Winterfell, Manderly tem nova oportunidade de conspirar.
[Roose:] "Alguém está matando meus homens." [...]
– Temos que olhar para Manderly – murmurou Sor Aeny s Frey. – Lorde Wyman não tem amor por nenhum de nós.
[Roger] Ryswell não estava convencido.
– Ele, no entanto, ama seus bifes, costelas e tortas de carne. Rondar o castelo na escuridão exigiria que deixasse a mesa. O único momento em que faz isso é quando procura a latrina para uma de suas longas horas agachado.
– Não afirmo que Lorde Wyman agiu por conta.
(ADWD, Um fantasma em Winterfell)
Ah- ha! Lord Manderly tem feito reuniões secretas pró-Stark sob o disfarce de visitar a privada? XD
Bem, talvez não (risadas). Falando sério, nessa mesma cena, Frey ressalta que Manderly chegou a Winterfell com trezentos homens, um terço dos quais são cavaleiros. Ele pode empregar seus funcionários de confiança para passar mensagens, bem como usar suas conexões já estabelecidas com os selvagens e os Umbers (embora os primeiros tenham quase certeza de ter segundas intenções). A lista completa de Casas que compareceram ao casamento, excluindo-se a Senhora Dustin e seu séquito, é a seguinte:
Estandartes estavam pendurados nas torres quadradas, batendo com o vento; o homem esfolado de Forte do Pavor, o machado de batalha dos Cerwyn, os pinheiros dos Tallhart, o tritão dos Manderly, as chaves cruzadas do velho Lorde Locke, o gigante dos Umber, a mão de pedra dos Flint e o alce dos Hornwood. Dos Stout, listras bifurcadas castanhoavermelhadas e douradas; dos Slate, um campo cinza com duas bordas estreitas brancas. Quatro cabeças de cavalo proclamavam os quatro Ryswell dos Regatos; uma cinza, uma negra, uma dourada e uma marrom. A brincadeira era que os Ryswell não conseguiam concordar nem sobre as cores de suas armas. Acima deles, pairava o veado-e-leão do garoto que se sentava no Trono de Ferro, a milhares de quilômetros de distância.
(ADWD, Fedor III)
Manderly e os Lockes estão em contato desde antes da chegada de Davos em White Harbor. Há um Locke na corte de Manderly, identificável por seu brasão, embora não tenha nome e, portanto, tenha parentesco incerto com Lorde Locke. Esse homem não está contra Roose, mas acha que Ramsay é um psicopata e prefere não vê-lo governar o norte. Mais uma vez, Ramsay é um grande fardo para a Casa Bolton. Um que Manderly e sua facção podem explorar:
[Frey:] Qualquer que seja o nome, ele logo estará casado com Arya Stark. Se você quer ser fiel à promessa, faça aliança com ele, pois ele será o Senhor de Winterfell.
[Wylla:] – Ele jamais será meu senhor! Ele obrigou a Senhora Hornwood a se casar com ele, então a trancou em um calabouço e a fez comer seus dedos.
Um murmúrio tomou conta da Corte do Tritão.
– A donzela diz a verdade – declarou um homem atarracado, em branco e púrpura, cujo manto era preso por um par de chaves de bronze cruzadas. – Roose Bolton é frio e astuto, sim, mas um homem pode lidar com Roose. Todos conhecemos piores. Mas esse filho bastardo dele... dizem que é louco e cruel, um monstro.
(Davos III, ADWD)
Os Hornwoods, é claro, têm boas razões para odiar Ramsay por ter torturado e assassinado sua Senhora viúva. Eles, assim como os Cerwyns e Tallharts, têm outros pontos para acertar com pai e filho, no entanto. Ramsay traiçoeiramente matou seus homens junto com Sor Rodrik no saque a Winterfell. Entre os mortos apresentados a Theon estão o herdeiro de Lord Cerwyn, Cley, e o irmão de lorde Tallhart, Leobald. Como se isso não bastasse, foram novamente homens de Hornwood, Cerwyn e Tallhart que Roose entregou aos Lannisters e Tyrells em Valdocaso. Sor Helman Tallhart, mestre da Praça de Torrhen, foi morto nessa batalha.
Por fim, uma coluna de homens a cavalo apareceu, saída da fumaça que pairava no ar. À cabeça vinha um cavaleiro com uma armadura escura. Seu elmo arredondado brilhava num vermelho lúgubre, e um manto rosa-claro caía de seus ombros. Parou o cavalo junto ao portão principal, e um de seus homens gritou para que o castelo se abrisse.
– São amigos ou inimigos? – berrou-lhes Lorren Negro.
– Traria um inimigo tão bons presentes? – O Elmo Vermelho fez um sinal com a mão, e três cadáveres foram despejados à frente dos portões. Um archote foi brandido por cima dos corpos, para que os defensores no topo das muralhas pudessem ver o rosto dos mortos.
– O velho castelão – disse Lorren Negro.
– Com Leobald Tallhart e Cley Cerwyn – o jovem senhor fora atingido no olho por uma flecha, e Sor Rodrik perdera o braço esquerdo, do cotovelo para baixo.
(Theon VI, ACOK)
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[Varys:] Ontem de madrugada, o nosso bravo Lorde Randyll apanhou Robett Glover nos arredores de Valdocaso e encurralou-o contra o mar. As perdas foram pesadas de ambos os lados, mas no fim os nossos leais homens prevaleceram. Dizem que Sor Helman Tallhart está morto, bem como mais de mil homens. Robett Glover volta a Harrenhal comos sobreviventes, em sangrenta desordem, sem sonhar que irá encontrar atravessados no caminho o valente Sor Gregor e seus bravos.
(Tyrion III, ASOS)
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Os portões de Valdocaso estavam fechados e trancados. [...]Quando a aurora rebentou, os guardas apareceram nos baluartes. Os agricultores subiram para seus carros e sacudiram as rédeas. Brienne também montou […]
Os guardas mandavam as carroças passar quase sem olhar [...] [O capitão] fez um gesto para os guardas. – Deixem-na passar, rapazes. É uma garota.
O portão abria-se para uma praça de mercado, onde aqueles que tinham entrado antes dela descarregavam [...] Outros vendiam armas e armaduras, e muito barato, a julgar pelos preços que gritavam quando ela passava. Os saqueadores chegaram com as gralhas pretas depois de todas as batalhas. [...]Também se arranjava roupa: botas de couro, mantos de peles, sobretudos manchados com rasgões suspeitos. Conhecia muitos dos símbolos. O punho coberto de cota de malha [Glover], o alce [Hornwood], o sol branco [Karstark], o machado de lâmina dupla [Cerwyn], todos eram símbolos do Norte.
(AFFC, Brienne II)
Infelizmente para os Boltons, se os Hornwoods, Cerwyns e Tallharts ainda não perceberam quem é responsável por seus infortúnios, Manderly pode informa-los (e certamente o fará).
Davos tentou se lembrar das histórias que ouvira.
– Winterfell foi capturado por Theon Greyjoy, que fora protegido de Lorde Stark. Ele condenou os dois filhos mais jovens de Stark à morte e colocou suas cabeças sobre as muralhas do castelo. Quando os nortenhos vieram derrubá-lo, passou o castelo inteiro pela espada, até a última criança, antes de ser morto pelo bastardo de Lorde Bolton.
– Não morto – disse Glover. – Capturado e levado para Forte do Pavor. O Bastardo vem esfolando-o.
Lorde Wyman assentiu.
– A história que você ouviu é a que todos nós escutamos, tão cheia de mentiras quanto um pudim de passas. Foi o Bastardo de Bolton quem passou Winterfell pela espada... Ramsay Snow, ele se chamava então, antes do rei menino torná-lo um Bolton. [...], não verdadeiramente, mas pensam que precisamos fingir acreditar, ou morreremos. Roose Bolton mente sobre sua participação no Casamento Vermelho, e seu bastardo mente sobre a queda de Winterfell.
(Davos IV, ADWD)
Até os pequenos habitantes de Porto Real não têm problemas em apontar os culpados por trás do Casamento Vermelho. Não é preciso ser um gênio para descobrir que Roose e Tywin estavam em conluio quando Roose milagrosamente sobreviveu ao massacre nas Gêmeas para ser nomeado Protetor do Norte pelo Trono de Ferro, com uma nova esposa de Frey ao seu lado. E então os Bolton têm a ousadia de trazer dois mil Freys para o norte, hospedando-os em Winterfell.
– Os senhores podem não saber – disse Qyburn –, mas nas tabernas e casas de pasto da cidade, há quem sugira que a coroa pode ter sido de algum modo cúmplice do crime de Lorde Walder.
Os outros conselheiros fitaram-no com incerteza.
– Refere-se ao Casamento Vermelho? – perguntou Aurane Waters.
– Crime? – disse Sor Harys. Pycelle pigarreou ruidosamente. Lorde Gyles tossiu.
– Aqueles pardais são particularmente diretos – preveniu Qyburn. – O Casamento Vermelho foi uma afronta a todas as leis dos deuses e dos homens, ela dizem, e os que tiveram uma participação no caso estão condenados.
(Cersei IV, AFFC)
Manderly provavelmente ouve a verdade sobre o saque de Winterfell via Wex, mas um jovem homem de ferro mudo não é a única testemunha viva do delito de Ramsay. Sobreviventes da batalha que ocorreu do lado de fora dos portões de Winterfell se juntaram à marcha de Stannis (ADWD, Jon VII), possivelmente a mando dos Mormonts. Da mesma forma, Robett Glover é um sobrevivente de Valdocaso e poderia facilmente alegar que Roose fora responsável por essa farsa, haja vista a indiferença deste último pela captura de Bosque Profundo.
No Vau Rubi, o atraso de Roose em atravessar o rio custa ao Norte outros dois mil homens – incluindo Norreys, Lockes e Wylis Manderly, que foram capturados – quando Gregor Clegane o alcança (ASOS, Catelyn VI). Com a traição dos Bolton exposta, Valdocaso e o Vau Rubi parecem repentinamente movimentos calculados da parte de Roose para sangrar seus companheiros nortenhos.
Mais importante ainda, Manderly traz para Winterfell boas novas dos Starks. Qualquer que seja o filho de Ned, Manderly pode fazer a única coisa que Roose sabe que fará as casas do norte o abandonarem em massa.
[Roose to Ramsay:] Parecemos fortes neste momento, sim. Temos amigos poderosos nos Lannister e nos Frey e o apoio relutante de grande parte do Norte... mas imagine o que vai acontecer quando um dos filhos de Ned Stark aparecer?
(ADWD, Fedor III)
A Senhora Dustin também.
No palanque, Lorde Wy man Manderly sentava-se entre dois de seus cavaleiros de Porto Branco, levando mingau com uma colher até seu rosto gordo. Não parecia estar apreciando nem um décimo do que saboreara comendo as tortas de porco no casamento. Em outro canto, Harwood Stout, de um braço só, conversava calmamente com o cadavérico Terrordas-Rameiras Umber.
(ADWD, O vira-casaca)
Segundo a teoria, Terror das Rameiras retransmite as palavras de Manderly, iniciando uma nova rodada no telefone sem fio. Stout é juramentado à Senhora Dustin e hospeda desde cedo Ramsay em sua fortaleza, sem dúvida infeliz ao ver as preciosas reservas de inverno de seu povo esvaziadas para apaziguar a vaidade mesquinha de Ramsay. Sem falar que Ramsay não faz nada para impedir que suas cadelas matem um dos cães de caça de Stout. (ADWD, Fedor III)
O poder dos Bolton no norte repousa sobre um leito de mentiras e ardis, que mal flutua no mar de ressentimento nortenho, e Manderly tem os meios e a vontade de perfurar essa frágil fundação. O que Manderly tem a dizer a Senhora Dustin? E qual a reação dela? Bem, isso é assunto para outro dia.
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2020.02.01 02:36 altovaliriano O corvo (de sangue) de Jeor Mormont

Texto original: shorturl.at/lpA19
Autor: Desconhecido
Título original: Examining Bloodraven, Part 5: Corn

Este post examinará o uso do corvo do Lorde Comandante Jeor Mormont por Corvo de Sangue ao longo da série e o que podemos aprender sobre Corvo de Sangue a partir de seu uso do pássaro. Para mim, a maior evidência que Corvo de Sangue está entrando na pele do pássaro é o seu pedido constante por milho.
No primeiro sonho de Bran sobre o corvo de três olhos, Corvo de Sangue também pede milho a Bran. Penso que esta evidência (e outras que apresentarei mais tarde) indicam que Corvo de Sangue está se entrando na pele do corvo de Mormont e não um Bran do futuro, como alguns sugeriram.
Alguns podem perguntar, se Corvo de Sangue está realmente na pele do corvo, por que ele não diz as coisas com mais clareza? Eu acho que existem algumas respostas para isso.
Em primeiro lugar, ele não quer que as pessoas comecem a suspeitar que há um humano controlando o pássaro, o que pode levá-lo a perder os olhos, os ouvidos e a voz limitada que tem com o Lorde Comandante.
Em segundo lugar, sabemos por Bran, Jon, Arya e Varamyr Seis-Peles que, quando eles entram na pele, assumem algumas características do animal e o efeito é amplificado ao longo do tempo. Provavelmente, Corvo de Sangue está cuidando dessa ave há tanto tempo, que de vez em quando começa a fazer coisas de corvo.

A Guerra dos Tronos

Jon Snow apresenta o leitor a Mormont e seu corvo quando são enviadas notícias de que Bran está vivo. Jon observa:
Jeor Mormont, o Senhor Comandante da Patrulha da Noite, era um homem áspero e velho, com uma imensa cabeça calva e uma desgrenhada barba cinzenta. Tinha um corvo pousado no braço e alimentava-o com grãos de milho.
– Ouvi dizer que sabe ler – sacudiu o corvo, e a ave bateu as asas e voou até a janela, onde pousou, observando Mormont tirar do cinto um rolo de papel e entregá-lo a Jon. “Grão”, resmungou o corvo em voz roufenha. “Grão, grão.”
Acho muito curioso que, na primeira vez em que encontremos Jeor Mormont, Martin passe mais tempo nos falando sobre o corvo do que sobre o Lorde Comandante da Patrulha da Noite. Isso reforça ainda mais minha crença de que tudo o que o corvo faz é importante. Depois que Jon termina de ler a carta, ele pontua que Bran vai viver. Mormont diz que o garoto será aleijado, mas Jon não se importa e nem o corvo:
O corvo voou até seu ombro, gritando “Viver! Viver!”.
Como mentor de Bran, é claro, Corvo de Sangue só se importa com o fato de que o garoto vivera, não se ele será incapaz de andar novamente.
Quando o lorde comandante conta a Tyrion sobre o desaparecimento de Waymar Royce e se chama de tolo. O corvo concorda:
“Tolo”, concordou o corvo. Tyrion ergueu o olhar. O pássaro o olhou com aqueles olhos negros, pequenos e brilhantes, agitando as asas. “Tolo”, gritou de novo.
Tenho a impressão de que, na segunda vez em que o corvo diz tolo, ele está dirigindo esse comentário a Tyrion, em parte porque o pássaro está olhando diretamente para ele. Se Corvo de Sangue já sabe como Tyrion negligenciará a Muralha quando ele é Mão do Rei, apesar de ver a condição da Patrulha da Noite e se sentir desconfortável ao olhar além da Muralha, faria sentido que ele o considerasse tolo.
Curiosamente, quando Mormont inspeciona os cadáveres encontrados no bosque de represeiro ao norte da Muralha, o corvo não está com ele. Corvo de Sangue obviamente teria acesso a esse cenário através da rede de represeiros, então ele não envia o corvo. Talvez ele soubesse que todos os homens em Castelo Negro deviam ver as criaturas por si mesmos e, portanto, não usariam o corvo para aconselhá-los a serem queimados. Mais tarde, no capítulo em que a notícia da morte de Robert e da prisão de Ned chega à Muralha, o Corvo está esperando na luz solar de Mormont:
Quando entrou no aposento, o corvo de Mormont gritou: – Grão! Grão! Grão! Grão!
– Não lhe dê ouvidos, acabei de alimentá-lo – resmungou o Velho Urso.
Achei interessante que o corvo ainda peça por milho, mesmo que tenha acabado de ser alimentado. Isso me diz que pode haver mais na palavra do que simplesmente pedir comida. Enquanto a conversa continua, o corvo permanece em silêncio até Mormont dizer:
– Seu dever agora é aqui – lembrou-lhe o Senhor Comandante. – Sua vida antiga terminou quando vestiu o negro – sua ave soltou um eco rouco. “Negro.”
Corvo de Sangue está lembrando Jon de seu dever para com a Patrulha. Além disso, isso me diz que Corvo de Sangue acredita que Jon precisa permanecer na Muralha, pois é aí que seu destino acontecerá de um jeito ou de outro, junto à Patrulha da Noite. Jon deixa Mormont e desce para brigar com Sor Alliser Thorne. Quando Mormont chega, diz a Jon:
– Disse-lhe para não fazer nada estúpido, moço – resmungou o Velho Urso. “Moço”, papagueou o pássaro.
Corvo de Sangue expressando sua decepção por Jon. Ele precisa que ele cresça e rápido. Quando Jon permanece em sua cela, eventualmente, Fantasma percebe que algo está errado e Jon começa a se aproximar dos aposentos do Lorde Comandante quando:
De repente, ouviu o guincho do corvo de Mormont. “Grão”, gritava a ave. “Grão, grão, grão, grão, grão, grão.” Fantasma deu um salto para a frente e Jon seguiu atabalhoadamente logo atrás.
É claro que isso acontece quando o cadáver de Othor tenta matar o Lorde Comandante Mormont. Corvo de Sangue está tentando acordar o Lord Commander para que ele possa se defender e também alertar qualquer pessoa que esteja por perto criando uma algazarra. Eventualmente, Jon chega a enfrentar Othor e, durante a longa batalha da qual não sinto vontade de transcrever o corvo grita: grão. Lorde Comandante Mormont ainda não está acordado neste momento e Corvo de Sangue está tentando acordá-lo, mas eventualmente ele chega na sala nu com uma candeia de azeite:
Jon tentou gritar, mas não tinha voz. Pondo-se em pé com dificuldade, chutou o braço para longe e arrancou a candeia das mãos do Velho Urso. A chama tremeluziu e quase se extinguiu. “Queime! ”, grasnou o corvo. “Queime, queime, queime! ”
Rodopiando, Jon viu as cortinas que arrancara da janela. Atirou com ambas as mãos a candeia para cima do monte de pano. Metal rangeu, vidro estilhaçou-se, óleo derramou-se e as cortinas se transformaram numa enorme chama.
Quando uma fonte de fogo surge, Corvo de Sangue entra imediatamente em ação e diz a Jon o que fazer para matar a criatura. Claramente, este não é um corvo falante normal; na verdade, ele dá bons conselhos em momentos de crise. Ele sabe o que fazer e quando fazê-lo. Para qualquer leitor neste momento, o corvo é claramente mais do que aparenta. No próximo capítulo de Jon, ele pergunta a Mormont se eles receberam uma ave com notícias de seu pai, no que o corvo de Mormont responde:
“Pai”, escarneceu o velho corvo, inclinando a cabeça enquanto passeava pelos ombros de Mormont. “Pai.”
O pássaro está provocando Jon sobre seu pai, porque Corvo de Sangue, como será visto inúmeras vezes, sabe que Eddard não é o pai de Jon (sim, pressuponho que R+L=J seja verdade, mas não quero discutir isso aqui).
Eventualmente, Mormont diz:
Temos sombras brancas na floresta e mortos irrequietos que caminham furtivamente por nossos salões, e é um rapaz que ocupa o Trono de Ferro – disse, desgostoso.
O corvo riu estridentemente. “Rapaz, rapaz, rapaz, rapaz.”
Até Corvo de Sangue sabe que Joffrey é um idiota! Mas também mostra a opinião de Corvo de Sangues sobre o assunto. Ele sabe que o reino precisa estar unido sob um forte líder para enfrentar os Outros, mas o que eles têm é Joffrey e uma guerra civil. Então, Mormont oferece Garralonga a Jon, causando o corvo entrar em erupção em ataques de:
“Tome”, repetiu o corvo num eco, arranjando as penas com o bico.
Tome, tome.
Corvo de Sangue quer que Jon pegue a espada. Acho que isso mostra que ele sabe que Jon precisará de Garralonga no futuro. O que me faz duvidar que Corvo de Sangue planeje dar Irmã Sombria a Jon (presumindo que ele ainda a possua). Eventualmente, Mormont explica sua razão:
Lutou bravamente… e, mais importante, pensou depressa. Fogo! Sim,maldição. Já devíamos saber. Devíamos ter lembrado. A Longa Noite já caíra antes. Ah, oito mil anos é bastante tempo, com certeza… mas, se a Patrulha da Noite não recorda, quem recordará?
“Quem recordará”, concordou o corvo falador. “Quem recordará.”
O fato é que foi o corvo que disse a Jon para queimar Othor, e agora ele está basicamente respondendo a Mormont: "Eu lembrei, eu e os Filhos da Floresta, e salvamos sua pele".
Depois que Jon faz sua rápida fuga para o sul e é trazido de volta, Mormont diz que ele sabia disso o tempo todo, eles acabaram conversando.
Acha que seu tio Benjen foi o único patrulheiro que perdemos neste último ano?
Ben Jen”, crocitou o corvo, inclinando a cabeça, com pedacinhos de ovo caindo do bico. “Bem Jen. Ben Jen.”
– Não – disse Jon. Tinha havido outros. Muitos.
– Julga que a guerra do seu irmão é mais importante que a nossa? – ladrou o velho.
Jon mordeu o lábio. O corvo bateu as asas em sua direção. “Guerra, guerra, guerra, guerra”, cantou.
Achei as menções de Corvo de Sangue sobre Benjen particularmente interessantes. A partir dessa passagem, senti que Corvo de Sangue sabe exatamente o que está acontecendo com Benjen, mas está mantendo isso perto de seu peito por enquanto, todavia acho que ele revela uma pista interessante nos livros logo depois:
– O senhor seu pai o enviou até nós, Jon. O motivo, quem poderá dizê-lo?
Por quê? Por quê? Por quê?”, gritou o corvo.
Acho que Corvo de Sangue sabe exatamente o que Jon está fazendo na Muralha e por que Ned o enviou para lá. Observe que, embora Martin use pontos de interrogação, ele não diz que o corvo pergunta usando o verbo [no original em inglês, diferente da tradução em português, só há um ponto de interrogação, no terceiro “por quê”]. Acho que o modo como Martin escolhe o verbo sempre que escreve o que o corvo diz é importante para decifrar o significado de suas palavras.

A Fúria dos Reis

O corvo aparece pela primeira vez em A Fúria dos Reis quando Jon leva Sam a Mormont com os mapas que Sam tinha a tarefa de encontrar para a grande patrulha. Mormont está decepcionado com os mapas:
– Estes são velhos – queixou-se Mormont, e o corvo serviu de eco com um grito penetrante de “Velhos, velhos”
Acho que é provável que os mapas sejam da época em que Corvo de Sangue era Lorde Comandante. Mapas mais recente não são mencionados e duvido que alguém como Corvo de Sangue se contentasse em estar às cegas. Ele gostaria de mapas atualizados para seus patrulheiros e que estes mapas estivessem na galeria para quando chegasse a hora em que seriam necessários. O comentário do corvo sobre a idade dos mapas parece indicar isso.
Mormont começa a contar a Jon Snow como propuseram a Meistre Aemon que sentasse no Trono, e recebemos uma informação interessante:
Aerys casou com a irmã, como os Targaryen costumavam fazer, e reinou durante dez ou doze anos.
Mormont está falando de Aerys, o rei a quem Corvo de Sangue serviu como Mão. Não conhecemos outras Mãos de Aerys I e, embora isso não diga muito, sabemos que Corvo de Sangue foi nomeado Mão logo após Aerys subir o trono, portanto, seria razoável supor que Corvo de Sangue foi Mão durante todos os dez ou doze anos do reinado de Aerys.
No final da aula de história de Mormont sobre os reis Targaryen:
[...] até Jaime Lannister pôr fim à linha dos Reis-Dragão.
“Rei”, crocitou o corvo. A ave atravessou o aposento privado e foi pousar no ombro de Mormont. “Rei”, voltou a palrear, pavoneando-se de um lado para outro.
– Ele gosta dessa palavra – Jon sorriu.
– Uma palavra fácil de dizer, e fácil de gostar.
“Rei”, a ave voltou a se manifestar.
– Acho que ele deseja que tenha uma coroa, senhor.
– O reino já tem três reis, e isso são dois a mais para o meu gosto.
Mormont afagou o corvo sob o bico com um dedo, mas os olhos nunca deixaram Jon Snow.
Aí está Corvo de Sangue, nos fornecendo mais provas para R+L=J. O corvo diz rei depois que Mormont afirma que os reis Targaryen estão todos mortos. Se Lyanna se casasse com Rhaegar, Jon seria o herdeiro do trono, presumindo-se que Aegon seja uma fraude (e acho que aí está mais uma evidência de que é).
Durante a patrulha, os membros da Patrulha da Noite admiram o grande represeiro em Brancarbor:
– Uma árvore velha – Mormont estava montado, franzindo o cenho. “Velha”, concordou o corvo empoleirado no seu ombro. “Velha, velha, velha.”
– E poderosa – Jon conseguia sentir o poder.
Provavelmente Corvo de Sangue viu através desta árvore desde as suas origens e sabe quantos anos ela tem. Enquanto a patrulha está olhando a vila:
“Foram” gritou o corvo de Mormont, esvoaçando até o represeiro e empoleirando-se acima de suas cabeças. “Foram, foram, foram.”
Corvo de Sangue está dizendo a eles exatamente o que aconteceu em Corvarbor, já que ele provavelmente viu através do represeiro. Mormont decide que não acamparão em Brancarbor, mas:
– Procure Tarly e certifique-se de que ele ponha isto a caminho – Mormont disse enquanto entregava a mensagem a Jon. Quando assobiou, o corvo desceu batendo as asas e foi pousar na cabeça do cavalo. “Milho”, sugeriu a ave, balançando-se. O cavalo relinchou.
Novamente, vemos o uso da palavra milho do corvo no momento em que estão prestes a enviar uma mensagem com informações incompletas.
Eventualmente, a Patrulha chega à Fortaleza de Craster, onde:
– São poucos aqui, e isolados – disse Mormont. – Se desejar, destacarei alguns homens para os escoltarem para sul até a Muralha.
O corvo pareceu gostar da ideia. “Muralha”, gritou, abrindo as asas negras como se fossem um colarinho elevado atrás da cabeça de Mormont.
[...]
A mulher passou a língua por lábios finos.
– Este é o nosso lugar. Craster nos mantém a salvo. É melhor morrer livre do que viver como um escravo.
“Escravo”, o corvo resmungou.
Corvo de Sangue claramente acha que seja melhor que Craster e suas esposas vão para a Muralha. Ele provavelmente sabe o que Craster tem feito pelos Outros e enviá-lo para a Muralha acabaria com isso. Ele também comenta como as esposas de Craster são escravas. Quando eles saem da Fortaleza, Jon diz a Mormont:
– Ele dá os filhos à floresta.
Um longo silêncio. E então:
– Sim – “Sim”, o corvo resmungou, pavoneando-se. “Sim, sim, sim”.
Corvo de Sangue está muito ciente do que Craster está fazendo e provavelmente sabe muito mais sobre o que acontece com esses filhos do que nós.
Eventualmente, a Patrulha atinge o Punho dos Primeiros Homens. Jon e Mormont conversam sobre Benjen Stark,
– Sim – Jon respondeu –, mas… e se…
– … estiver morto? – Mormont concluiu, num tom que não era desprovido de gentileza.
Jon confirmou, relutante, com a cabeça.
“Morto”, disse o corvo. “Morto. Morto.”
– Pode vir mesmo assim até nós – o Velho Urso disse. – Como fez Othor, e Jafer Flowers. Temo isso tanto quanto você, Jon, mas temos de admitir a possibilidade.
“Morto,” crocitou o corvo, sacudindo as asas. A voz da ave subiu de intensidade e tornou-se mais estridente. “Morto.”
Eu acho que essa é uma evidência muito forte de que Corvo de Sangue acha que Benjen está morto. Para mim é difícil de admitir porque sempre esperei que ele voltasse, mas acho essa evidência muito forte. Eventualmente, Qhorin Meia-Mão e os homens da Torre Sombria chegam ao Punho. Qhorin começa a conversar com Mormont, sobre esperar no Punho até que os patrulheiros explorarem as Presas de Gelo. Isso leva o corvo de Mormont a dizer:
“Morre”, resmungou o corvo, percorrendo os ombros de Mormont. “Morre, morre, morre,morre.”
Corvo de Sangue sabe que destino aguardará muitos daqueles que ficam no Punho quando os Outros atacam ou durante a marcha de volta à Muralha.

A Tormenta de Espadas

Primeiro encontramos o corvo em ASOS durante o prólogo de Chett. Depois que Chett não encontra nenhuma caça, Mormont diz:
Podíamos ter ficado todos melhores com um pouco de carne fresca. – O corvo em seu ombro inclinou a cabeça e ecoou: “Carne. Carne. Carne”.
Eu acho que isso é Corvo de Sangue prenunciando o que acontecerá com os amotinados que traem Mormont. Eles são comidos por Bran, Meera, Jojen, Hodor e Verão. Mormont faz seu discurso dizendo aos homens o plano de enfrentar Mance Rayder que alguém grita:
– Vamos morrer. – Era a voz de Maslyn, verde de medo.
“Morrer”, gritou o corvo de Mormont, batendo as asas negras. “Morrer, morrer, morrer.”
É claro que muitos desses homens estão prestes a morrer, e o próprio Maslyn morre durante a batalha no Punho.
Quando a Patrulha finalmente retorna à Fortaleza de Craster, Craster anuncia:
– Tenho um filho.
“Filho”, crocitou o corvo de Mormont. “Filho, filho, filho.”
Novamente, o corvo mostra muito interesse nos filhos de Craster, dizendo que ele sabe exatamente o que acontece com eles. Durante o funeral de Bannen, Mormont diz:
– E agora terminou a sua vigia – ecoou Mormont.
“Terminou”, gritou seu corvo. “Terminou.”
Acho que aqui Corvo de Sangue está indicando que a vigia de Mormont está prestes a terminar devido ao motim. Depois do fim do motim, quando Gilly está com ele, ela diz:
– [...] Se não o levar, eles levam.
– Eles? – disse Sam, e o corvo ergueu a cabeça negra e repetiu, numeco: “Eles. Eles. Eles.”
Durante essa conversa, o pássaro continua avisando a Sam que ele precisa sair e seguir para a Muralha com a garota. É claro que Corvo de Sangue não quer que os Outros levem outro filho de Craster. Se Corvo de Sangue estivesse realmente trabalhando com os Outros, não acho que ele tentaria levar aquela criança de volta à Muralha. Após o motim, o corvo de Mormont não é visto por muito tempo até a escolha do próximo lorde comandante:
O caldeirão estava no canto junto à lareira, uma enorme coisa negra de fundo redondo, com duas enormes alças e uma tampa pesada. Meistre Aemon disse algo a Sam e Clydas, e eles agarraram as alças e arrastaram o caldeirão para a mesa. Alguns dos irmãos já estavam fazendo fila junto aos barris de penhores quando Clydas tirou a tampa e quase a deixou cair em cima do pé. Com um grito roufenho e um bater de asas, um enorme corvo saltou de dentro do caldeirão. Voou para cima, talvez em busca das vigas, ou de uma janela por onde escapar, mas não havia vigas no porão e também não havia janelas. O corvo estava encurralado. Crocitando ruidosamente, voou aos círculos pela sala, uma, duas, três vezes. E Jon ouviu Samwell Tarly gritar:
– Eu conheço aquela ave! É o corvo de Lorde Mormont!
O corvo pousou na mesa mais próxima de Jon. “Snow”, crocitou. Era uma ave velha, suja e enlameada. “Snow”, voltou a dizer, “Snow, snow, snow”. Caminhou até a borda da mesa, abriu de novo as asas e voou para o ombro de Jon.
Lorde Janos Slynt sentou-se tão pesadamente que fez tum, mas Sor Alliser encheu a adega com uma gargalhada zombeteira.
– Sor Porquinho pensa que somos todos tolos, irmãos – disse. – Ele ensinou à ave este truquezinho. Todos eles dizem snow, é só ir à colônia e escutar com seus ouvidos. A ave de Mormont sabia mais palavras além dessa.
O corvo inclinou a cabeça e olhou para Jon. “Grão?”, disse com ar esperançoso. Quando não obteve nem grão nem uma resposta, soltou um cuorc e resmungou: “Caldeirão? Caldeirão? Caldeirão?”
Corvo de Sangue claramente quer que Jon seja Lorde Comandante e manipula o voto para que ocorra. Por que o corvo quer Jon especificamente como Lorde Comandante? Eu penso que Corvo de Sangue acha que a identidade de Jon (outro produto dos Primeiros Homens e Valirianos) o faz importante também. Além disso, Corvo de Sangue provavelmente está usando informações das quais não temos conhecimento para tomar sua decisão.

A Dança dos Dragões

Em ADWD, o corvo trata Jon como Mormont, acompanhando-o e grasnando conselhos. A certa altura, Jon percebe:
O corvo de Mormont o olhava com astutos olhos escuros, e então voou até a janela.
– Você acha que sou seu servo? – Quando Jon abriu a janela com seus grossos painéis de vidro amarelo em forma de diamante, o frio da manhã bateu em seu rosto. Respirou para limpar os vestígios da noite enquanto o corvo voava para longe. Esse pássaro é muito espertinho. Tinha sido companheiro do Velho Urso por longos anos, mas isso não o impedira de comer o rosto de Mormont quando ele morreu.
Jon pode ser o servo [thrall, no original em inglês] de Corvo de Sangue em alguns aspectos, porque ele é subconscientemente influenciado pelo corvo. Eu não acho que Corvo de Sangue esteja entrando na pele de Jon ou algo assim, mas ele está influenciando suas decisões através dos corvos. Ele sabe que algo não está certo com aquele corvo, mas não faz nada a respeito.
Eventualmente, Jon ordena a Sor Alliser Thorne que saia em uma patrulha:
– Então o garoto bastardo vai me mandar para a morte.
Morte, gritou o corvo de Mormont. Morte, morte, morte.
Você não está ajudando. Jon espantou a ave.
Isso me diz que Corvo de Sangue espera que Sor Alliser morra em sua patrulha (ainda a ser conhecido) ou acha que Jon realmente quer que Sor Alliser morra nessa missão. Jon acha que ele pode não gostar de Sor Alliser, mas que nunca desejaria um irmão morto. No entanto, também pensa:
Thorne está em mãos melhores do que merece.
e
Oito homens de bem, pensou, e um... bem, veremos.
Acho que Jon quer que Sor Alliser morra, mas não se sente confortável em admitir. Entretanto, Corvo de Sangue vê através dele.
Depois que Jon recebe uma surra de "Camisa de Chocalho” no pátio:
Ficarão amarelas antes de sumir – ele disse para o corvo de Mormont. – Parecerei tão doentio quanto o Senhor dos Ossos.
Ossos, a ave concordou. Ossos, ossos.
É a primeira vez que o corvo diz ossos. Eu acho que provavelmente Corvo de Sangue sabe que Mance ainda está vivo e não é o Senhor dos Ossos, no entanto, o corvo especificamente concorda, então é possível que Melisandre o tenha enganado – mas eu realmente duvido disso. Não quero dizer que Corvo de Sangue é onipotente, mas como alguém treinado no uso de seduções [glamours, no original], duvido que ele seja enganado por alguém. Eventualmente, Jon pensa no que pode esperar por Arya em seu casamento com Ramsay:
Certa vez ele pedira a Mikken para fazer uma espada para Arya, uma lâmina de espadachim, feita num tamanho menor para caber na mão dela. Agulha. Ele se perguntava se ela ainda a possuía. Espete neles a ponta aguçada, dissera a ela, mas se ela tentasse espetar o Bastardo, isso poderia custar sua vida.
Snow, murmurou o corvo de Lorde Mormont. Snow, snow.
Acho que Corvo de Sangue está tentando lembrar Jon de que ele é um Snow, não um Stark e, ligado à Patrulha da Noite, deve esquecer de Arya em seu dever como um homem da Patrulha.
Eventualmente, Jon trata Tycho Nestoris, do Banco de Ferro de Bravos. Nestoris diz:
Se ele [Stannis] se provar mais digno da nossa confiança, é claro que teremos grande prazer em lhe emprestar toda a ajuda de que ele necessitar.
Ajuda, o corvo gritou. Ajuda, ajuda, ajuda.
[...] Haverá um preço.
Preço, gritou o corvo de Mormont. Preço, preço.
Corvo de Sangue sabe que o Banco de Ferro ajudará Stannis e está mostrando que eles também podem ajudar a Muralha. Ainda assim, sabe que há um preço. No entanto, o corvo grita “ajuda” uma vez a mais do que “preço”, então eu acho que Corvo de Sangue está tentando dizer a Jon para aceitar o preço inevitável, porque eles precisam da ajuda.
Jon recebe notícias de que uma garota foi encontrada ao sul da Muralha:
– Uma garota? – Jon se sentou, esfregando o sono dos olhos com as costas das mãos. – Val? Val retornou?
– Não é Val, ‘nhor. Foi deste lado da Muralha.
Arya. Jon se endireitou. Tinha que ser ela.
Garota, gritou o corvo. Garota, garota
Corvo de Sangue está tentando deixar Jon saber que a garota não é Arya, mas na verdade é Alys Karstark.
Quando Jon vai encontrar Tormund Giantsbane fora da Muralha, ele pensa:
Fantasma era a única proteção que Jon precisava; o lobo gigante podia farejar seus inimigos, mesmo aqueles que escondiam sua inimizade atrás de sorrisos.
Mas Fantasma tinha partido. Jon tirou uma das luvas negras, colocou dois dedos na boca e deu um assobio.
– Fantasma! Comigo.
De cima veio o súbito som de asas. O corvo de Mormont voou do galho de um velho carvalho para pousar na sela de Jon. Grão, gritou. Grão, grão, grão.
O fantasma não é a única proteção de Jon. Corvo de Sangue tenta cuidar dele também em situações perigosas. Ele ajudou com o morto-vivo e pode facilmente alertar as pessoas sobre o perigo através do pássaro.
Depois que Jon acorda de um sonho sobre matar lutando com uma espada flamejante sozinho na Muralha, ele acorda e:
Levantou-se e vestiu-se na escuridão, enquanto o corvo de Mormont reclamava pelo quarto. Grão, a ave dizia, e Rei e Snow, Jon Snow, Jon Snow . Aquilo era estranho. A ave nunca dissera seu nome completo antes, pelo que Jon se lembrava.
O corvo dizendo isso logo após esse sonho é muito significativo. O corvo está novamente dizendo que Jon é o rei, mas dizê-lo logo após um sonho que parece terrivelmente com a profecia de Azor Ahai me diz que Corvo de Sangue tinha alguma idéia do que Jon estava sonhando e queria imprimir nele sua própria importância. Como Jon observa, esta é a primeira vez que o corvo diz seu nome completo.
Depois que Jon volta de tentar convencer Selyse sobre outra expedição da Hardhome e ignora o conselho de Melisandre, ele volta aos seus aposentos para descobrir:
O grande lobo gigante branco não parava quieto. Andava de um lado para o outro do arsenal, passava pela forja fria e voltava.
– Calma, Fantasma. – Jon chamou. – Quieto. Senta, Fantasma. Quieto. – No entanto, quando tentou tocá-lo, o lobo se eriçou e mostrou os dentes. É aquele maldito javali. Mesmo aqui, Fantasma pode sentir seu fedor.
O corvo de Mormont parecia agitado também. Snow, a ave gritava. Snow, Snow, Snow. Jon o espantou, pediu para Cetim acender o fogo e depois ir atrás de Bowen Marsh e Othell Yarwyck.
Tanto o Fantasma quanto o corvo estão agitados e agindo de forma estranha, mas Jon não entende a deixa. Eles estão tentando avisá-lo do perigo. Isso ocorre pouco antes de ele convidar o homem que acabará se voltando contra ele para seus aposentos.
Eventualmente, Jon está se encontrando com Tormund Terror do Gigantes e eles têm a seguinte conversa:
Garotas, gritou o corvo de Mormont. Garotas, garotas.
Aquilo fez Tormund gargalhar novamente.
– Agora, eis um pássaro com juízo. Quanto quer por ele, Snow? Eu lhe dei um filho, o mínimo que podia fazer era me dar o maldito pássaro.
– Eu daria – disse Jon –, mas provavelmente você o comeria.
Tormund rugiu daquilo também.
Comer, o corvo disse, sombriamente, batendo as asas negras. Grão? Grão? Grão?
Imediatamente depois disso, Jon recebe a "Carta Rosa". E não ouvimos nem vemos mais nada do corvo pelo resto do capítulo. O que isso significa? Por que a única coisa que o corvo diz, em advertência, é "Milho"? Voltando a A Guerra dos Tronos, há duas explicações possíveis:
Quando entrou no aposento, o corvo de Mormont gritou: – Grão! Grão! Grão! Grão!
– Não lhe dê ouvidos, acabei de alimentá-lo – resmungou o Velho Urso.
O corvo usa milho como mentira aqui, ele acabou de comer, mas está pedindo comida. Poderia ser Corvo de Sangue tentando indicar a Jon que a carta é uma falsa manobra, como muitos teorizaram. E:
De repente, ouviu o guincho do corvo de Mormont. “Grão”, gritava a ave. “Grão, grão, grão, grão, grão, grão.” Fantasma deu um salto para a frente e Jon seguiu atabalhoadamente logo atrás.
É quando Mormont está sendo atacado pelo morto-vivo. O corvo grita “Grão” como um aviso. Jon deve se lembrar disso. Ele costuma pensar na noite em que lutou contra o morto-vivo. Ele deve poder fazer a conexão de que “grão” é um aviso. Eu acho que esse é o aviso e que Jon não faz nada acerca ele. Eu acho que Corvo de Sangue estava tentando protegê-lo e avisá-lo, mas novamente ele não queria se arriscar a revelar mais sobre o corvo, pois sabe que Jon já tem suas suspeitas sobre isso. Isso me leva a algumas outras possibilidades:
  1. Talvez Corvo de Sangue soubesse que Jon tinha que morrer ou sofrer uma traição, mas queria avisá-lo. Quando Jon voltasse, estaria mais aberto a ouvir o corvo, supondo que Jon seria capaz de juntar as peças.
  2. Corvo de Sangue é limitado por Melisandre. Até onde eu sabia, o corvo de Mormont nunca interage ou está presente em volta de Melisandre. Sabemos que Melisandre queimou a águia de Orell durante a batalha na Muralha, portanto ela deve saber reconhecer os troca-peles. Corvo de Sangue não quer arriscar que isso aconteça e, quando Jon vai fazer seu discurso para a Patrulha e os selvagens, o corvo fica para trás porque Melisandre está presente. Isso daria credibilidade à ideia de que Melisandre seria de alguma forma responsável pelo que acontecesse com Jon e que desempenhará um papel em trazê-lo de volta. Eu acho que essa é a opção mais provável.

Conclusões

O corvo é o meio pelo qual Corvo de Sangue mantem um olho na Patrulha e influencia sutilmente o Lorde Comandante. Ele dá dicas de verdades maiores, mas não as revela completamente para manter sua posição. O uso mais direto de sua influência foi ao instalar Jon como Lorde Comandante. Isso me diz que ele queria Jon neste cargo. Juntamente com seus esforços para levar o filho de Craster à Muralha [...], me diz que Corvo de Sangue não está trabalhando com os Outros como alguns têm sugerido.
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2020.01.14 22:17 darthvader008 Como ser um Bosta na vida S2

Bom, primeiramente... Olá a todos os leitores, obrigado por tirar um tempinho de suas vidas para ler algo sem graça de alguém mais sem graça ainda!
Bom, sou um Jovem senhor de 28 anos (recém completados) moro em uma cidade turística, cheio de mulheres bonitas, nem sempre morei aqui, mas vamos ao que interessa. apesar dos meus 28 anos, só tive 3 parceiras sexuais ( em nenhuma cheguei ao orgasmo kkk irônico, eu sei) das três parceiras sexuais...
The first one: Prostituta em uma cidade vizinha, tava muito escuro no quarto, ela era muito baixinha e a mão dela parecia a mão de uma anã (confesso que me deu um certo nojo, desculpa a todos os anões, eu tenho 1,90m de altura) não foi um sexo bom por vários motivos
1- Ela é prostituta, paguei 150 reais pra perder a virgindade aos 25 anos de idade '-' pqp. 2- O rancor de mim mesmo por passar por aquilo, foi degradante. 3- A ressaca moral no outro dia foi terrível, se eu pudesse eu queria minha virgindade de volta.
A segunda: Uma senhora que foi no meu trabalho pedir meu número para meu colega de trabalho (eu o amaldiçoou até hoje por ter dado meu número) ela é uma velha que queria uma relação duradoura, eu desde o começo nunca quis nada com ela, mas eu sou tão pateticamente tímido que não tinha coragem de dizer à ela, ela queria casar e tudo, com ela também não cheguei ao orgasmo, passamos a noite conversando e no outro dia não mandei uma mensagem sequer e dei block nela no whatsapp. não era o que eu queria, fiquei novamente com o rancor de mim mesmo e nesse tempo eu namorava com uma moça do país de gales (relacionamento a distância) fiquei ainda pior por ter traído a Galesa A terceira: uma vez um rapaz foi no meu trabalho e estava me contando sobre uma mulher que mandava nudes, a mulher tinha seus 41 (e eu 26) ela gorda baixa e morena, bem morena, o sexo foi horrível de várias formas, mas culpo principalmente por ela não poder fazer as posições que eu queria fazer kkkk me arrependo também por ter ido lá, também dei block e nunca mais vi.
Minha vida amorosa é bem patética, todas as mulheres que posso dizer que foram "minhas namoradas" foram de relacionamentos à distância: 1- Aseel ( moça muçulmana linda que mora na Palestina) separamos porque eu sou pobre e não posso ir pra lá 2- Brandi (americana de Indianapolis) só comecei um relacionamento com ela por pena, devo admitir, ela se sentia sozinha 3- Annalise (a Galesa que citei antes) muito linda, nos separamos porque ela é linda e eu um ciumento chato que nunca poderia ir pra gales por falta de dinheiro. 4- Huda (Egípcia linda linda kawaii linda linda linda, muçulmana linda, já falei que ela é linda?) Essa foi antes da Annalise, nos relacionamos por mais de 2 anos, sinceramente nunca amei alguém assim antes, por ela eu me converti ao ISLAM, por ela eu faria tudo mesmo, não só porque ela era linda com ou sem Hijab, mas sim porque ela é tão meiga, fofa, simpaticamente perfeita e maravilhosa, a nossa separação veio porque obviamente a distância... eu mentia muito pra ela sobre muitas coisas, só pra não deixar ela perder o interesse por mim, mas mesmo se eu dissesse a verdade ela ainda me amaria, eu sei disso, tanto que depois que nos separamos eu disse muitas coisas e ainda assim ela me respeitava e falou ainda que me amava, que até moraria debaixo da ponte comigo se fosse o jeito e a separação não foi devido ao casamento arranjado que a mãe dela arrumou pra ela, coração partido em milhares, mas também não esperava que ela ficasse comigo pra sempre no telefone, espero que ela esteja feliz 5- Ana (A única brasileira da lista) não tenho nem o que falar dela, estamos atualmente ainda juntos, ela como a Annalise tem uma filha (ambas as filhas se chamam Laura) amo muito, mas amo de paixão essa, ela mora longe do estado que eu moro, ela é linda, ela é meiga, gostosa, perfeita, maravilhosa, a primeira brasileira em quem eu pude dizer que tenho paixão e ela tem por mim, a primeira brasileira a querer estar comigo, estamos ainda juntos nem sei porque, nós nos falamos muito pela parte da manhã, quando estou trabalhando, porque a tarde o marido dela chega '=' ... Exatamente isso, ela é casa ainda com o pai da filha dela, ela alega não gostar mais dele e tudo, eu ajudo ela de todas as formas possíveis, ah como eu amo essa garota, ela quer que eu vá para o estado em que ela mora para nos conhecermos, mas ela já diz que vai querer ficar comigo pra sempre, eu amo demais ela... mas além do marido dela, há ainda os problemas devido as minhas mentiras... algumas delas... eu disse que tenho carro (disse antes de ter, agora eu tenho) nem tenho habilitação, eu sou diabético e em 2 anos nunca disse pra ela, eu tenho emprego, sou frentista de um posto, nunca disse a ela, falei que trabalho com outra coisa, disse pra ela que eu moro só, mas na verdade moro com toda minha família, irmãs, sobrinhas, irmão, mãe e durmo no mesmo quarto que minha mãe (patético né? calma que ainda fica pior) um dos motivos que me fazem ficar como estou é o fato de talvez o pessoal não se dar bem sem mim, pois dou 100% do meu salário pra minha mãe, ela paga as contas, compras as coisas, eu trabalho e fico na internet, não tenho amigos ou vida social, sou feio pra xuxu. sempre que falo sobre sair de casa vem aquelas chantagens emocional, a tristeza de deixar minha mãe (que tá inteirona, não tá velhinha, tem só 52) Eu penso comigo, será que a Carol ainda me aceitaria se eu dissesse a verdade? as vezes me sinto horrível por mentir pra ela, me sinto um lixo por dizer que vou pra lá, mesmo não podendo ir ou nem sei se é porque não quero, eu me odeio por fazer ela querer alguém como eu.
Um pouco sobre minha vida além do que eu já falei, quando eu tinha 19 descobri que tinha diabetes, fiquei em coma por 3 dias e tomo insulina 2x ao dia, sou pobre, pago aluguel, mas não é tão miserável minha vida agora quanto era antes.
eu realmente quero a brasileira na minha vida, apesar de eu nunca querer ter filhos, eu quero estar com ela e a filha dela e criar como se fosse minha, não sei se como adulto responsável pela casa eu me daria bem, já que só fico em casa e não faço nada além de sair pra trabalhar, aos 19 anos eu fazia ciências contábeis, fiz dois anos e me mudei para o centro-oeste (morava no norte)
gostaria de alguns conselhos realmente efetivos, não quero me relacionar com ninguém que não seja a moça que já tenho relacionamento a distância, que comparado as outras, não vou gastar dinheiro com passaporte e visto. recentemente fiz vestibular pra ADM, o resultado sai no próximo dia 20 de janeiro
Mais sobre mim: Sou ou fui inteligente, sempre gostei de estudar, mas por preguiça (acredito eu) dei uma parada, assisto muito anime (animação japonesa muitas vezes baseadas em mangás) mesmo sendo um adulto de quase 30, meus amigos de verdade moram no norte, eu nunca bebi nem fumei... não, eu não sou religioso, sou ateu desde os 16, não tenho costume de ficar chorando, fico mais me masturbando pra aliviar a pressão de ser um ser humano patético. Na maior parte do tempo me sinto um inútil e um desperdício de oxigênio, acho que sou um mentiroso, mentia (ainda minto) sobre estar cursando licenciatura em química para o pessoal do meu trabalho, se bem que frentista é tudo fdp, então não importa.
PS: depois de digitar isso, percebo que minha vida é uma bosta por culpa exclusivamente minha, affs.
Obrigado novamente a você que leu, espero que fique bem.
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2019.11.03 16:57 Spectrum-Z Não me enxergam como ser humano

Vivo em uma república. Conheci uma garota da qual me tornei muito amigo. Ela é instável emocionalmente, assim como eu. Ela vêm me decepcionando bastante. Ela não me vê como um ser humano.
Me tornei afim dela, mas ela tem um ficante, então sem chances de eu conseguir algo. O cara é melhor do que eu em tudo. Ela me usa como backup para conversar e sair pra rua quando não encontra ele. Eu não ligava muito, pois eu só queria oferecer apoio. Aqui na casa praticamente ninguém gosta dela e, por estar no desabafos, aprendi a ver o ser humano de outra forma e sinto a necessidade de ouvir o desabafo dela e tentar ajudar. Foi o que sempre fiz com ela. Além de que eu também desabafo com ela.
Sou um cara sem experiências em relacionamentos, sem experiências sexuais, sem experiências sociais. Poucos amigos. Não sou o tipo de pessoa que faz diferença na vida dos outros. Sou mais um tipo de estepe, onde quando não conseguem outros amigos, me chamam.
Andei percebendo que, só pq um dia eu comprei um lanche pra ela, pois ela disse q estava com fome, ela começou a me pedir muitas coisas: comida, dinheiro pra ônibus e tal.
Ela anda me decepcionando. Quando conversamos no whatsapp, ela demora pra responder e quando engatamos uma conversa e ela começa a responder mais rápido, chega uma hora que ela fica com sono e em vez de dar boa noite, simplesmente me deixa falando sozinho e no outro dia nem responde as mensagens que eu deixei no dia anterior.
Nunca chorei por amigos, ela é a primeira que me fez chorar, até mais de uma vez.
Hoje é dia de enem. Há uns dias, ela me pediu meu cartão do ônibus pra pagar apenas meia passagem e poder ir fazer a prova. Ela disse que colocaria crédito no cartão. Eu disse que emprestaria. Depois de uns dias ela disse que queria que eu colocasse crédito pra ela com meu próprio dinheiro. Eu disse que não tinha dinheiro e que ela teria que por crédito com o dinheiro dela. Ela me pediu isso 2 vezes em dias diferentes e a resposta foi a mesma. Ela não sabia, mas eu tinha 20 reais de crédito no cartão.
Esses dias ela disse que era pra eu lembrar de emprestar o cartão pra ir ao enem. Eu resolvi revelar que ela não precisava por crédito, pois tinha 20 reais( um amigo me aconselhou a fazer isso). Ela disse ok.
Ontem deixei o cartão em cima da geladeira e mandei uma mensagem informando que o cartão estaria lá. Ela disse que não precisava mais e que o ficante dela iria levar de carro.
Hoje, dia do enem, mandei uma mensagem pra ela pra dar uma motivação: "Ei... vá na fé, seu enem já está no papo! Deus te abençoe, futura médica! Estou torcendo por você". Ela disse um obrigado seco. Por volta das 11 eu estava almoçando. Ela passou por mim 2 vezes, não olhou na minha cara nem falou comigo. Saiu e não deu tchau.
Ela me vê como um saco de pancadas. O cara que ela fica é um otário que não dá bola pra ela, cancela compromissos. Quando ela me pediu o cartão do ônibus, a primeira coisa que pensei foi: pq o cara não leva ela de carro?
Ela disse que teve que pedir ele que a levasse ao local de prova. O fato dela precisar de carona nem passou pela cabeça dele e quando eu disse a ela que ele não parecisa se importar, ela me disse que eu me importava pq tinha mais tempo, querendo dizer que eu não tenho coisas pra fazer.
Ela me dá patadas de vez em quando, me ignora quando quer. Ela não me vê como um ser humano e isso me deixa triste, pois meu comportamento pode ser visto por várias pessoas na minha vida , nâo somente ela. Tenho medo de sofrer com outras pessoas no futuro o que estou sofrendo com ela agora.
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2019.09.15 19:11 YareYareDaze007 Minha "breve" história amorosa

Essa História que será aqui contada, nesse livro, é a jornada de um garoto chamado Giovane, um garoto quieto, de poucos amigos, porém muito estudioso, sempre tirava boas notas na escola. E é exatamente lá que nossa história começa.
No ano de 2017, nosso protagonista está sentado tranquilamente em sua mesa, na sala de aula, quando repentinamente ao olhar de relance para a porta, ele percebe alguém entrando, mais especificamente uma garota, uma linda garota, que instantaneamente desperta o encanto de Giovane. Vale lembrar que naquela época, ele era um garoto de 13 anos, sem nenhuma preocupação além de vídeo-games e estudos, mas tudo aquilo estava prestes a mudar. Naquele momento, ele havia descoberto o amor, que muitas vezes pode ser comparado à uma benção ou maldição. Ao ver a garota de nome desconhecido entrar, Giovane logo ficou surpreso com tamanha beleza, porém no momento não fez muita coisa. Apenas voltou aos estudos e tentou não pensar muito naquilo, porém era quase impossível, a cada conta que fazia, a cada texto que lia, a imagem da garota continuava a aparecer em sua cabeça. O que era muito ruim, considerando o fato de Giovane sempre dar muita importância aos estudos, aquilo estava o atrapalhando. Mas logo o nome da garota foi revelado: Sabrina. Giovane ouvira a professora dizer esse nome na chamada e viu a garota responder.
Não demorou muito para ele se dar conta do que havia acontecido. Ele sabia que estava sob o efeito da droga mais poderosa que existe: O Amor. E para o amor não existe cura, apenas o tempo, que foi justamente o que decidiu fazer: dar um tempo e ver o que acontecia. Giovane Não tinha ideia de como os eventos se desenrolariam dali em diante, não sabia o quanto sofreria pensando nela.
Passado algum tempo, cerca de 3 meses, e o amor de Giovane por Sabrina continuava aumentando, como uma fogueira que é atiçada pelo vento. No entanto, uma dúvida ainda pairava sobre sua cabeça: O sentimento era recíproco? Sabrina via Giovane com outros olhos? Ele não sabia, e isso estava o enlouquecendo.
Um mês depois do acontecimento anterior, ele havia pensado em uma maneira de acabar com suas dúvidas, era o único modo que nosso protagonista havia pensado: Falar à Sabrina sobre seus sentimentos. Porém, Giovane era um garoto extremamente tímido, o que deixava essa hipótese quase impossível. Ele tinha medo de contar o que sentia e não ser correspondido, ou ainda pior, ser ridicularizado pelas pessoas ao redor da escola. Chega o fim do ano e Giovane não havia conseguido se declarar. "Meu Deus, mas e se ela não estiver aqui o ano que vem? " Pensava.
2018, início do ano. E para sua surpresa, ele estava na mesma sala que Sabrina. Seria o destino dando uma segunda chance a ele? Talvez. E como dito anteriormente, seu amor não diminuía, apenas crescia dia após dia. Nosso protagonista tem 14 anos agora, muito mais maduro, certo? Errado! Ele continuava com uma ideologia de " deixar o rio fluir ", ou seja, não fazer nada e deixar que o destino cuidasse do resto. Claramente essa tática não deu certo. Porém, Giovane possuía um amigo chamado Marcos, cujo qual se dava muito bem com as mulheres. E fui justamente a ele que Giovane foi pedir ajuda. E acontece que Marcos era realmente bom no que fazia, e milagrosamente conseguiu fazer Sabrina se aproximar consideravelmente de nosso protagonista, que estava pensando sobre a vida e as decisões que havia tomado e aparentemente não interagindo com Sabrina, o que fez Marcos aparecer e talvez ter causado o maior arrependimento da vida de Giovane. Ou não? Marcos chegou conversando com ambos e acabou deliberadamente por falar que Giovane estava apaixonado por Sabrina, o que deixou nosso protagonista completamente paralisado, como se tivesse visto um fantasma, sem nada para dizer, como se tivesse visto a morte cara-a-cara. E Sabrina pareceu incrédula do fato, tanto que até se levantou da cadeira na qual estava sentada e estava se dirigindo a seu lugar, quando Marcos a parou e tentou argumentar com ela, mas nada parecia dar certo. Enquanto isso, nosso protagonista continua sentado imóvel na mesma posição que havia começado a conversa. Passados cerca de 3 minutos, Sabrina chega à mesa de Giovane e pergunta:-O que aconteceu?
-Nada. Diz Giovane
-Você está com cara de bravo. Foi alguma coisa que eu fiz?
-Não, não foi nada.
E Sabrina sai daquela mesa e volta para a dela.
A partir daquele dia, Giovane se tornou outra pessoa, alguém completamente novo. Ao invés do garoto alegre e piadista de sempre, ele havia se tornado alguém quase depressivo, não falava quase nada, passava horas parado pensando na vida, não fazia mais tantas piadas. Até o dia 10 de agosto de 2018, quando ele decide que não vale mais a pena sofrer tanto por conta de falta de coragem. Na escola, durante a aula de geografia a lição era fazer um mapa-múndi e foi o que nosso protagonista fez, porém Marcos tinha um plano para ambos ganharem nota apenas com o esforço de Giovane, que aceitou ajudar já que poderia precisar de algum favor de Marcos algum dia. E foi um plano, absurdamente bem bolado, executado com maestria e finalizado com êxito.
Na noite daquele mesmo dia, Giovane decide cobrar a ajuda que ofereceu à marcos. Mandou uma mensagem para ele e combinou que iriam executar um plano para que nosso guerreiro Giovane tivesse a coragem de se declarar à belíssima donzela Sabrina. Marcos a convenceria a segui-lo e passaria por um local combinado, onde Giovane apareceria e abriria seu coração para ela, acabando de uma vez por todas com isso, do jeito bom, que Giovane sairia com uma namorada e se livraria de sua tristeza ou do modo ruim, que era o que Giovane achava mais provável, onde ele seria completamente rejeitado e jogado à depressão para sempre, porém esquecendo de Sabrina. Nada poderia impedir esse plano de funcionar.
Exceto uma coisa: O esquecimento de Marcos que não conseguiu atrair Sabrina até o local combinado, o que fez com que Giovane saísse vagando pela escola envolto em seus pensamentos, e andando sem parar, para praticar pelo menos de alguma maneira, algum exercício, contudo ao fazer a volta na escola várias e várias vezes, no caminho Giovane se deparava com Sabrina andando com uma amiga e seu namorado, e durante algumas dessas vezes ele pôde ouvir claramente a amiga de Sabrina dizer: " quem quer catar a Sabrina? " Duas vezes na mesma hora em que ele estava passando e ainda ouviu mais uma última vez: " Ela está se doando ". Giovane estava começando a ligar os pontos, tudo começava a fazer sentido em sua cabeça. A vontade dele era alterar o curso de sua caminhada e abrir seu coração a ela, porém se fizesse isso, ele estaria desperdiçando um favor de Marcos, então Giovane Simplesmente continuou sua jornada de volta à sala de aula. Ele estava prestes a descobrir o significado de tudo que aconteceu.
No final daquele dia, Giovane decidiu perguntar à marcos se ele havia se esquecido. E de fato ele havia, no entanto se ofereceu para fazer o mesmo plano no dia seguinte. Giovane concordou.
Terça-feira, 14 de agosto de 2018, nosso protagonista vai para a escola apreensivo pensando em como vai ser, no que ele vai dizer..., mas durante a aula de história, nosso herói percebe que Sabrina estava muito impressionada com o professor novo. Estaria ela realmente afim do professor? Ou seria apenas uma brincadeira? Ele não sabia e isso o deixava apreensivo. Na próxima aula, a de matemática, a professora havia mudado Sabrina de lugar. E coincidentemente, o lugar que ela foi designada era bem perto do lugar de Giovane. Seria esse o destino colaborando mais uma vez para que tudo desse certo em sua vida?
No recreio, tudo estava combinado com Marcos. Só lhe restava sair da sala e seguir com o plano. Acontece que um amigo de nosso protagonista, conhecido pelo codinome Sem Mão, decidiu segui-lo e ver o que aconteceria e como acabaria. Giovane conta o plano à Sem Mão, que fica impressionado e diz que aquele plano era como fazer roleta russa com 5 balas. No entanto, Marcos demorou muito para fazer o plano e quando fez, não fez corretamente: Ele simplesmente disse para Sabrina que Giovane gostaria de conversar separadamente com ela, enquanto nosso protagonista apenas passava por ela e ia direto ao banheiro, pois estava muito tenso. Acaba o intervalo e Giovane se dirige à sala de aula. Na última aula, logo em seguida da de educação física, todos voltam para a sala e se preparam para a aula de matemática e provavelmente a coisa mais inesperada desse livro acontece: Ele pensando na vida como sempre, consegue ouvir Sabrina e Vinícius, um outro colega de sala, discutirem sobre voltar ao lugar anterior deles, e de repente ouve ela dizer que aquele lugar era bom porque ela conseguia ter uma boa vista de uma coisa. Instantaneamente nosso protagonista percebeu que essa "coisa" era nada mais nada menos que ele mesmo, até porque em certo momento dessa conversa ele pôde perceber Vinícius responder: Do G? Que foi logo respondido com uma resposta de Sabrina: Por que você não grita logo de uma vez?! Seguido disso, Vinícius em tom de brincadeira, aumenta levemente sua voz e repete a frase anterior. A teoria das cinco balas de Sem Mão acabara de ser refutada, pois com essas informações, suas chances aumentaram consideravelmente, deixando a arma com apenas uma bala. Estava muito claro para Giovane que Sabrina aparentemente gostava dele, mas não queria que isso fosse exposto. Passado certo tempo da aula, mais uma vez Sabrina diz que é um bom lugar e que ela consegue observar muito bem essa "coisa" e foi respondia por Vinícius: Mas do seu lugar anterior, você também consegue ver. E logo veio a resposta: Sim, mas daqui eu consigo ver mais de perto, logo esse lugar é melhor. Ele sabia que, ou se tratava dele ou de algum de seus amigos que sentavam perto, e estava bem convencido de que se tratava dele. Nesse momento, Giovane estava pulando de alegria por dentro, mas por fora só se via sua expressão mais comum: a de indiferença. Ninguém simplesmente olhando, poderia saber a felicidade que residia dentro de Giovane naquele instante. Ele foi para casa se sentindo renovado e feliz, só não voltou saltitando por motivos de masculinidade. O que aconteceria depois?
No dia seguinte, Giovane não foi para a escola. Ele havia ido ao médico, e como o sistema de saúde do Brasil não é dos melhores, não conseguiu voltar a tempo de ir para a escola. Ainda nesse dia, pela primeira vez ele decide tirar seu bigode e por incrível que pareça, se achou mais bonito e se sentiu deveras confiante em sua jornada. Por volta das 18 horas, conversa por mensagens com seu amigo Sem Mão e lhe conta sobre o que havia descoberto ouvindo aquela conversa, e para desanimar um pouco nosso herói, Sem Mão diz que o "G" mencionado na conversa, poderia ser de Gustavo, outro aluno da mesma sala, mas Giovane prefere acreditar que ela se referia a ele. Logo em seguida, começa a conversar com Marcos, que também fica ciente da situação e diz:
- Ela está brincando com você, cara...
- Não, estou tão confiante que apostaria cinco reais que ela não está brincando!
- Cinco reais? Apostado então! Mas para você ganhar, ela tem de deixar explícito que aceita você. Assim como para eu ganhar, ela deve deixar explícito que rejeita você.
- Claro.
Giovane não possuía cinco reais, nem sabia onde conseguir, mas estava confiante.
16 de agosto de 2018, nosso protagonista aparece na escola e diferentemente do último dia, não parecia tão tenso, parecia até mesmo confiante do que iria fazer. Logo Marcos apareceu:
- Está fechada a aposta de hoje?
- Com certeza!
- Você sabe que vai perder, né?
- Certamente que não, estou tão confiante que nem trouxe o dinheiro, como sinal de que sei que não vou falhar! – Cada frase que nosso protagonista falava, era dita com convicção.
- Se está tão confiante assim, suba a aposta para dez reais!
Giovane pensou por alguns segundos. Ele não tinha esse dinheiro em mãos, mas para mostrar confiança à Marcos e a si mesmo, subiu a aposta.
- Feito!
No instante que disse isso, o sorriso malicioso que habitava o rosto de Marcos fora substituído por uma expressão de espanto. Não podia acreditar que nosso herói estava tão confiante. Porém, durante toda essa conversa na aula, Marcos decide contar à professora de ciências sobre a aposta, e para a surpresa de ambos, ela havia achado uma aposta interessante.
15:30, havia chegado a hora do intervalo, a hora da verdade. Quando pôs o pé para fora da sala de aula, soube que duas coisas importantíssimas estavam em jogo: Seu futuro amoroso e dez reais, que podem não parecer muito, mas na época que o país estava... Ele achava que seria fácil, mas estava muito enganado, pois quando estava fazendo o reconhecimento do melhor lugar para a abordagem, pôde sentir sua perna fraquejar. Depois de dar algumas voltas na escola e consequentemente acabar encontrando com Sabrina no caminho, ele havia achado que estava pronto e quando foi procurar seu alvo em movimento, não o encontrou, no entanto, logo descobriu que ela estava sentada, com sua amiga já mencionada anteriormente. Não havia mais escapatória, teria de se declarar na próxima volta e podia sentir seu coração bater cada vez mais forte ao se aproximar do local. Infelizmente, ao chegar e estar preparado, se depara com mais 4 garotas conversando com Sabrina e sua amiga, o que fez nosso herói alterar o curso e ao invés de parar, acabou seguindo sua trajetória comum. Faria na próxima volta, não importava o que acontecesse, porém, ao chegar novamente e ver que só estavam ela e sua amiga sentadas, não conseguiu. Era como se uma força desconhecida o impedisse.
Bate o sinal para todos voltarem para suas salas de aula e nosso protagonista entra e percebe que teria uma aula vaga, e logo seu lamento em não ter conseguido se declarar, se tornou em forças para tentar agora que não haviam tantas pessoas lá fora. E mais uma vez não conseguiu, até que Sem Mão propõe um desafio: reproduzir um desenho de seu amigo Raul, um cara vidrado em desenhar, e Giovane aceita, pois ficar andando e se lamentando não era a melhor atividade. Chegando onde Raul estava, Sem Mão explica o desafio, porém, por algum motivo Raul pega uma folha e corta em duas, dando uma parte para Sem Mão e outra a si mesmo. Giovane não se importa. Na verdade, parecia não se importar com mais nada depois de ter fracassado em conversar com uma garota. Sem Mão reproduz um desenho de um homem com terno roxo e gravata que Raul havia feito. A única diferença, no entanto, foi que sua reprodução ficou parecendo o cruzamento de um desenho de uma criança sem talento com um feto malformado em um pote com formol. Após isso, aparentemente Sem Mão ficou tão entediado quanto nosso protagonista e decidiu voltar a andar, quando de repente veem Marcos e o namorado da amiga de Sabrina tentando tirar a namorada de Marcos e a amiga de Sabrina de um banco no qual estavam todas sentadas. Giovane pensou que poderia ser Marcos querendo ajudá-lo a conseguir, mas qual seria sua motivação além de perder dinheiro? E eles conseguiram tirar as garotas do banco, deixando Sabrina sozinha, que decidiu levantar e começar a andar, mas nosso herói não pensou em abordá-la, simplesmente não tinha a coragem para isso. E acontece que ele era um cara muito corajoso quando se tratavam de brigas e tudo mais (até enfrentou um bando de garotos que estavam o incomodando uma vez), mas quando se tratava de garotas, ele não sabia o que fazer. Depois disso voltou para a sala a tempo de acompanhar as duas últimas aulas de geografia. Contudo, no final da última aula, Marcos veio conversar com nosso herói:
- E aí cara, cadê meus dez reais?
- Eu não falei com ela, logo não tomei um fora, o que significa que eu ainda fico com meu dinheiro.
- Porra, cara. Qual a dificuldade? É só chegar lá e falar " eu estou afim de você, vamos ficar juntos? " E acabou.
- Se fosse tão fácil assim, eu já teria feito há um ano e oito meses atrás...
- Mas é fácil!
- Não para mim. Me falta coragem.
Então Marcos decide tomar uma abordagem mais agressiva.
- Olha lá a bunda dela como é grande! Você não quer ter isso?
Giovane continuava dizendo que não tinha coragem.
- Olha lá, o cara foi dar tchau para ela e passou a mão na bunda dela! E ela ainda deu risada! Você vai deixar o cara fazer isso com sua futura esposa?
O sangue de Giovane fervia, como se ele mesmo fosse explodir a qualquer momento, mas ele era um cara calmo e conseguiu se manter normalmente apenas dizendo " calma e tranquilidade " a si mesmo enquanto Marcos dizia:
- Se amanhã você não conseguir, você vai ter de dizer para todo mundo que você é um merda e eu sou superior!
- Okay, já me considero um merda normalmente...
Mas aquela conversa lhe deu forças para o que ele faria no dia seguinte.
Dia 17 de agosto de 2018, nosso herói está prestes a sair de casa, enquanto seu pai assistia tevê, e de relance, pôde ver a notícia mais bizarra que já havia visto em toda a sua vida: " Homem-Aranha do crime " que aparentemente era um ladrão que escalava prédios tão bem que recebeu esse nome.
Chegando na escola, pronto para fazer um trabalho de artes, acaba descobrindo que haveria outra aula vaga, já que sua professora tinha faltado, o que o deixou feliz e enraivecido. Quando já havia saído da sala e estava andando pela escola, começa a falar com Sem Mão desse livro que está sendo escrito agora mesmo.
- Vai ter muita coisa nesse livro!
- Essa conversa também?
- Provavelmente, já que eu vou colocar qualquer coisa que pareça insignificante o suficiente no lugar de alguma informação que seria crucial, ou seja, essa conversa vai direto para ele.
- Bem, isso não seria meio que...
- Um Inseption muito foda!
- Eu ia dizer quebra da quarta parede, mas Inseption também está valendo.
- Não é bem uma quebra da quarta parede. Eu só estaria fazendo isso se eu dissesse: " Ei, você aí que está lendo esse livro, como é que você está? "
- É, realmente...
Ao andar, se deparava algumas vezes com Sabrina andando com Marcos e outra pessoa não apresentada anteriormente: Kauã. Em algum momento, Marcos tentou parar Giovane o empurrando e lembrando que ele tinha de concluir sua tarefa naquele dia, ou então seria um fracassado.
- Você tem até hoje para conseguir.
- Veja bem, meu amigo, até a meia-noite ainda é hoje.
E essa foi uma sacada bem esperta, tenho que admitir. Enfim, nosso protagonista continuou andando um pouco até que...
- Giovane! Chega aqui! – Disse Marcos aos berros sentado em um local perto de uma árvore.
- Porra... – Disse Giovane.
E foi andando até chegar a ele.
- Que foi, cara? – Perguntou em tom de desânimo.
Eu preciso que você tire uma foto.
" Uma foto? " Pensou Giovane, achando que poderia ter um esquema armado por Marcos.
- Ok, vamos lá!
E foram caminhando em direção à uma outra parte da escola. Quando chegaram, nosso herói se pôs em posição e segurando o celular de Marcos, estava pronto para fotografar. Enquanto olhava para a tela do celular, podia ver Sabrina e sua beleza, ao mesmo tempo que pensava " Caralho, eu sou um merda meu irmão! " E tirou a foto. No entanto, o que não sabia, é que quando já ia se retirando do local, Marcos o chamou e disse:
- Não, cara. A gente só quer que pegue essa parte da parede.
- Ah, ok.
E novamente estava em posição observando Sabrina pela câmera, e logo tirou outra foto. E dessa vez, conseguiu voltar à sua rota sem ser chamado mais uma vez. Andava e andava, sem rumo, sem destino, sem coragem, quando com sua super audição pôde ouvir Sabrina discutindo com Marcos, atrás dele.
Ouvindo isso, ela decide desafiar Marcos para uma briga, e ele logo se acovarda. Como Giovane, ele não tinha coragem. Quanta hipocrisia, não é mesmo, caro leitor? No entanto, ele logo teve uma ideia.
- Vai lá e usa essa raiva no Giovane!
E Giovane continuava andando na frente apenas ouvindo essa conversa, quando foi chamado.
- Giovane! Chega aqui!
E lá ele foi conversar com ele.
- O que foi dessa vez?
- A Sabrina quer te dar um soco.
Mas ela não queria.
- Não, eu não vou! – Disse ela.
- Por que não? – Perguntou Marcos
- Porque eu estou com raiva de você, não dele!
Mas depois dessa breve conversa, Giovane notou um olhar de Sabrina dirigido ao nosso herói. Sabrina realmente teria olhado para ele da forma que imaginava? Ou só estava ficando louco? Descobriria tudo isso em breve...
Dia 18 de agosto de 2018, sábado, por volta das 22:30 da noite Giovane é contatado por Marcos com uma mensagem:
- E aí, cara?
- Opa.
- Tudo beleza, cara?
- Tudo de boa.
- Então, cara... eu acho que você perdeu a aposta.
- Não, pois a aposta não tinha prazo. A única coisa que tinha prazo era eu dizer que sou um merda e a sexta já passou, então você foi enganado...
- Aí é que está, meu amigo quem está se enganando é você mesmo. O único que está sofrendo por amor é você.
- Sim, mas ainda assim, a cada dia minha coragem vai aumentando...
- Não se iluda meu pobre amigo. Esse seu coração não merece sofrer!
- Eu estou apenas contando os fatos.
- Não ame aquela garota, ela não merece você.
- Se fosse tão fácil assim... E você não vai me fazer desistir, porque sou brasileiro e brasileiro não desiste nunca!
- Entendo, apenas não quero que sofra por algo que não tem futuro.
- Eu já sofri para caralho, eu tentar isso não vai aumentar a dor que eu sinto por não estar ao lado dela.
- Você realmente quer isso, não quer?
- Sim, porra!
- Para que você possa ver que eu não estou mentindo. Eu nunca disse isso para você, porém... eu realmente não tenho nada para fazer.
- Etcha porra!
- Sim, essa foi a única palavra que você nunca me ouviu dizer.
- E qual seria? – Perguntou Giovane apenas para ver Marcos admitindo que estava tão perdido quanto ele.
- Eu não sei o que fazer.
- Ca ra lhou.
- Por conta dela, não tem muito o que fazer.
- Isso mostra que é um caso absurdamente difícil.
- Sim, porém não impossível.
- Até porque nada é impossível, exceto o Palmeiras ganhar um Mundial. Isso é impossível.
- Kkk verdade. Como eu já vi que você não vai desistir da Sabrina...
- Certamente que não.
- Eu vou pelo menos tentar ajudar.
- Que bondoso.
- Porém, como nada na vida é perfeito, eu vou usar minhas técnicas...
- Caralho. Tenho trauma dessas técnicas.
- Pode apostar! Até porque, eu aprimorei elas...
- Acho bom mesmo, kkk
- Porém não foi para um lado bom! Foi para um lado mais extremo.
- Puta merda.
- Eu já pensei no que vou fazer. Funciona muito em filmes e novelas.
- Diga-me.
- Vou trancar vocês dois, em algum lugar sozinho.
- Caralho. – Giovane já sabia que aquele plano não iria funcionar, porém decidiu ouvir até o fim.
- Vai ser perfeito. Você vai ver, aí é por sua conta. Na verdade, a parte mais difícil sempre vai ser para você.
- Eu estou com um certo medo do que pode acontecer.
- Ela pode falar tudo que sente por você, ou ela pode ficar de fato com você.
- Ou pode não acontecer nada.
Depois de um tempo de conversa Marcos se convenceu de que seu plano não era dos melhores. Até que disse:
- Eu te ajudo e você me ajuda. Eu te ensino o que sei, e você o que sabe...
- O que exatamente você precisa?
- Eu quero saber como você pensa tanto e quero saber como você é tão concentrado, etc....
- Caralho, sério?
- Sim.
- Ok, aqui vai. Não tem segredo: Você só tem que pensar que sua vida dependesse daquilo. Mas, o lance de ser pensativo, acho que é porque eu não tenho muito o que fazer, apenas pensar.
- Ótimo!
- Espero ter ajudado.
- Ajudou sim, muito obrigado. Agora o que você precisa?
- Fora o lance da Sabrina, nada.
- A melhor opção seria chegar nela em alguma hora em que ela estivesse sozinha ou falar que é uma conversa em particular.
- Sim, o lance é que eu preciso de coragem.
- Quer saber, você transmite confiança. Algo que eu queria muito transmitir.
- Só reprimir suas emoções e mostrar nos momentos mais cruciais.
- Como assim?
- Você nunca sabe se eu estou feliz ou triste, certo?
- Certo.
- Mas as minhas emoções mudam. Tudo que eu faço é mostrar o que eu quero que os outros vejam: A minha cara de indiferença de sempre.
- Porra.
- É basicamente só isso.
- Valeu, cara.
- Você me ajuda muito, estou retribuindo.
- Muito obrigado. Mesmo, cara.
- Não há de quê.
Dia 19 de agosto de 2018, Marcos envia uma mensagem por volta das 21:00 para Giovane:
- Cara, estamos na mesma situação. Eu me apaixonei e ela não dá bola para mim. Fudeu, eu me apaixonei. Isso não é natural no universo.
- Vamos conversar.
- Fudeu.
- Você se fodeu.
- Sim, Fudeu. Eu me apaixonei e isso não é normal da porra da natureza! Eu sou Marcos Ribeiro, não posso me apaixonar!
- Agora sente o que eu sinto há quase dois anos. Não é fácil quando é com você, né?
- Literalmente não. Mano, ela é maravilhosa e não me dá bola. Nem com meus truques e experiência não consigo.
- Você sabe que se eu conseguir ficar com a Sabrina e você não pegar essa mina, o mundo deu uma puta volta.
- Sim.
- Algo de errado não está certo.
- Nem um pouco. Mas, mano ela é perfeita! Pensa na Sabrina e multiplica por 20.
- Impossível!
- Juro.
- Para mim não existe nenhuma garota na face da terra que se compare à beleza da Sabrina. Acho que o amor faz isso...
- Mano, Fudeu. Eu me apaixonei. Pera aí...
- Eu poderia ser muito cuzão e não ajudar, mas você tentou me ajudar, então farei o que puder.
- Pronto. Não sou mais apaixonado.
O amor não é brincadeira de criança, é coisa séria e não se livra do amor tão rapidamente. E Giovane sabia disso, então ou Marcos não estava apaixonado desde o início, ou ainda estava apaixonado ou talvez estivesse inventando tudo aquilo.
- Ata kkk.
- Sério, passou. Eu me controlei.
- O amor vai e vem como uma montanha-russa.
- Não. Não comigo.
E foi então que nosso herói se preparou para fazer um dos melhores discursos de todos os tempos.
- Você pode ter esquecido agora, mas vai pensar nela de novo. E aí fodeu. Mas, se tem uma coisa que eu aprendi é que você tem que insistir...
- Não. Foda-se.
- ... até não ter mais forças. Você não vai esquece-la, apenas aceite o destino. Se você não tentar, alguém vai e você vai ficar muito arrependido. Então você não vai desistir, porra! Logo você, o cara que me incentivou a correr atrás da Sabrina, não pode simplesmente desistir. Essa pode ser a mulher da sua vida, então você teria que ser muito burro para deixar de tentar. E é por isso que você vai correr atrás dela.
Esse foi um puta discurso. Foi tão bom que parece que foi redirecionado a si mesmo e deu forças para ele fazer o que faria amanhã.
Dia 20 de agosto de 2018. O que nosso herói fez? Nada! Até tentaria falar com Sabrina, mas o problema é que não a via. Ficou todo depressivo por passar mais um dia sem conseguir e foi para casa. Chegando lá, sente uma certa fome e decide fazer uma omelete. Uma coisa que deve ser dita anteriormente, é que independente de quanta pimenta do reino colocasse, não conseguia sentir a picância que deveria. Fazendo a omelete, coloca pimenta do reino e seus dedos ficam sujos. Logo vem seu pai, com uma má intenção.
- Lambe a pimenta aí para você ver que não arde quase nada.
Giovane confiava em seu pai então provou e por um segundo pensou " nossa, não arde mesmo ", mas estava muito enganado e arrependido, pois depois de dizer isso, pôde sentir sua língua queimando como carvão em brasas, então pensou " vou tomar um copo de leite e estará tudo resolvido ", acontece que no momento a caixa de leite que estava na geladeira, havia acabado e Giovane teve que esperar cerca de trinta segundos de pura dor e sofrimento até conseguir abrir outra caixa de leite.
Esse pequeno conto não interfere em nada nossa história, mas achei que deveria ser compartilhado.
Quinta-feira, 23 de agosto de 2018. Nosso herói já está na escola durante a terceira aula, esperando o sinal para o intervalo. Ao ouvi-lo, Giovane, como sempre, começa a andar em voltas, porém, mais uma vez se depara com Sabrina, mas dessa vez ela não está andando, e sim parada com algumas garotas, o que eliminava completamente a possibilidade de tentar fazer seu plano, então apenas segue seu caminho. Voltando para a sala, ele não sabia, mas sua vida que já era depressiva, estava prestes a ficar pelo menos três vezes pior, por um tempo. Ao entrar e sentar em sua cadeira, pôde ouvir Yasmin, sua prima, dizer claramente que era um cupido, logo em seguida Sabrina conversa com alguém que ele não conseguira identificar, mas ouve a seguinte frase durante a conversa " Eu virei e dei um beijo na mina ". Naquele momento, não sabia o que fazer. Seus olhos começaram a lacrimejar como se estivesse cortando um milhão de cebolas enquanto um anão tailandês chicoteava suas costas. Sentiu que todo o sentido de sua vida havia acabado, sentiu-se como se o chão que estava aos seus pés havia desabado. Para esconder sua tristeza de todos e de si mesmo, Giovane adotou um comportamento bem agressivo, mas enquanto conversava com Marcos ouviu-o dizer:
- Vamos fazer uma aposta amanhã. Tipo os gringos jogam pôquer e apostam salgadinho essas coisas, já a gente que é fudido aposta bala. A gente poderia, sei lá, jogar algum jogo de azar tipo pôquer, truco...
- Eu toparia um truco. – Disse nosso protagonista.
- Ok, então amanhã todo mundo traz bala para apostar e a gente joga um truco.
Chegando em casa, de noite, Giovane decide contar a seus amigos sobre o motivo de ter ficado tão furioso a partir do intervalo, exceto por uma parte que ele não conseguia parar de rir como se fosse um retardado " Bebidas Xabás ". E ao contar para Semeão, ele recebe um discurso motivacional quase tão bom quanto o que havia feito para Marcos.
- Giovane, sabe o que você precisa?
- O que?
- TVNC
- Wtf?
- Tomar vergonha na cara.
- Porra, semeon.
- Criar coragem e ir.
- Sim. Só preciso do meu bigode, ele me transmite segurança.
- Não deixe que coloquem o dedo na sua cara e digam quem você é!
- Minha autoestima começou a subir...
- Virou mó conversa motivacionap. Maldito correto. R.
- Maldito analfabetismo!
- Cara, você é o cara!
- É bizarro que eu nunca pensei que não conseguiria por falta de coragem, mas sim por rejeição.
- Você vai conseguir. Se tiver a lábia mais do que perfeita, você é imbatível!
- Sim, eu só preciso chegar nela.
- E puxar um bom papo.
- Com puxar um papo, você deve saber que eu vou chegar fazendo a proposta.
- Hum, é mesmo?
- Se a porra do Marcos tivesse seguido o plano...
- Então quando você chegar nela, já sabe...
- Agora tenho que ir.
- Vou recobrar o favor do Marcos, mas falous.
- O Kauã está mandando eu jogar com ele.
- Olha só, escravatura, mas falous.
Naquele mesmo dia, ele cobrou o favor e Marcos concordou em ajudar.
Dia 24 de agosto de 2018, na escola durante a primeira aula que deveria ser de artes, mais uma vez é uma aula vaga. Ao andar com Sem Mão e Raul, como sempre nosso herói se depara com Sabrina sentada com algumas amigas. Dando algumas voltas, durante uma delas, ao passar pelo grupo de garotas, nosso protagonista consegue ver claramente Sabrina olhar diretamente para ele por cerca de três segundos. E não era qualquer olhar, era um olhar tão certeiro que não havia a possibilidade de ela estar olhando para algum outro lugar. Esse fator somado às informações que Giovane havia conseguido ouvir ao longo do tempo, lhe dava uma chance de 99% de Sabrina estar afim dele.
Feliz para cacete, depois que a aula vaga acaba, volta para a sala e vai fazendo as lições até chegar a última aula de geografia. Todos haviam se lembrado do que Marcos havia combinado sobre o truco. Mas ninguém trouxe um baralho.
Depois de tudo isso, com sua confiança, nosso herói faz uma das coisas que mais se arrependeria em sua vida, ele decide aumentar a aposta que havia feito com Marcos para 20 reais. Se ele conseguisse, seria ótimo ganhar esse dinheiro, mas Giovane não pensou no caso de não ganhar a aposta, pois estava cego pela ganância do dinheiro fácil. Marcos aceita a proposta e dessa vez foi mais esperto por ter colocado um prazo de dois dias na aposta.
Durante alguns dias, nada de tão importante acontece que deva ser mencionado nesse livro. Isso até o dia 30 de agosto de 2018...
Giovane decide que pediria Sabrina em namoro durante o recreio, mas para isso precisaria da ajuda de Marcos, que concordou em ajudar depois de certas negociações.
É chegado o intervalo e a tensão estava subindo, até porque agora além de Sabrina, 20 reais estavam em jogo, e nosso herói não tinha nem perto disso...
Giovane anda durante o recreio procurando Marcos e acaba o encontrando.
- Então, cara... agora seria uma ótima hora para aquela ajuda...- Disse nosso protagonista.
- Ah, sim claro, claro... A gente só precisa encontrar a Sabrina...
E lá se vão Marcos, Giovane e Thiago (Não o Sem Mão) procurando a garota. Até que Marcos tem uma genial ideia (sem sarcasmo).
- Giovane, faz o seguinte: fica ali na árvore que eu vou ver se eu encontro ela e chamo-a aqui.
Nosso herói concordou com a cabeça e foi se dirigindo à árvore. Chegando lá, não parava de pensar o que iria dizer, até que de relance, consegue ver Marcos caminhando com Sabrina em sua direção. Eles haviam chegado.
- Então, o Giovane tem um negócio para te falar...
"É agora", pensava Giovane. Não havia mais escapatória.
- É então, é sobre o lance que eu ia falar ontem... Sabrina eu sou absurdamente afim de você, e você sabe disso, então... quer namorar comigo?
- Então... no momento eu não estou disponível..., mas se quiser a amizade, estamos aí.
Ele se sentia arrasado, detonado, zuado, fudido, quebrado.
Aquelas palavras ecoaram na cabeça de Giovane, que agradeceu a Sabrina por ter cedido seu tempo e foi embora andando. Por incrível que pareça, ele se sentia libertado. Triste, porém, libertado.
E nossa história termina aqui com um final não tão feliz(ou será que não?).
E com essa finalização, eu agradeço por ter tirado um tempo do seu dia para ler isso.
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2019.08.25 16:40 NattanViscardi A Primeira Batalha de Amnom - Luxúria

Amnom sentia seu peito saltar em uma mistura de ansiedade e apreensão. Mal havia saído do mosteiro onde recebera por anos treinamento e ensinamentos sobre a Luz e já havia se envolvido numa prova grande de sua fé: livrar uma vila de um demônio.
O garoto em prantos que descreveu a condição do corpo de seus pais não havia lhe deixado dúvidas. Olhos tomados de negro, veias escurecidas pelo corpo, pele pálida, boca seca... suas almas foram certamente sugadas por algum tipo de demônio, só faltava saber qual. Mas Amnom não se importava tanto com isso. Apenas ergueria seu símbolo sagrado para a primeira criatura hedionda que encontrasse e deixaria a Luz o consumir sua forma nefasta. Ainda assim, não conseguia espantar a ansiedade e um pouco de medo de seu coração. Andava apressado na direção da estalagem local com seu grande livro sagrado sob o braço esquerdo e os dedos da mão direita nervosamente tamborilando o punho da adaga em sua cintura. “Conseguir informações e ir atrás do demônio” repetia na cabeça para manter o foco. Era a primeira vez em anos que ia num local devotado aos prazeres da carne. Não deixava de ser uma prova também.
Não havia música ou dança, apenas alguns homens bêbados falando alto uns com os outros, alguns debruçados sobre a mesa, alguns roubando os que estavam debruçados sobre a mesa, cortesãs se aproveitando dos embriagados para conseguir clientes... Amnom não sabia se sentia dó ou nojo daqueles perdidos na escuridão. O cheiro de álcool e vômito acabou fazendo ele optar pelo nojo enquanto se apressava para chegar ao balcão. Tentou escolher um lugar que se sentasse próximo das pessoas menos repugnantes. Sentou-se aentre um elfo negro e uma dama de aparência agradável.
Ele chamou o atendente para pedir informações, mas tudo que obteve foi uma bronca por ocupar um lugar no balcão sem intenção de comprar nada. Frustrado, se levantou para ir embora, mas a dama ao seu lado se levantou junto e o impediu tocando em seu braço.
— Não pude deixar de ouvir... — Disse ela aproximando o rosto para que pudesse falar baixo e ser ouvida por ele — eu acho que sei algo que pode te ajudar... — Olhou em volta — Mas não aqui. Venha, estou com um quarto alugado aqui.
Amnom concordou com a cabeça. Estava aliviado de que não sairia dali de mãos vazias e se apressou em segui-la até o quarto.
— Por favor, fique à vontade — disse ela quando fechou a porta do pequeno quarto — É uma longa história — suspirou meio cansada
O clérigo assentiu com a cabeça e pôs um pouco o livro sagrado sobre um pequeno móvel ao lado da porta. Se aproximou da jovem para ouvir. A garota olhou para ele com seus olhos verdes amendoados e seu rosto triste emoldurado pelos curtos cabelos negros que quase cobriam um dos olhos antes de descer até a altura do pescoço. Os lábios escuros e marcados pela maquiagem sutil se apertaram e ela fez cara de choro aparentando não suportar os horrores das memórias. Amnom teve dó da garota e esticou a mão para seu rosto tentando a reconfortar. Passou um instante procurando palavras para a acalmar, mas ela se agarrou de repente ao corpo do clérigo o abraçando enquanto chorava. O corpo magro e mais baixo entre os braços de Amnom ativava nele um instinto protetor que a abraçava com força. Era agradável o cabelo sedoso em contato com seu rosto, as curvas do corpo encostado nele, o volume de seus razoavelmente fartos seios contra seu tórax, as pernas entrelaçadas de ambos, os beijos delas na base de sua orelha, as mãos dela deslizando em suas costas, as mãos dele deslizando nas costas dela... Espera, o que?
Amnom se viu beijando a pele avermelhada do pescoço da jovem enquanto ela soltava pequenos gemidos de prazer agora deitada na cama. As mãos dele deslizavam entre a roupa e a pele desnuda dela aos poucos a despindo. Era ótimo. Olhou para aqueles lindos olhos de íris amarela sobre o fundo negro. Meio fechados, o olhavam com desejo. Os chifres projetados do lado da cabeça pressionavam o colchão quando ela virava o rosto em gemidinhos e as grandes asas negras contornavam-no como se o abraçassem... Asas? CHIFRES?
“O que estou fazendo?” Se perguntou apavorado, embora sua mão agora subisse até o seio dela, simplesmente não conseguia parar de a apalpar. A criatura gemia mais enquanto ele tocava o corpo dela. Era bom.
— Você... hm... gosta do meu corpo? — perguntou ela em sussurros — De meus seios em suas mãos?
— Sim. — murmurou rouco. “NÃO” gritou em sua mente. Ele não consegui controlar nem o que dizia nem o que fazia enquanto as mãos terminavam de a despir para que ele pudesse observar o corpo torneado dela.
Uma Súcubo. Só podia ser uma. Havia sido descuidado e agora estava enfeitiçado por ela. Mas era uma maneira estranha de feitiço. Não era como se não tivesse controle algum sobre seu corpo, pois ele queria de fato fazer o que fazia. Queria continuar pressionando e esfregando-se contra a pélvis dela para que ela o sentisse ereto por de baixo das calças. Fazendo assim ela gemer aos poucos e se erguer para tirar sua roupa numa vontade incontrolável de... Não, não, não! Foco!
Amnom tinha que acabar com aquilo o quanto antes. A cada instante que passava naquele feitiço, mais sua vontade de se render a ela aumentava. Talvez já tivesse o feito se não fosse sua fé na Luz. Conseguiu tirar o olho do seio redondo do demônio por um momento para espiar sua própria cintura e... Onde estava sua adaga? Ou seu cinto? Onde afinal estavam suas calças? Percebeu que o que estava em volta de sua cintura era na verdade as pernas dela, Puxando sua pélvis desnuda para esfregar suas partes íntimas uma na outra. Sentia-a molhada em contato com ele se revirando só de se esfregar em gemidos um pouco mais altos... parecia gostar... parecia de verdade... Não! Era uma Súcubo. Uma maldita criatura feita para enganar um homem com essas coisas. tinha que tirar esses pensamentos da cabeça se quisesse sobreviver.
A adaga estava fora de alcance. O livro sagrado também. Talvez o Símbolo sagrado em seu pescoço... mas mal conseguia traçar um plano, pois a cada segundo se distraía com os gemidos e olhares da criatura.
Não. Não podia ser tão difícil. “Eu sou um clérigo da luz” disse a si mesmo “eu estou acima desses encantos abissais". Ele só precisava erguer o corpo, recuar a cintura, se jogar sobre seu martelo e o brandir no ar entonando uma prece. Assim o fez. Colocou as mãos dos dois lados do corpo dela se apoiando para levantar como se fizesse uma flexão. Recuou a cintura tentando desencostar da genital dela, mas ela rapidamente abaixou a mão e pegou a dele. Encaixou e o puxou com as pernas. Amnom não sabia se ela tinha sido absurdamente forte ao puxar-lhe ou se ele mesmo cedera ao movimento, mas se viu penetrando a demônio numa descarga de prazer, desejo, mas, lá no fundo, nojo de si mesmo. Ver ela empurrando a própria cabeça contra o colchão enquanto gemia de boca aberta com os olhos se revirando era demoniacamente instigante. O calor, o quanto deslizava fácil ainda que prazerosamente apertado. Tentou sair novamente, mas a cintura o traiu avançando novamente. O braço tremeu. “O que foi isso?” fitou de canto o próprio braço e mais uma vez o viu tremer e por um instante fraquejar. Já estava perdendo as forças. Era tarde de mais, não havia mais como se desvencilhar da Súcubo. Já a estocava com a cintura várias vezes e a via se remexer e gemer sob ele. Não aguentava mais o peso do próprio corpo. Se deixou cair sobre ela tendo a queda curta confortavelmente amortecida pelos seios dela. Tentou se agarrar a algo. Só havia ela. Se agarrou a ela pressionando o próprio peito contra o dela enquanto via sua vida esvair naquela situação hedionda e prazerosa. O que mais odiava era como aquilo era bom. Como ele mesmo suspirava a cada vez que penetrava ela. Quase tudo era quente... apenas algo gelado em seu peito. O que seria?
Arregalou os olhos.
—Lucem vobis uri — conseguiu entonar com suas últimas forças.
O símbolo sagrado em seu peito, pressionado contra o dela emitiu uma luz forte. Ambos pararam imediatamente os movimentos para em seguida a Súcubos começar a se debater e guinchar como um animal sendo ferido. Ela tentou se livrar de Amnom, mas agora ele havia recobrado suas forças e parecia ter sido ela quem ficara sem.
Amnom apertou o abraço e usou o próprio peito para forçar o símbolo contra o dela. A criatura emitiu todos os tipos de sons horrendos. Indo de berros de dor a relinchos deformados. Cravou as garras nas costas dele o fazendo gritar de dor com ela, mas não a soltar. Empurrou a cara dele. as garras penetram a pele na testa e desceram rasgando na direção do rosto, mas ao chegar no supercílio, ela parou. O braço caiu na cama, os olhos ficaram pálidos, a cabeça pendeu para o lado e os gritos se encerraram.
Amnom fechou um dos olhos cegado pelo escorrer do sangue. Se levantou e pôde observar um buraco cauterizado desde a superfície do peito até o coração dela. Era grande o suficiente para por cinco centímetros do cabo de uma lança. Fedia a carne queimada.
O clérigo se levantou completamente. Se deu conta nu. Levou a mão à cabeça atônito e, quando a tirou, viu-na coberta de sangue. Caiu de joelhos aos prantos de desespero e, agarrado ao símbolo sagrado, começou a rezar.
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2018.07.02 03:02 PossessedBroccoli Primeira namorada e um final não tão feliz

Primeiramente gostaria de pedir desculpas pelo texto enorme, mas foi o jeito que achei de contar toda a história. Coloquei um TL;DR no final.
Há um tempo atrás conheci uma garota no Facebook. Foi através de uma postagem de um amigo em comum, que começou a assistir uma série que ambos já haviam assistido. Nos adicionamos e depois de conversar bastante, vimos que tínhamos muita coisa em comum e simplesmente não faltava assunto, então depois de algumas semanas de ótimas conversas e diversas risadas acabamos por combinar de nos encontrar pessoalmente em uma ida ao cinema.
Foi nessa ida ao cinema, que o jeito tímido de ambos ficou muito claro, porém como a gente já tinha bastante assunto das conversas pela internet, logo veio o quebra-gelo e nós conversamos durante todo o nosso encontro. No final, rolou um clima e nós ficamos. As semanas seguintes a esse acontecimento foram as melhores da minha vida, com diversos encontros em lugares que ambos gostávamos, pensei que havia encontrado minha alma-gêmea. Foi então que resolvi tomar um novo passo: pedí-la em namoro, e ela aceitou com um enorme sorriso no rosto.
Os primeiros meses de namoro foram perfeitos, até que depois de cerca de 8 meses ela foi se mostrando cada vez mais "instável": brigas constantes sem motivo, ciúmes de colegas de trabalho que estavam adicionadas no meu perfil do Facebook, ciúmes do tempo que eu passava com a minha família (e que segundo ela, poderia estar com ela). Foram diversas amizades perdidas, vários hábitos antigos (como reunir os amigos e jogar videogame) interrompidos a pedido dela. Quando decidi entrar na academia pois queria fazer alguma atividade física, ela surtou e disse que eu só iria pra lá para xavecar outras mulheres.
Nesse momento eu estava sofrendo e pensando 10x antes de puxar assunto sobre qualquer coisa, para não gerar uma briga. Até que numa atitude diplomática e depois de muita insistência da minha parte, sentamos para conversar e tentar resolver essas pendências. Nesse dia, ela explicou que tinha diversos problemas familiares, problemas de personalidade e que desde mais nova sofria de depressão, chegando até a se ferir algumas vezes. Isso foi um baque enorme pra mim, que jamais tinha lidado com algo assim.
Pensei que podia mudar essa mentalidade dela, que o amor que nós tínhamos era suficiente pra "curá-la" de toda essa agonia. Porém eu estava muito errado, daquele dia em diante o relacionamento entrou em um enorme declive: eram brigas diárias, destratos e muita pressão psicológica e eu, sem entender nada disso e sempre dando o meu melhor, acabei sofrendo com tudo isso até que com cerca de 1 ano e meio de namoro, nós terminamos e cortamos contato. Ela acabou aceitando o término, depois de muito chorar e se declarar dizendo que não conseguiria ficar longe de mim. Meio que por uma enorme ironia da vida, na mesma semana desse término, a empresa onde eu trabalhava na época fez um corte de gastos e eu fui demitido junto com diversos outros empregados.
À partir daí, foram semanas difíceis, eu passava grande parte dos dias triste e me perguntando onde eu havia errado, o que eu havia feito para merecer tudo aquilo. Eu estava sem ânimo pra sair de casa ou fazer as coisas que eu mais gostava, quase cheguei a desandar na faculdade por conta disso. Esse término acabou mexendo com minha personalidade, aquele rapaz que apesar de tímido, era alegre e sociável acabou se tornando sério, quieto e reservado, mudança que foi notada até por minha família.
Porém, quando eu fui começando a me conformar com tudo aquilo e seguir com minha vida, recebi a ligação de um processo seletivo que havia feito uns dias atrás avisando que eu havia passado e que seria contratado por essa nova empresa. Uau! Aos poucos, minha vida ia voltando aos trilhos. E assim, comecei a trabalhar nessa nova empresa, que ficava em outra cidade. Às vezes trabalhava aos finais de semana, porém não achava isso ruim pois era fazendo algo que eu adorava e o salário era satisfatório para manter um estilo de vida confortável e ainda ajudar meus pais. Porém, cerca de três meses depois, a minha ex-namorada, meu primeiro amor, retomou o contato comigo dizendo que queria tentar novamente.
Ela dizia que havia mudado, que tudo aquilo estava no passado e que dessa vez tudo seria diferente. Eu, ingênuo e empolgado com essa fase de boas notícias, aceitei e começamos a sair de novo. No começo, eu estava meio receoso por conta das marcas que ficaram da experiência anterior, porém tudo parecia fluir positivamente. Realmente, ela havia mudado e não rolavam mais brigas como antigamente, porém ela ainda exercia uma pressão psicológica imensa em cima de mim, revertendo toda situação para tentar me fazer ser o vilão da história e se fazer de vítima.
Como eu já não dispunha de tanto tempo quanto antigamente, logo vieram também as reclamações de que "eu passava muito tempo no trabalho", "eu não estava me dedicando", "eu ia todo dia para a academia" e outros argumentos mais, todos baseados em ciúmes infundados. Desde a primeira vez que namoramos, eu nunca fui aquele tipo de cara que ficava xavecando outras mulheres, sempre fui um cara que só queria se dedicar ao máximo no namoro que já possui, e isso não mudou até hoje.
Minha "nova" personalidade também a incomodava. Eu, que era amável e carinhoso estava um pouco frio e distante, e não receber a atenção na mesma quantidade que antes a irritava demais. Com isso logo voltaram as crises de ciúmes e a mesma rotina de brigas constantes e desentendimentos sem motivo, junto com a pressão psicológica super pesada que ela exercia em mim, até que essa situação toda me cansou e me fez terminar novamente hoje. Nos momentos em que via que eu não entrava na onda, ela dava chilique dizendo que iria sumir da minha vida ou que iria voltar a se machucar como no passado antes de me conhecer.
Mesmo tendo amadurecido depois da primeira vez, dói demais pensar que deixei amizades para trás, hábitos que eu adorava por conta dela. Porém escrever esse desabafo aqui tirou um pouco do "aperto" que eu sinto no peito agora.
Todos dizem que término não é algo fácil e que isso vai sarar com o tempo e quando eu começar a ocupar minha mente com outras coisas, porém tá bem difícil de lidar nesse momento. :(
TL;DR: Conheci uma garota e ela foi minha primeira namorada, porém ela ficou instável depois de um tempo e terminamos por causa de muitas brigas e pressão psicológica dela. Depois de um tempo tentamos fazer o namoro dar certo de novo porém acabou sendo pior e terminamos novamente hoje. Perdi amigos e minha personalidade mudou um pouco nesse processo. Estou arrasado nesse momento.
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2018.04.20 20:34 CarroR24311 Como eu uso o Tinder pra despertar a “GP” interior em algumas mulheres

PRIMEIRO PASSO - O PERFIL
Bem, meu objetivo no Tinder sempre foi obter encontros com finalidade estritamente sexual, mas ao mesmo tempo precisava manter minha identidade preservada. Não estava buscando uma namorada, amante, crush, ou nada do tipo. "Ah, CarroR24311, mas não seria mais fácil então sair com uma GP?" Sim, seria...mas minhas motivações nem sempre são muito simples de serem definidas ou explicadas; encontro prazer no inusitado, no inesperado, na surpresa. Gosto de jogos, e me pareceu um jogo interessante essa "pescaria"...jogar a isca e ver quem nesse universo tão variado de meninas que aparecem todos os dias na descoberta do Tinder cairia na minha rede. Sabia desde o primeiro momento que seria uma loteria...sair com meninas das quais eu não sabia nada, das quais não tinha nenhuma informação senão meia dúzia de fotos e uma descrição que geralmente se resumia a signo, altura, gosta da série tal, dispensa quem quer apenas sexo (essa parte geralmente era a mais engraçada, por motivos óbvios).
Assim, o primeiro passo foi criar um facebook apenas com a finalidade de usar o Tinder, já que é obrigatório vincular uma conta do face ao Tinder. Feito isso, é hora de criar o perfil...por via de regras, no Tinder as pessoas avaliam as outras com base nas fotos e uma breve descrição. No meu caso a minha foto não mostrava a minha pessoa, mas sim uma sugestão sobre o meu objetivo ali. E minha descrição era bem objetiva, do tipo "Sou casado, busco relacionamento sexual e como retribuição ofereço um valor de até $$$ por cada encontro. Não busco romance ou namoro, ofereço e exijo o máximo de discrição".
SEGUNDO PASSO - A PESCARIA
Nesse momento se define o que se deseja, podendo limitar sua escolha por localização e faixa etária. No meu caso, no começo eu defini que gostaria de visualizar apenas meninas de 18-22 anos e localização de até 160 km do meu local. Nesse primeiro momento eu geralmente dava likes indiscriminadamente, queria mais ter um feeling se meu perfil iria fisgar a atenção de alguém. Logo no primeiro dia consegui 8 matchs, e então passei a ser mais seletivo, reduzindo o "range" de distância e concentrando meus likes apenas nas meninas que de fato me chamavam a atenção.
TERCEIRO PASSO - DEI MATCH, O QUE FAÇO AGORA
Bem, eu uso a seguinte regra: se dei like por último, eu começo a conversa, se a menina deu like por último, espero ela começar. No meu caso, tudo sempre começa com o famoso "Bom dia, tudo bem com você?", e em seguida eu pergunto se ela leu meu perfil por completo, se existe alguma dúvida com relação à minha proposta. Acho isso importante pois reforça a objetividade da oferta e não dá muita margem para a menina ficar de papo furado depois. Na maioria dos casos as meninas afirmam terem lido e estarem de acordo. Mas também na maioria dos casos elas vão querer saber um pouco sobre você, sua motivação, e principalmente, vão querer uma foto sua. Posso afirmar que 99% vão pedir para ver uma foto antes de seguir em frente, e existem mil maneiras que você pode enviar uma foto: colocando no próprio perfil do Tinder e depois tirando (não gosto de fazer isso, pois alguém conhecido pode justamente estar olhando seu perfil naquele exato momento), upando em um tumblr da vida e passando o link, ou então passando a conversa do Tinder para o popular WhatsApp. Eu geralmente uso essa última.
Bem, daí pra frente vai de cada um. Você vai ter que conversar com a menina e combinar o seu encontro. Eu geralmente pergunto à menina se ela prefere encontrar antes para tomar um café, conversar um pouco, quebrar o gelo, afinal de contas são garotas que na maioria das vezes nunca fizeram sexo em troca de dinheiro e ficam preocupadas de você ser um maníaco ao algo do tipo. Para uns 20% isso foi muito importante, e eu não teria sucesso com elas se não tivesse colocado essa possibilidade. As demais foram de boa para abate sem floreios. Também é bom salientar que na maioria dos casos de encontros pelo Tinder não é a menina que vem ao seu encontro. Você vai ter que ir atrás...e isso pode ser um empecilho para alguns.
Outra coisa, eu não pedi nudes para nenhuma menina. Como já disse lá no início, encarei essa experiência como uma loteria, e solicitar fotos sem roupas poderia colocar em risco meu objetivo. Tem muita gente no Tinder que fica só pedindo foto, e as meninas por razões óbvias vão ter muito receio de encaminha-las para um estranho. Em razão disso, tive alguns desapontamentos, mas no fim, como Edith Piaf posso afirmar que "Je ne regrette rien"
Com relação à duração dos encontros, isso também era algo totalmente em aberto. Eu particularmente preferia não definir nada, deixar rolar...assim, para algumas meninas eu paguei para ficar uma noite inteira o mesmo que valor que gastei para passar 20 minutos com outras.
Enfim, o resultado dessa experiência foram encontros com 19 meninas, das mais diversas origens e classes sociais. Vou descrever um resumo de cada um, para que tenham uma ideia do que poderão encontrar...
Menina 1 - Mesquita - 20 anos - Funcionária Pública
Bem, essa foi fisgada ainda na primeira leva de likes. Mulata, não muito bonita de rosto, mas tinha um corpão de passista de escola de samba. Combinamos na praça, e na hora marcada ela estava lá. Eu estava nervoso por ser meu primeiro encontro, e ela nitidamente também estava. Quando ela entra no carro bateu uma bad, pois as fotos haviam pegado apenas seus melhores ângulos, que eu pessoalmente não conseguia enxergar. Enfim, mas eu já estava ali, então ia tentar fazer daquele limão uma limonada. Já no carro ela começa a me elogiar, dizendo que me achou bonito e que não entendia o porque de eu estar pagando para sair com garotas, e no caso, estar saindo com ela. Eu pensei a mesma coisa, mas não disse. Como eu havia combinado antes com ela de sairmos para comer algumas coisa, fomos para o shopping almoçar e conversar um pouco, antes de ir para o hotel. Bem, pelo menos sem roupa ela compensava a cara. Menina bem gostosa, seios médios, bundão. pedia para chamar ela de puta e por fim, me ofereceu atrás que eu claro, não recusei. mas logo em seguida bateu a bad de novo, e disse a ela que tinha um compromisso e ia precisar ir embora. Devemos ter ficado em torno de 1 hora no hotel...na hora de pagar ela ficou muito constrangida, a princípio não quis receber. Mas depois de minha insistência, ela acabou aceitando.
No caminho para deixá-la de volta em casa ela contou que imaginava que iríamos ficar mais tempo, mas que como saiu cedo iria conseguir ir à reunião do grupo de jovens na igreja 54** . Achei essa parte engraçada, mas segurei para não rir. Dois minutos depois de deixá-la no local onde a peguei, descombinei no Tinder e fui seguindo meu caminho pra casa, quando ela me manda uma mensagem pelo WhatsApp perguntando o porque de eu ter descombinado. Enfim, como justamente estava nessa para não ter que dar satisfação a ninguém, não respondi e tratei de bloqueá-la no WhatsApp também. Ela foi a primeira de 36 contatos que estão bloquedos hoje no meu telefone, que vão de garotas que eu já saí e não quis repetir até meninas com quem eu comecei a conversar mas decidi por não encontrar.
Menina 2 - Volta Redonda - 21 anos - Estagiária em Escritório de Advocacia
Sim senhores, nesse afã por ppk eu fui parar em Volta Redonda. Como no começo meu "range" estava de até 160 km, acabei dando match com essa menina de lá, e ela me chamou tanta atenção que decidi que valeria a viagem. Pelas fotos do tinder e instagram ela parecia com a Mulan, personagem de um desenho da Disney. Na conversa pelo WhatsApp se mostrou instruída, tranquila, o que me animou ainda mais em encontra-la. Com ela não teve papo antes...nos encontramos e fomos direto para o hotel. Era a segunda vez que encontrava alguém em troca de grana e estava juntando para por silicone. Dei duas com ela, e poderia ter dado mais se quisesse, mas eu tinha que voltar ao Rio para trabalhar. Enfim, apesar de ter sido legal, não tinha intenção de repetir, então foi para o saco dos blocks também.
Menina 3 - Santa Cruz - 18 anos - Blogueira e Hostess
Fiquei impressionado com as fotos dela. Pelo WhatsApp a menina me pediu um monte de fotos, perguntou um monte de coisas, já estava ficando puto, mas como queria muito conhecê-la fui relevando. Até que ela passou um pouco dos limites, perguntando coisas da minha vida pessoal, daí eu dei-lhe um fora, e já imaginava que ela ia me xingar e cair fora, mas o oposto aconteceu. Ela pediu desculpas e ficou mansinha, me mandou até nudes sem eu pedir. hahahaha
Enfim, fui encontrá-la em Santa Cruz, e a menina queria manter as luzes apagadas no quarto. Muito gostosa, mas tinha um comportamento meio estranho. Parecia sofrer de distúrbio de dupla personalidade. Enfim, essa eu não bloqueei, pois achei que valeria a pena encontra-la novamente, mas três dias depois ela vem com uma história que estava precisando de grana para por implante no cabelo, se eu não podia adiantar, e tal...bem, percebi que essa mulher ia ficar no meu pé, então mais uma foi morar no saco dos blocks.
Menina 4 - Tijuca - 18 anos - Universitária
Quando dei match com ela eu nem acreditei. A menina era muito gata, mas muito mesmo...um corpo perfeito, conforme pude ver pelas suas fotos de biquíni. O relacionamento com ela extrapolou um pouco os limites que eu havia determinado para mim mesmo. Fui dormir na república onde ela morava, falava com ela todos os dias, já não pagava mais, mas a coisa já estava saindo do controle, então preferi me afastar. Dessa eu tenho saudades..
Menina 5 e 6 - Tijuca - 18 e 21 anos - Universitárias
Dei match com a de 21 anos, que durante as conversar informou que uma amiga também estava interessada. Me mandou fotos da amiga, que de fato parecia ser muito gata. Perguntei se ela e a amiga se pegavam, ela disse que não. Eu então questionei o sentido de eu sair com as duas. Elas disse que estava precisando muito de dinheiro, e que poderia fazer "2 pelo preço de 1,5". Bem, como eu estava muito afim de comer a amiga dela, topei. Nesse eu me dei mal...a amiga de fato era gata, mineira, 18 aninhos, branquinha, peitões. Uma delícia. Agora a menina que eu dei match era simplesmente diferente das fotos!!! Uma gordinha baixinha que eu não pegava nem de graça...mas é aquilo, "tá no inferno, abraça o capeta".
No hotel, as duas não podiam ficar no mesmo ambiente pois a mineira (que apesar de linda parecia um bicho do mato), tinha vergonha de dar na frente da amiga. Assim, a comi no banheiro enquanto a gordinha ficava no quarto olhando o que tinha na geladeira. Estava bom com a mineira, até que ela dá um troço e fala "agora vai com ela"...hahaha. Quase me desesperei, argumentei que estava bom ali, que não queria parar naquele momento, mas ela disse que estava ficando com a buceta ardendo por causa da camisinha. Enfim, muito puto fui comer a gordinha, que pelo menos tinha uma buceta quentinha e apertada...botei o travesseiro na cabeça dela e percebi que daquela forma, com ela de 4, até que não estava de todo ruim. Enfim, gozei e quando eu viro por lado a mineira já estava vindo arrumada do banheiro. isso não tinha passado nem 40 minutos de quando havíamos chegado. Pra não me estressar, levei as duas embora com a intenção de nunca mais ver a cara das delas. Até que um dia recebo uma mensagem no whatsapp de um número desconhecido, e para a minha surpresa era a mineira, que estava querendo sair de novo comigo (ou seja, estava precisando de grana). Falei que ela estava doida, que tinha me decepcionado da última vez e não estava afim de me aborrecer novamente. Daí ela falou que ia se esforçar para me agradar desta vez, pediu desculpas, quase implorou. Como ela era gostosa, e estava aparentemente arrependida, lá fui eu encontrá-la. Até que de fato foi melhor, mas ela estava afim de um patrono, e eu não queria ter compromisso de ter de ficar saindo sempre que ela precisasse de grana, então botei ela no saco junto com as outras.
Menina 7 - Baixada - 20 anos
Essa prefiro não relatar, sorry.
Menina 8 - Nova Iguaçu - 18 anos
Essa eu conheci por intermédio da menina 8, então boto na conta do tinder também. Branquinha, linda, uma princesa...essa eu faço questão de encontrar até hoje.
Menina 9 - Duque de Caxias - 18 anos - Lojista
As fotos dela eram sensacionais. Os seios foram os que mais me chamaram a atenção, mas o rosto era lindíssimo. Por isso até fiquei meio cabreiro. Mas ao vê-la pessoalmente fiquei impressionado em como ela era ainda mais bonita. Segundo ela, eu era apenas o segundo cara com quem ela fazia sexo na vida. O primeiro havia sido um namorado com quem ela havia terminado apenas dois meses antes. A menina era muito, mas muito gostosa, e além de tudo ainda deixou eu fazer várias coisas loucas. Detalhe, ela disse ter uma irmã gêmea, o que foi suficiente para aflorar em minha mente os mais perversos pensamentos. Infelizmente não encontrei mais com ela, embora tenhamos nos falado algumas vezes depois. Fico na esperança, pois dessa também tenho muitas saudades
Menina 10 - Magé - 20 anos - Universitária
Loira, 1,75 m de altura, mulherão. Mas com carinha de menina...essa foi engraçada, pois demoramos a nos encontrar. Ela só podia em um dia específico da semana, num espaço de duas horas. Como fui descobrir depois, ela estudava com o namorado, e a única matéria que eles não faziam juntos caia nesse horário. Então eu a pegava na porta da faculdade, saía correndo pro hotel, e antes da aula terminar eu tinha que deixá-la de volta, pois ela ia para casa com o corno. Nos encontramos 3 vezes, e só paguei a primeira...nas outras ela me chamou, pois como o namorado dela não comparecia (eram crentes), ela sentia falta de sexo e acabava pedindo minha "ajuda". Saí fora pois fiquei com receio de dar merda, mas valeu a pena a aventura.
Menina 11 - Duque de Caxias - 22 anos - Comerciante
Me chamou atenção pois parecia ser linda de rosto pelas fotos. E de fato era muito mas muito bonita. Mas tinha um corpo meio estranho. Já era mãe, e a gravidez acabou judiando da menina. Mas tinha os maiores seios que já vi na vida, ainda que um tanto que moles. Gente boa, não tive coragem de dar block de primeira, mas também não queria mais sair com ela. Só que ela ficava me mandando mensagem direto, daí não teve jeito e mandei pro saco também.
Menina 12 - Duque de Caxias - 21 anos - Universitária
Essa foi engraçado. Menina de Goiânia, nos falávamos pelo WhatsApp e seu sotaque dava o maior tesão, aquele "amorrr" fazia o pau subir na hora. Mas a menina era muito carente, e já no chat ficava falando que não ia querer receber pois tinha medo de isso afetar nosso futuro 08** 08** 08** . Bem, no dia do encontro saímos antes para tomar conversar, tomamos um chá, e a menina estava cheia de amor. Já no hotel se mostrou uma devassa na cama, muito gostosa, mas ela estava afim de romance, então tive de sair fora.
Menina 13 - Barra da Tijuca - 18 anos - Só fuma maconha 70**
Essa menina eu já encontrei algumas vezes. Tem um perfil social que difere da maioria das outras pois é de família abastada. Mora em uma mansão em condomínio fechado da Barra, tem tudo o que quer, e sinceramente eu não sei por que está nessa. Acho que ela curte o lance da aventura, sei lá...nunca entendi. Mas enfim, é gostosa demais, muito safada, então eu vou aproveitando.
Menina 14 - Campo Grande - 18 anos - Trabalha mas não sei aonde
Essa menina foi meio estranha, bonita, vivia me mandando nudes perguntando quando eu iria encontrá-la, até que um dia resolvi ir na longínqua Big Field. De fato muito gostosa, mas muito estranha também. Eu a elogiei assim que nos encontramos, tipo "você é muito bonita", e ela "eu sei!" 17** . Já fiquei meio bolado...calada, não falava absolutamente nada até chegarmos ao hotel. Bem gostosa, mas não me senti a vontade em nenhum momento com ela. Até que uma hora ela começa a ter dificuldades para respirar, e eu fiquei super bolado pensando que a menina ia morrer...ela disse que isso era normal, que ela precisava tomar um remédio para melhorar. Daí falei para irmos embora, mas ela não queria ir. Eu ficando desesperado, mas ela aparentou melhorar. Fumava igual um saci....fui puxar assunto, comentando que ela era muito quieta, até estranha. Que eu estava com medo dela...hahaha. Ela começou então a contar a história dela, que tinha vivido em orfanato até os 13 anos, um monte de história triste, daí fiquei na bad e insisti que tinha que ir embora. Finalmente ela aceitou. Nesse dia tive duas alegrias, uma quando a encontrei, e vi que era bonita, e outra quando consegui me ver livre dessa doida. Óbvio que foi para o saco.
Menina 15 - Jacaré - 18 anos - Terminando 2º grau
Menina bonita, mas meio feminista. Não depilava a perna nem as axilas. Estava menstruada quando nos encontramos (só descobri na hora), não chupava (nas palavras dela "não faço aquele job"), enfim, desastre total. E o pior é que ela ficou me ligando depois querendo me encontrar de novo...
Tiveram mais 4, inclusive uma que mora no Leblon, que eu até agora não acreditei que deu match. Conheci-a dois dias atrás e estou praticamente apaixonado. A mulher é tão linda, mas tão linda que só o fato de eu ter saído com ela valeu por todos os infortúnios que passei. Mas agora estou com preguiça de descrever, e esse texto está ficando muito longo. hahahaha
Enfim, fora essas, ainda tem 19 matchs para desenrolar, e isso tudo em pouco mais de 1 mês. As experiências foram das mais diversas, e dá para comer uma menina por dia nesse tinder se você tiver disposição, grana e tempo.
Espero que tenha sido útil para quem ainda tem dúvidas sobre a utilização desse app. Eu já estou perdendo o fôlego, tem umas meninas que ainda quero conhecer pois me chamaram muito a atenção, mas depois disso vou dar uma parada. Administrar a logística para todos esses encontros não foi fácil. Mas valeu a pena!
TL;DR: ofereço grana pra mulheres “normais” no Tinder em troca de sexo e elas aceitam. Seguem também relatos de alguns encontros.
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2017.09.11 11:00 deuszebu Confiança & Arrependimento [Nine-Nine] Mais Uma Vez

Nasci em 91. Tenho uma família arcaica, assim como a maioria das pessoas de idade avançada do interior onde moro. Não os culpo por isso, uma vez que se reflete na falta de instrução dos mesmos. Desde criança, gostei muito de jogar e, naturalmente, meu PC tem sido meu melhor amigo desde então. Durante anos me envolvi com jogos de interpretação de papéis (RPG) e, pra mim, essa era uma proposta perfeita para a fuga da realidade. Uma vez imerso em tais aventuras, fiz alguns amigos virtuais. Eram eles transeuntes, os quais marcavam bons momentos e apenas se iam, sem despedidas. Já não tenho contato com quase nenhum destes.
Interpretar papel é algo que faço bem, as vezes, inclusive, me perco de quem sou ou deveria ser, segundo o que espera-se da minha pessoa. Nunca enxerguei a vida real com um real brilho nos olhos, tive bons amigos, com os quais me diverti bastante, com ou sem drogas envolvidas, mas até então não havia nenhuma conexão com alguém que eu considere tão admirável quanto os personagens que eu mesmo interpretara em tais aventuras. Eis que surge em minha vida um elemento conhecido pelo vulgo Bruxo. Em primeira instância não tinhamos importância alguma um pro outro e, durante anos, nos viamos ocasionalmente e não nos falávamos muito. Sua presença geralmente era aguardada por muitos, se não todos e, onde quer que estivesse, se fazia atração.
Pelo pouco que pude observar, era nítido o seu poder de retórica, enquanto eu, por minha vez, era extremamente introspectivo e imerso em minha mente. O silêncio não me incomodava a mim, talvez sim aos que estivessem ao meu redor. A partir do momento que fui alertado sobre ser tão calado, passei a me sentir um tanto quanto um espião e, de certo modo, evitei estar em locais onde a minha presença não era uma necessidade. Meu primeiro contrato com o Bruxo foi um celular o qual ele me vendeu num valor bem barato e me fez acreditar que eu era alguém especial para ele, segundo seu diálogo envolvente. O mesmo me alertou para não comentar sobre a aquisição com as pessoas em comum ao nosso meio, que se resumia à cerca de umas vinte pessoas, na época.
A partir desse momento, me senti em débito de fidelidade com o mesmo e, gradualmente, acabei me afastando da maioria dessas pessoas do nosso ciclo. Eram todas elas, aparentemente, de ótima índole e algumas já haviam me avisado sobre quão tóxico ele poderia ser. O Bruxo já me causara dúvida em relação à raiz fundamental de suas atitudes. Por outro lado, sua habilidade de omitir o que importa e ludibriar, ao falar o que importa aos ouvidos alheios, me fascinava e eu invejava tamanha eloquência e perspicácia. Vendo em mim um devoto seguidor, o solitário lobo abriu uma vaga na sua carruagem para que eu embarcasse em algumas aventuras com ele. Desde então, tornamo-nos cúmplices em várias peripécias.
O tempo passou e eis que tivemos nosso primeiro conflito em relação à confiança cega. Conheci a cocaína através dele e isso não chegou ser algo relevante, já que eu sabia que se trata de uma droga cara e eu, vindo de família humilde, sabia que não podia me dar o luxo de usar uma química capaz de elevar tanto o ego. Já ele, era viciado nessa maravilha em forma de pó. Em determinado momento de nossa trajetória, eu fui despedido do trabalho, sem seguro desemprego e recorri ao bruxo pra me defender em relação à essa grana que o patrão deveria ter me pago e o mesmo me auxiliou até que eu conseguisse vencer esse valor sem necessidade de recorrer à justiça.
Metade dessa quantia recebida me foi requisitada pelo bruxo, com a promessa de me retornar a o mesmo valor em pouco tempo. De pronto, aceitei, até porque eu fui até ele em primeiro lugar, caso contrário, eu iria me conformar em sair do trabalho de mãos atadas. Foi um conflito tenso entre eu e meu chefe, diga-se de passagem. Não bastando o débito, o bruxo me persuadiu a fazer um empréstimo com o banco através de meu crédito especial. Sacou tudo quanto foi possível, na promessa de retorno. Nunca vi a cor desse dinheiro de volta e a dívida se acumulou, já que meus pais também não tiveram condição de pagar. Quando conseguiram juntar uma grana pra não deixar meu nome ficar no SPC, os juros já tinham mais que dobrado. Não chegou aos cinco dígitos, mas já tinha caminhado meio caminho até lá.
Dívida à parte, ainda éramos cúmplices de aventuras e houve um episódio extremamente marcante pra mim, onde eu me envolvi com uma garota que conheci através de outra com quem eu já ficava. Era uma conexão rasa, para ambos, mas eis que o bruxo se envolve na cena e resolve propor que a gente vá estudar morar na casa dessa garota, que morava só. Ela era lésbica, a princípio, mas acabamos ficando e, posteriormente, percebi que ela não estava mais afim de mim e, aparentemente, estava bem suscetível ao bruxo. Me limitei a expressar tal frustração através de desenhos. Nunca fui de desenhar, mas parecia apropriadamente inspirado para isso.
Mais tarde, ainda nesse episódio da morada com a desconhecida, houveram alguns maus momentos entre nós e ele me ofereceu uma coca de boa procedência, a tal nine-nine. Não sei explicar se foi a química ou a situação e o ambiente, mas eu me senti muito mais afetado, dessa vez, com uma dose muito menor da que eu já havia experimentado outrora. Em um certo momento, tive uma discussão com ela e isso se tornou em uma agressão física da parte dela. Como calado não poderia ficar, sob efeito da bendita, eu apanhava sorrindo, de sangue quente e dentes trincados, então a retribuia com questões agressivas, sem me preocupar com o quanto aquilo estava por ferir a moral da mesma. Eu não faria isso de cara, já que ela era uns cinco anos mais nova que eu.
A situação melhorou quando o bruxo teve a brilhante ideia de ligar para a polícia e reportar agressão, antes disso, ele havia ligado pra minha casa e aviso à minha mãe para reunir tantas pessoas quanto fosse possível, pois eu estava impossível de ser contido e estaria chegando lá em breve. Os homens da lei chegaram, viram a bagunça na casa, eu havia quebrado uns ovos da geladeira pela casa, quando ele ligou. Madness. Ouviram-no por um curto período e já foi o suficiente pra me algemarem e me levarem até minha casa, o bruxo me acompanhou na viatura. Desci gritando "Socorro!", já que é o nome da minha mãe. Eu já estava num estado de espírito em que não me importava mais com quase nada, nem mesmo em desrespeitar as autoridades com tamanha ironia, de pedir socorro, colocando-os em posição de quem está a me por em perigo, quando na verdade deveriam representar o oposto.
Antes de me remover as algemas, o oficial me deu um mata leão dentro de casa, sob gritos de minha vó e apelo de vários presentes pra que ele parasse com aquilo. Segui como se nada tivesse acontecido e me dirigi ao meu quarto, tirei minha roupa e saí de lá nu, na vista de todos. Peguei minha toalha e tomei um banho gelado, sem pressa em parar de receber aquele jato frio na cabeça. De fato, eu sabia que precisava estar tão sóbrio quanto possível. Saí e dialoguei com todos os presentes, como se nada tivesse acontecido. Estavam todos espantadíssimos, com minha capacidade de estar tão na boa, ao invés de rastejando por perdão pelo incidente. Como haviam bem umas dez pessoas presentes, todas elas importantes, não souberam nem o que dizer, em relação à sermões. Ao menos tiveram respeito pela situação de crise que se apresentara.
Meu pai foi o primeiro a abrir a boca, tomou a cena aos berros de uma oração e fez da situação uma justificativa para dizer que havia em mim um demônio. Como sempre o vi como hipócrita, acreditei que ele tivesse fazendo aquilo pra me defender de uma degeneração maior. Eu dei atenção aos que eu realmente gosto. A partir daquele momento, passei a agir como um animal selvagem, sempre alerta e pronto pra agir, fazia apenas o que me apetecia e não me sentia mais como um ser domesticado. A história repercurtiu por toda minha família por parte de pai e mãe, pseudointelectuais e ovelhas de cristo, respectivamente. Neste caso, não sei o que é pior, o conhecimento e o desdém ou a ignorância e a misericórdia.
Me afastei do bruxo, isso havia sido explicitamente deixado claro pelos meus pais desde o momento em que pagaram a dívida que o mesmo deixou sob meus ombros e eu ignorara. Passei a frequentar psicólogos e psiquiatras do CAPS e particulares, a fim de satisfazer meus pais, que tentavam descobrir o que havia de errado comigo. Todos diagnósticos explicitavam que eu estava são e bem consciente sobre tudo que aconteceu e eu sabia disso, assim como sabia que eles não aceitavam aquela atitude vinda de mim, o que me fez acreditar que eu poderia ter borderline. Foi uma fase complicada, me afastei de todos contatos possíveis. Todos! Desenvolvi um certo pânico, derivado da superproteção, em que eu sentia que estava sendo perseguido e que as pessoas as quais eu me considerava próximas poderiam estar em perigo. Cheguei a interpretar mensagens subliminares pra mim, na TV.
Passaram-se alguns anos e o bruxo apareceu novamente. Se aproximou aos poucos e, de repente, estávamos juntos em missões suicidas novamente. Narrando essa história, me sinto na posição daquele ser imbecil dos filmes de suspense, que sabe que vai dar merda se continuar e, mesmo assim, segue rumo ao perigo. De algum modo, ele foi a única pessoa que me entendeu, até hoje. Por mais escroto que o mesmo tenha sido comigo, eu não conseguia vê-lo como um inimigo e, mais uma vez, abri a guarda. Seguimos uma nova fase da aventura em que ele viera morar num bairro próximo de onde eu moro, com uma namorada a qual ele não ama, nem mesmo dizia ter relações e ainda dizia que se eu ficasse com ela, que era um alívio pra ele.
Várias coisas altamente insanas aconteceram. Pela primeira vez eu tinha um pico legalize pra dar um dois, beber sem me preocupar sobre onde cair morto e também dava pra levar umas parceiras. Como é de se esperar, nem tudo são flores. Eu estava à caminho do bruxo, às três da manhã, para entregar a ele uns cartões de sua namorada. Por fruto de um acaso infeliz e de um ser infernal de má índole atrás do volante, aconteceu um acidente comigo e eu quase morri. Por incrível que pareça, eu me preocupava mesmo era com minha moto, que fora destruída e estava sem seguro. Caí inconsciente e somente no outro dia fui saber o que estava acontecendo, foi quando meus pais souberam que novamente eu estava conectado com o ser o qual eles mais abominam em minha vida, chegam a dizer, com convicção, que ele é o demônio.
Levou um tempo até eu me recuperar do acidente e algumas sequelas seguem até hoje, mas eu ainda tinha contato com o abominável homem das neves do sertão. Eu sempre fui o rei da evasão, mas já tava ficando complicado inventar nome de pessoas pra justificar minhas saídas e dormidas fora. Quisera eu que houvesse uma cúmplice pra justificar como namorada, essa sorte não tive. Como se não bastasse tanta desgraça em minha vida, eu aceitei o pedido do bruxo em emprestar meu cartão de crédito ao bruxo e ele torrou mais quatro dígitos, na promessa de que ele pagaria nos meses seguintes. Ele pagou o mínimo da primeira, as restantes foram parceladas com altos juros.
Tenho passado maior perrengue pra pagar essa conta. Já fiz uma dívida alta com minha prima, pra pagar uma parcela a qual ele me deu o valor de pagar, depois pediu pra guardar e, quando pedi pra ele pegar, o mesmo disse que já havia me dado e que eu perdi. Eu tava certo de que nunca perderia uma alta quantia de dinheiro, mas acreditei no que havia me dito, já que negar também não ia dar em nada, já que não haviam provas. Atualmente, estou à uma semana com atraso na fatura do cartão e não tenho condição alguma de conseguir a grana. Hoje foi o dia que planejei contar à minha mãe sobre essa situação, na esperança de que ela pague e não me mate. O clima aqui em casa tem estado tão bom que a última coisa que eu queria fazer é estragar, mas é o preço que estou tendo que pagar, mais uma vez, pela confiança.
Não sei se posso afirmar se estou arrependido, nem sei se eu voltaria a ter contato com o bruxo. É sempre o mesmo drama mental e isso me consome como nada antes na vida. Um bônus delicioso nessa história é que na semana passada chegou uma cara em minha casa de cobrança do meu plano de saúde. Tal fatura o bruxo havia me dito pra emprestá-lo o valor de pagar e me tranquilizou dizendo que me daria o valor no início da semana, depois pediu o boleto e o restante do valor que eu tinha, afirmando que pagaria na lotérica no próximo dia útil. Bom, a cobrança já deixa bem claro que ele não teve consideração em honrar com sua palavra. Me sinto vítima de estelionato pela única pessoa que cheguei a considerar ser um amigo de verdade.
TL;DR: Confiei em um amigo único e o mesmo me causou arrependimento, ao me dar toco financeiro consecutivamente e, aparentemente, sem remorso.
Esse depoimento me faz lembrar da música Mais Uma Vez de Legião Urbana. Nela, o Renato Russo inicia com palavras que parecem levar luz aos corações desesperados e suicidas:
Mas é claro que o sol vai voltar amanhã Mais uma vez, eu sei Escuridão já vi pior, de endoidecer gente sã Espera que o sol já vem
Em seguida, ele completa com alertas que servem perfeitamente como desfecho pra essa tragédia narrada:
Tem gente que está do mesmo lado que você Mas deveria estar do lado de lá Tem gente que machuca os outros Tem gente que não sabe amar Tem gente enganando a gente Veja a nossa vida como está Mas eu sei que um dia a gente aprende Se você quiser alguém em quem confiar Confie em si mesmo Quem acredita sempre alcança!
E quando você pensa que não tem mais saída, que tudo que foi vivido foi um erro, vem o conselho final:
Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena Acreditar no sonho que se tem Ou que seus planos nunca vão dar certo Ou que você nunca vai ser alguém
E é com a letra dessa linda música, que tanto marcou minha adolescência, mas só agora parece fazer sentido visceral, que me despeço de vocês.
Salaam Aleikum ^-^
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